O dinizismo está de volta (por Aloisio Senra)

Tricolores de sangue grená, o dinizismo está de volta. Abelão não aguentou a pressão de ver seu esquema precioso esboroar-se pelo momento técnico e físico tétrico da equipe e resolveu pedir as contas. Achei digno. Em verdade, talvez tivesse sido melhor ter feito isso após o título. O Fluminense esse ano só jogou como Fluminense contra os bastardos da Gávea. Só. Até contra pequenos do Carioca e times sul-americanos de nível equivalente ao Volta Redonda andou tomando sufoco, sem mencionar as porradas em Assunção e Barranquilla.

Abel merece respeito, tem sim uma bela história no clube, tanto como jogador quanto como técnico, e merece todas as honras. A alcunha de técnico mais vitorioso da história do clube é bem discutível (que o digam os mais antigos), mas do século XXI indubitavelmente ele é. Uma pena que seu discurso emocionado tenha sido carregado também de afagos ao pavestruz das Laranjeiras. Provavelmente tava no contrato ter que dizer aquelas coisas, vai saber né? Agradeço muito por esse último titulo importantíssimo, que será lembrado por várias gerações. Só espero que não seja o último _deste ano_.

Diniz foi contratado, principalmente, para que o laço temporal da realidade bittencourtiana fosse fechado e fosse concluída a sua vontade. Ele demitiu Diniz a contragosto em 2019 (ao menos é o que se conta), e agora o recontrata para vencer a “queda de braço” com seu vice afastado, Celso Barros. Ah, você achou que era por outra razão? Sinto lhe informar que é só por isso mesmo. O planejamento do Fluminense passa por toda e qualquer vontade expressa do mandatário. Ele não tem só o rei na barriga, tem o tabuleiro de xadrez inteiro. Porém, pode ter tido um lado positivo essa celeuma toda.

Diniz não vem de trabalhos muito animadores, é verdade, mas esteve bem perto de ser campeão brasileiro pelo São Paulo. É pouco para o que precisa o Fluminense, mas todo treinador vitorioso teve um momento em sua vida em que ele não tinha esse status, e alguns demoram ainda mais para obter sucesso, caso claro do Cuca, que quase nos rebaixou em 2008 e em 2009 nos deu aquela salvação épica que pavimentou a estrada para três anos vitoriosos. O que quero dizer com isso é que o passado é imutável, e não podemos basear todas as nossas percepções e expectativas nele, embora ele nos sirva de aprendizado. Diniz pode decolar de vez, como pode dar errado. Só o tempo dirá.

Curtas:

– Enquanto o dinizismo não vem, teremos uma pitadinha de marconismo em Curitiba. Aguardo aquele 1×0 com atuação contestável.

– Contas da gestão aprovadas. Dois conselheiros foram contra a aprovação. Eles não são da panela. Tirem suas próprias conclusões.

– Uma coisa é inegável: com o Diniz esses caras vão TREINAR. Vão ralar. A tendência será a parte técnica e física melhorar. Faltará ver a parte tática, normalmente o ponto fraco do trabalho do Diniz. Vamos ver se evoluiu nesse aspecto..

– Palpites para as próximas partidas: Coritiba 0 x 1 Fluminense; Fluminense 3 x 0 Junior Barranquilla

3 Comments

  1. Diniz foi campeão em 2002 como jogador pelo flu. Tem seu nome marcado em nossa história. Porém, não acho que vá emplacar. Já que veio, vou torcer que tudo de certo, jamais serei contra o Flu, contudo, não dá pra ter otimismo. ST…

  2. Concordo com tudo o que foi dito com o autor do texto e tenho pouco a acrescentar. A minha duvida é se o Diniz, entrou para o Clube dos “amigos” da panela do Pavão, ou se o Mário deixou a panelinha das escalações de lado e vai deixar o Diniz fazer o Trabalho dele como o Abad fez. Em breve saberemos.

  3. O ano do Fluminense acabou. Resta agora ao Clube, salvar o ano não passando a vergonha de ter de brigar contra o Rebaixamento. Pois aí sim, seria o extremo da vergonha, pois o elenco é ainda muito defendido pela maioria dos torcedores.
    Fernando Diniz ao menos propõe o jogo, o único detalhe é: como fazer isso tendo apenas Ganso como o criador do time? Veremos se ele faz uma transfusão de sangue no tal Nathan, pois se esse jogador não mudar sua atitude, melhor devolver pro Galo. Quem pariu o Matheo que balance, diria minha avó.
    Abraços, Aloísio.

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