O Fla-Flu do Pacaembu (por Zeh Augusto Catalano)

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Domingo, um jogo histórico em um palco histórico. O Fla-Flu não visitava São Paulo desde o milênio passado, quando, em 1942, houve um zero a zero em terras paulistas. Ao contrário do Maracanã, o Pacaembu sobreviveu à maldição das arenas Fifa e se mantem em seu formato original. É apenas um estádio de futebol.

A incrível consequência deste jogo é fazer a Globo e os clubes lembrarem-se de uma entidade esquecida pelo futebol: o torcedor comum. O cara que não torce para Fla ou Flu, mas que ama futebol e que não vai querer perder um programaço como este. Com o advento do sócio torcedor e a massificação, ou melhor, a imposição do pay-per-view, esqueceu-se completamente desse cara, que quer ir ver futebol. Ao pousar em São Paulo, cidade que tem suas paixões futebolísticas locais, milagrosamente se notou que não só os torcedores dos dois times tinham interesse em assistir esse jogo. Brasilia, por exemplo, é casa de muitos jogos dos times do Rio. Mas há a enorme diferença de não haver concorrência: não temos aqui paixões enormes por Gama, Brasilia ou Brasiliense. Aqui no Distrito Federal se torce para os times do Rio, São Paulo, Minas. E os jogos, principalmente, com a desculpa de se priorizar os sócios torcedores, custam uma verdadeira fortuna – suficiente para espantar os torcedores de outros times. Não dá pra pagar 100 reais, 200 reais num ingresso de um jogo de futebol de um time que não é o seu. Sendo a sua paixão, você estica dali, faz um sacrifício e vai. Para o time dos outros, não.

No começo do mês que vem, o Fluminense deve ir – se o jogo não for levado para outro canto – a Tombos, cidade do sul de Minas Gerais, bem próxima da divisa com o Rio de Janeiro. A Tombense é o adversário de estréia da Copa do Brasil. Copa essa que começou quarta passada, com o adversário de domingo, o Flamengo, fazendo mais um de seus costumeiros papelaços ao perder para o Confiança, de Sergipe, por um a zero, num jogo em que teve um homem a mais desde os 15 minutos do primeiro tempo. E que testemunhamos pela TV, para nossa diversão.

Considero a Copa do Brasil o evento futebolístico mais interessante de nossa temporada. Vivemos num país gigantesco que tem quatro divisões de futebol, com menos de 200 times ao todo. Esse é um número ridículo, que é base para todas as mazelas do nosso esporte. Quantos outros times deveriam existir? Por que tão poucos? Por que não criar as demais divisões, regionalizá-las e assim por diante? É muito saudável que vejamos times como a Tombense e o Confiança, e que os torcedores de Aracaju, Tombos e outras praças completamente abandonadas pelo futebol tenham a satisfação de receber o Fluminense.

O futebol precisa chegar a todos os cantos desse país. Fora da tela de TV.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

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