O enigma Fred (por João Leonardo Medeiros)

FredAlguém saberia dizer com exatidão que tipo de pessoa é Frederico Chaves Guedes? Sabemos, por exemplo, que Conca não gosta de exposição desnecessária na mídia, que é um grande profissional, que é brincalhão no ambiente das Laranjeiras, que tem uma família sólida etc. etc. etc. Sabemos porque, como tricolores apaixonados, acompanhamos o noticiário sobre o Clube e formamos uma imagem do caráter de cada jogador – pelo menos dos mais destacados. A imagem que fazemos de Conca pode não corresponder ao Conca real, mas é pelo menos bem amparada na aparência, naquilo que se exibe ao público. Nem isso temos de Fred.

Quem é Fred? Que tipo de profissional é ele? Que tipo de pessoa é Fred fora do palco e mesmo no palco? Podemos formar pelo menos “quatro Freds” com aquilo que coletamos na mídia, especializada ou não. O Fred I, por exemplo, é super-profissional, não falta jamais a treinos, está sempre bem-humorado e bem-disposto, cumpre obstinadamente os tratamentos e as recomendações médicas, mas tem um terrível histórico de lesões que impedem seu melhor desempenho.

O Fred II é aquilo tudo que é Fred I, mas prejudicado adicionalmente, no campo profissional, por sua performance na boemia. Em vários momentos, Fred II teria exagerado da noite e comprometido atuações, tratamentos, treinamentos, sua performance geral, enfim. Esse é basicamente o Fred de 2010, ao que tudo indica réu confesso.

Como disse, há dois outros Freds, pelo menos. O terceiro é o Fred II sinceramente arrependido. Talvez tardiamente, Fred III largou a noite, abraçou a religião com fervor, regrou sua vida, mas não conseguiu ainda recuperar o melhor desempenho profissional porque o histórico pesa. Este Fred está profundamente decepcionado com a Copa, talvez deprimido, e pode encontrar no Flu sua cura, mas talvez não o futebol.

Por fim, Fred IV. Trata-se de uma pessoa de caráter duvidoso, que muitos chamariam de mercenário, um sujeito que usa a mídia para ocultar o fato de que não tem realmente interesse em jogar futebol, e sim em ganhar dinheiro fácil. Fred IV vive ainda na noite, mas escondido. Inventou a conversão religiosa para silenciar os críticos. Pensou que ia vencer a Copa com um grande desempenho porque acredita que, como Romário, poderia jogar sem treinar. Antes da Copa, tentou tirar uma casquinha do Flu e aumentar o já imenso salário. Agora, sofre apenas pela perda dos milhões, mas se conforma em ficar na moleza no clube, contando com o aval do patrocinador.

Eu não sei quem é Fred e penso que, talvez, nem ele mesmo saiba exatamente. Mas, seja quem for, para mim é claro que se trata de alguém que desperdiçou uma chance de ouro. Fred poderia ter sido decisivo na Copa do Mundo aqui em casa. Nós, tricolores, já o vimos ter atuações de gala, já o vimos decidir grandes jogos, já vimos sua capacidade plena em ação. Acho que os quatro Freds que imaginei gostariam de ter feito uma grande Copa, ainda que por motivos diversos. Também por motivos diversos, os quatro estariam decepcionados. O que muda é o que vem adiante.

Em seu retorno ao Flu, pode haver três situações distintas envolvendo os “quatro Freds”. Podemos, por um lado, ter um ladrão no Clube, o Fred IV plenamente em ação. Este sujeito vai enganar por mais dois anos e depois partir para o Al Hilal da Arábia ou coisa do gênero. Vai sair pela porta dos fundos, carregando consigo estatísticas que caberiam a um ídolo, mas que vestem alguém que nunca mais atravessará o portão das Laranjeiras.

Podemos também receber um profissional com gana de mostrar que não morreu, que foi realmente prejudicado pelo esquema, que talvez tenha como único pecado ter se apavorado diante da responsabilidade de conduzir um time mediano numa Copa do Mundo. Um Fred com este intuito tem no Fluminense a casa perfeita. Não são poucos os exemplos de jogadores que tiveram uma grande história no Clube depois de decepções no mundo bola. De cara, lembro-me de Rivelino, criado para ser o maior jogador da história do Corinthians e varrido de lá pela rejeição da torcida. Lembro também, claro, de Assis, cigano da bola que brilhou no Flu após cumprir 30 anos.

A questão, neste caso, é se Fred tem condições físicas e emocionais para dar a volta por cima. Por isso, mencionei três situações e não duas. Fred pode querer dar a volta por cima e não conseguir ou pode ser bem-sucedido.

Certo é que Fred tem nova chance de ouro. Ele pode ser o segundo maior artilheiro da história do Flu, pode ser novamente Campeão Brasileiro (mais uma ou duas vezes), pode ganhar a Libertadores, pode ser Campeão Mundial, pode abiscoitar alguns estaduais, pode levar a Copa do Brasil, a Sulamericana, a Recopa. O Fluminense, hoje, já tem elenco para muitas destas conquistas. Ganhando algumas delas, o elenco melhora ainda mais, tenho certeza. Se este elenco contar com um centroavante do quilate de Fred-no-auge, as chances são muito grandes de êxito.

É claro que se cumprir metade daquele script, Frederico se aposenta nas Laranjeiras, recebe uma plaquinha na parede do clube e vira um novo Assis ou Romerito. Vai ser querido para sempre e gozar do prestígio de embaixador do Clube. Pergunto eu, diretamente: e aí Fred, vai jogar fora de novo a oportunidade? Não vai abraçá-la, nem que seja só por dinheiro e autoestima?

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Foto: Bruno Haddad / Fluminense F.C.

SPRIT

4 Comments

  1. Vamos torcer e muito para que Fred tenha um final feliz com nossas cores….pensamento positivo…..st

    1. Essa é a esperança, prezado Renard. Ganharemos todos, ele e nós.

      ST,
      João Leonardo

  2. Rapaz,
    Acho que temos mesmo é o Fred IV sem o caráter duvidoso.
    Apenas usa, como muitos, o marketing para obter vantagens e as consegue.
    Gostaria muito e desejo que esta copa o tenha ensinado uma boa lição. E ele veja, que nós, Tricolores, mesmo os que não são fãs dele, o defendemos com unhas e dentes.
    Se ele vir que pode mais e quiser, este é o momento para começar.
    Agora, é só não me inventarem R10 para acabar com o trabalho do Cristóvão.

    1. Prezado Raphael,

      descobristes o Fred V. Pode ser mesmo.

      Abraço,
      João

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