Tablete, o entendido da Gávea (por Alva Benigno)

Pela primeira vez, não publico neste espaço as aventuras de Francisco da Zanzibar, por um motivo nobre: dadas as férias carnavalescas de toda a equipe do PANORAMA, sobrou pra mim o bagaço da laranja. Ou seja, comentar sobre o entendido da Gávea que falou mal do Fluminense hoje. Fui convidada e aceitei. Não sei dizer se a razão principal é minha experiência em narrar sobre personagens escroques homoafetivos. Tudo bem, eu vou além disso.

Voltando então aos meus tempos de jornalista.

Esse rapaz, o Tablete, ficou rico às custas de palhaçadas. E, de palhaçada em palhaçada, chegou ao seu ápice como cartola do Fragmento – quer mais palhaçada do que isso? Mas não basta ser palhaço e rico: é preciso ser popular, gerar “polêmica”, causar, ser entendido e daí essa bobagem de falar sobre o advogado do Fluminense, um ex-funcionário do clube.

Faz sentido a piada de Tablete. O que parece humor é, na verdade, rancor e hipocrisia. O rancor vem desde a tenra juventude, vendo o Flu ganhando tudo em cima de seu time. A hipocrisia vem da história do advogado: qualquer pessoa alfabetizada em 2013 viu quem foi beneficiado pelo caso Flamenguesa.

No Carnaval vale tudo, até mesmo a criação de um mundo paralelo, onde existe tri sem bi, onde as papeletas amarelas são legais, onde não jogar a Libertadores é sinônimo de ter sido o campeão brasileiro do ano anterior, onde roubado é mais gostoso, onde é normal um ladrilheiro entrar em campo para esfriar uma decisão. Onde a foto de um assassino é estampada numa parede de glórias. Onde um vice presidente é enjaulado pela Lava Jato e o assunto simplesmente some dos noticiários. Vocês já viram tantas coincidências juntas num roteiro assim? Já. E não foi engraçado.

O problema é que, em alguns casos, esse mundo de fantasia não se limita à festa de Momo, atravessando o ano inteiro.

O Tablete é desses que, mesmo com milhões de seguidores, é também ignorado por milhões de pessoas, então vem a apelação em busca da fama. Ser conhecido como o dono da porta dos fundos só pode levar a ser chamado de Capitão Buzanfa ou Popozuda do YouTube.

Mais um daqueles boys chorosos dos anos 80 e 90 que, de tanto levar palmada do Flu na bunda, agora apela. Mas uma vez boy choroso, sempre boy choroso. Roubado, claro, porque é mais gostoso.

Antes de fechar, registro aqui uma pérola de Chico Zanzi quando lhe contei que hoje escreveria sobre outra coisa: “Alvita, essa mona flácida dá é ré no quibe louco. Fica o dia inteiro de tuitagem, isso é pretexto pra buscar bofão na mensagem direta. Eles não têm classe, desde os tempos da Flagay. Ré no quibe, porta dos fundos, isso é bandeira demais, santa! Só falta dizer que usa laquê”. Pensando bem, o Francisco sabe das coisas. Abafa, mona!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: alva

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