O eterno craque e o balde (por Paulo-Roberto Andel)

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O ETERNO CRAQUE E O BALDE

Era só uma brincadeira, daquelas que já entraram pelo anedotário popular, promovidas pelo Gerson, o Canhotinha de Outo, um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, tricolor de vinte e cinco mil continentes e comentarista decano de futebol.

Participávamos do programa do Garotinho José Carlos Araújo no SBT, eu e Lucio Bairral representando o PANORAMA. Então falei do Gum, a quem tenho todo respeito e gratidão, mesmo achando que pisou feio na bola em bancar o cabo eleitoral recentemente. Disse que merecia uma tremenda festa do Flu, mas que para mim o tempo tinha passado e seria bom até mesmo para o zagueiro que trocasse de ares, buscasse novos desafios.

Então o Gerson atira: “Quem foi que você falou mesmo?”. “Gum”. “Bota ele aqui (dentro do balde para o tradicional chute)”.

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Mais quatro ou cinco nomes de zagueiros do Flu, risos na equipe, risos na plateia, o craque chuta um balde furado, mas o espectador pensa que foi simplesmente um bicão para longe. Ledo engano.

Nós dois sentados, de frente para o crime, olhos arregalados, o balde – furado e rachado – passando como uma bola cheia de veneno, em curva, por duas câmeras como se fossem zagueiros impotentes diante do lance, caindo lentamente do outro lado do estúdio.

Maestria padrão do próprio Gerson – que não pude ver jogar ao vivo, mas já me esbaldei com trocentas imagens de vídeo e YouTube.

Imaginem aquele cara no Maracanã lotado fazendo da bola avião com pouso e decolagem em torno de quarenta ou cinquenta metros? O gramado imortal virando um sinucão, digno de mestres como Rui Chapéu e Carne Frita?

Caros amigos, nem todo dia é possível ver um tricampeão mundial desenhando jazz com o pé num balde furado a dois metros de distância.

Dois ou três segundos que me fizeram pensar sobre todo o ano do Fluminense, o futebol por aí, o que ele foi um dia para todos nós.

Muitas besteiras são ditas sobre o Gerson. Nem todo tricolor sabe que ele fez misérias para finalmente conseguir jogar no time de seu coração. O Botafogo o queria de volta depois da passagem pelo São Paulo, ele queria o Fluminense desesperadamente, o clube acenava meio mais ou menos. Na raça, veio, foi um grande campeão de 1973 e depois encerrou a carreira.

Poderia ter brilhado na Máquina, mas preferiu parar. Lucidez é tudo.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: exulla/ nathália pereira

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