O efeito Flamengo em Laranjeiras e São Januário (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, o “grande momento” do Flamengo, só possível graças ao “afago” financeiro da dindinha, parece ter despertado reações curiosas no futebol carioca.

Leio que o Vasco, graças à Black Friday, chegou a 150 mil sócios torcedores, alcançando a inacreditável condição de maior quadro social do Brasil, superando a mulambada.

Não sei qual a ideia dos dirigentes vascaínos, mas a mim parece que estão reproduzindo uma tese que eu sempre tenho defendido aqui, que é investir na fidelização de uma grande base de torcedores.

Eu explico. Em 2014, quando ainda tínhamos um contrato “sem prejuízos” com o Maracanã, reduzimos o preço dos ingressos. Praticamos preços populares, com ingressos a R$ 20,00. Chegamos a colocar mais de 50 mil pessoas na partida contra o Vitória pelo Campeonato Brasileiro, além de outras plateias numerosas.

Parece evidente que isso não funcionaria nos dias atuais, quando não temos a possibilidade de lucrar com ingressos baratos, como no jogo de ontem. Para não termos prejuízo, precisaríamos de mais de 40 mil torcedores.

Uai, mas não é que nós colocamos mais de quarenta mil torcedores numa quarta-feira à noite, em um jogo que não valia quase nada? E contra o Palmeiras? Mais de 30 mil, num dia de chuva inclemente banhando o Rio de Janeiro?

Curioso a Globo pagando pau para a nossa torcida durante a transmissão do jogo de hoje. Mas não se iludam.

O lance todo é que o Vasco conseguiu chegar a 150 mil torcedores, o que significa ter ampliado suas receitas, pelo menos pela previsão de seus dirigentes, em R$ 2,4 milhões mensais.

É claro que a tal promoção tem a duração de alguns meses, mas é aí que se esconde a verdadeira estratégia. Até que se passem esses meses, o Vasco terá uma base de sócios torcedores gigantesca, que lotará os estádios, principalmente se os preços dos ingressos forem populares.

Toda essa gente, que anda excluída dos estádios, readquirirá a cultura de ir aos jogos e é bem provável que um grande contingente continue pagando o plano de sócio, compensando os que eventualmente venham a abandoná-lo.

Parece-me uma grande jogada de Marketing. Afinal, o papel final do Marketing é gerar receitas por meio da aproximação de uma empresa ou instituição com seus consumidores, ou torcedores.

Eu só não sei qual a política do Fluminense, que lançou uns planos na Black Friday e hoje, ao entrar no site, lá estavam os planos antigos. Não entendi necas.

Em tudo isso, o que temos que entender é o efeito “Flamengo”. O momento fabuloso dos café com leite gerou uma movimentação popular jamais vista no futebol. Repito: mais de quarenta mil lunáticos contra o Fortaleza, fazendo a Globo pagar pau para nossa torcida.

Precisa de mais alguma prova?

E tem o Botafogo, com o projeto de profissionalização total do futebol, entregue a um fundo investidor e gestor, algo parecido com a minha ideia lunática de profissionalizar o futebol do Fluminense.

Parabéns ao Vasco e à sua torcida. Pelo menos deram um passo inteligente à frente, que não irá resolver nada se não houver uma profissionalização irrestrita da gestão do futebol do clube. Assim como não resolverá nada se não incluir um engajamento político no sentido de formar uma Liga Brasileira de Futebol, para dinamitar o projeto de espanholização idealizado, e ora em curso, pela Globo.

Então, amigas, amigos, o Fluminense precisa dar o primeiro passo. Ingresso a R$ 20,00 é igual a mais de 70 mil pessoas em dois jogos. Quem sabe planos populares não sejam o caminho para que isso não acabe jamais e a Globo continue tendo motivos de sobra para pagar pau para a nossa torcida?

Estúpido seria não aproveitar o momento e seguirmos na mesma linha de vender jogadores para pagar dívidas. Estúpido seria fazer o mínimo e não criar ambiente para uma reformulação drástica do futebol brasileiro, que sirva, ora pois, para preservar as suas tradições, tão aviltadas pela fanfarronice da Globo, com seus argumentos inacreditáveis.

Tomara que o Botafogo consiga dar o passo que nos recusamos a dar, mesmo que tenhamos condições muito mais favoráveis para isso. Que consiga angariar os investidores para seu projeto de profissionalização do futebol. Será salutar para o futebol brasileiro.

Quem sabe não seja o passo definitivo para que os clubes se livrem do amargo jugo da Globo e sua insana, porém justificável, defesa clubística, já que a família sempre foi rubro-negra, embora não haja nada que justifique o doping financeiro com utilização de um monopólio de serviço, concedido, é bem verdade, pelos próprios dirigentes corruptos dos demais clubes?

Não tem muito que falar do jogo de hoje. Aliás, há pouco o que falar, pelo menos por ora, do futebol do Fluminense. Jogamos melhor, mas paramos num sistema defensivo adversário irritante. Aliás, todos se trancam jogando contra nós, mas nós dizemos que o nosso time é uma porcaria. Quem estará certo?

Yony se despediu do Fluminense de forma apagada. Daniel, que também se despedia do Maracanã de forma apagada, quase marca um golaço no final, que coroaria uma grande temporada. Caio Henrique quase se despediu do Maraca com uma grande assistência para Nem. Assim como Gilberto se despediu do Maraca com um lindo chute na trave, apesar da exibição desastrada.

Enfim, vamos reunir quem não está se despedindo. Disputar a Sul-Americana, diante dessa situação aviltante, é o que menos importa nesse momento. Nós temos que começar a pensar 2020.

Aliás, temos que começar, ainda que tardiamente, a pensar no resto de nossas vidas.

Saudações Tricolores!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

4 Comments

  1. Savioli, só discordo mesmo da sua ponderação sobre a Sula. A premiação em caso de título, mais a vaga pro Mundial (se não me engano, de 2021), nos trazem uma premiação de mais de R$ 100 milhões. É a única competição ano que vem que temos chance de ganhar. ST!

    1. Concordo com você Aloísio, mas eu, honestamente, não me empolgo, porque eu não vejo no Fluminense atual, não é nem a chance de conquistar uma Sul-Americana, mas a vontade.

      Depois do que fizeram esse ano, demitindo o Diniz na véspera de uma partida decisiva, numa competição em que éramos favoritíssimos ao título, eu não consigo reunir motivação com relação a essa competição.

      ST

  2. Marcelo, apesar da situação aviltante, a Sulamericana significa dinheiro em caixa durante algumas fases, não podemos ignorá-la.
    Quanto ao Flu tomar ações que nos ajudem a sair do buraco em que estamos, tenho minhas dúvidas se as últimas diretorias, inclusive a atual, tinham e tem realmente interesse em salvar o futebol do Flu.
    ST

  3. Teremos 2 meses sem jogos. 2 meses da torcida se coçando de saudade, querendo uma migalhinha de Fluminense. Mesmo assim, duvido – e duvido muito – que haja qualquer tipo de campanha programada para movimentá-la. Serão 2 meses de férias. Como se tivéssemos bastante tempo a perder.

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