O dilema Paulo Henrique Ganso (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, um dos temas mais populares dos últimos dias tem sido a performance de Paulo Henrique Ganso no Fluminense. E, como não poderia deixar de ser, os absurdos empilham-se sobre a mesa de debates.

Paulo Henrique Ganso é lento. Sim, legal, mas o que é ser lento em futebol? É correr a menos de 40 km/h? Qual o jogador de meio de campo que nós conhecemos que é também especialista nos 100 m rasos?

Nenhum, porque isso não teria qualquer propósito, porque o papel do meio de campo é ocupar espaços, proteger a defesa, coordenar as transições e armar o ataque. A base de tudo é ocupar os espaços corretamente, que era o que o meio de campo do Fluminense fazia durante a gestão Fernando Diniz.

Ah, o Ganso é lento para recompor! Sim, talvez por isso seja um dos jogadores que mais desarma no Fluminense. Talvez isso seja, ou tenha sido, assim, porque o Fluminense ocupava bem os espaços e Ganso não precisava correr e sim ter noção de como diminuir o espaço, provocar o erro e desarmar o adversário.

Ah, mas o Ganso não dá assistência para gol e não faz gol! Sim, mas o Ganso é o cara que mais dá passes para finalizações e, se não faz gols, é porque atua de forma mais recuada e raramente entra na área. Mesmo assim, na última derrota, deixou dois companheiros na cara do gol.

Tudo bem, mas o Ganso não pode jogar junto com o Nenê!

Com essa escalação do Osvaldo não pode jogar mesmo. A impressão que eu tenho é de que o Fluminense é escalado para perder jogo, assim como o Daniel foi barrado no time para acabar com nosso futebol de controle ddo jogo a partir do meio de campo, Pedro foi vendido para nosso elenco não ter qualquer chance de reagir na temporada e Diniz demitido para acabar com o nosso prazer de assistir a uma partida de futebol, porque agora tudo parece pelada de final de semana, sendo que essas últimas costumam ter mais atrativos que os jogos do Fluminense de O.O.

Só que o Ganso pode, sim, jogar junto com o Nenê, se o Oswaldão, também conhecido como O.O., tirar o Wellington Nem do time e colocar o Daniel. É só isso. De resto, é reaproximar o time, restabelecer a marcação em médio alto, deixar Ganso e Daniel fazendo o balanço no meio, encostando Nenê na dupla de atacantes e dizendo para ele que ele pode se matar em campo, que no segundo tempo tem o Marcos Paulo e o Miguel Silveira para entrar.

Enfim, o fato é que as pessoas ficam muito debatendo se o Ganso é craque ou peladeiro, quando deveriam ter uma visão mais orgânica do jogo. Ganso vinha muito bem com Diniz e é uma mentira absurda que nossa zaga não tinha proteção. O que acontecia era o time perder gols em demasia, jogar ofensivo e, em algum momento, ceder espaços ao adversário, porque isso faz parte do futebol.

Diferente disso é você ficar encolhido, não criar oportunidades e o Muriel ser todo jogo o melhor em campo, mesmo quando leva três gols.

Não é o Ganso, é o modelo peladeiro que nós temos visto em campo. É você ir para o jogo com três jogadores lentos no meio, jogando sem posse de bola, sem compactação, com dois malucos abertos pelas pontas, os laterais avançados e tentando colocar correria para cima de um adversário superior tecnicamente. Ora, isso é a receita do suicídio, não é não?

Já, quanto a fazer gols, precisamos, antes de tudo, ter um time organizado e com plano de jogo. Tendo isso, troca o Ganso de posição e coloca o cara colado nos atacantes, como ele atuou nos primeiros jogos, quando fez até gol de dentro da pequena área.

Eu sou contra. Acho que o Ganso estava muito bem no losango do Diniz, fazendo o balanço do meio de campo com o Daniel, tendo Allan como suporte e Marcos Paulo como arco. Mas aí a gente tem uma Cordilheira dos Andes pela frente, porque não adianta a gente analisar nada no clube com lógica, porque quem gerencia seus destinos o faz com as partes baixas.

***

Falando em lógica, eu fico para morrer de raiva quando eu vejo o pessoal falando em clube empresa, legislação, impostos e outros assuntos correlatos.

Eu venho falando, desde que comecei a cobrir o Fluminense, que o clube precisa pensar e agir como uma empresa, sem precisar pagar impostos como uma empresa. Já são dez anos repetindo a mesma lengalenga.

E o Fluminense não sai do lugar, e, quando sai, volta sobre as próprias pegadas. A gente começa a perceber que o novo alvo é Xerém, que virou cabide de emprego dos amigos e dos amigos dos amigos. É para não ficar nada de pé.

Parece que na total incapacidade de propor ou construir alguma coisa, a atual gestão do Fluminense se empenha em destruir o exíguo bom legado das gestões anteriores.

É para matar o Fluminense de joelhos enquanto os ratos roem seus destroços.

É, enfim, um absurdo, falar em clube empresa numa atmosfera totalmente amadora, sem planejamento estratégico, sem gestão de processos, sem profissionais gabaritados nas mais diversas áreas, sem organograma funcional, sem plano de cargos e salários, sem planejamento e metas setoriais, sem gestão profissional, sem governança e sem transparência.

Então, não é para a gente dizer que os impostos tornam o clube empresa financeiramente inviável, mas tornar o clube viável estruturando-o como uma empresa séria, para depois podermos debater se é viável ou não mudar o CNPJ, separar futebol da sede, acabar com os esportes olímpicos, ter investidores ou fazer IPO.

Num clube que tem gestão política e visão amadora de seu negócio, chega a ser obsceno falar em clube empresa, ainda que, num ambiente mais propício, eu ache que o tema tenha que ser debatido.

Antes, porém, o Fluminense precisa deixar essa acomodação intelectual, sacudir a poeira do passado e pisar no século XXI. Antes que seja tarde demais, se já não é.

Saudações Tricolores!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

7 Comments

  1. Caro Savioli, o que a diretoria e o Osvaldo fizeram foi facilitar a vida da arbitragem e do var. Do jeito que a coisa desandou, nem precisamos ser roubados para perder os jogos.

    1. Mas é exatamente isso. Deram mole no jogo contra o Fortaleza e a gente ganhou, mesmo jogando mal.

  2. Assino embaixo à visao de Savioli com a gerência tricolor em relação tentativa de fazer o possível pra destruir o belo esquema de Diniz que tanto os adversários, como sérios jornalistas admiravam e principalmente nós a alegre torcida .Assisti no Maraca o jogo último do nosso excelente e Classudo técnico perto de um grupo alucinados contra o Flu torcendo pela queda de Diniz,todos da turma Celso Barros achei estranho a ferocidade, a raiva e pensei …o porquê???.Diniz já demitido e com muita…

  3. Savioli, disse tudo!! O.O achou que o time foi bem contra o Fortaleza pq ganhou com o Muriel fazendo milagre. Qdo vi o mesmo time contra o Palmeiras, nem acreditei em tamanho suicídio e insanidade! É preciso tirar Nem ou Yoni pra recomposição do meio. Caso contrário, não é viável jogar com Nenê é Ganso.
    Outra coisa. Éimpressionante pegarem no pé do Ganso, que organiza aquele meio de campo, e ainda dá vários passes que os atacantes desperdiçam.
    Tem muita gente batendo no cara errado!

  4. É impressionante o contraste da sua lucidez com a cegueira coletiva de tantos tricolores. Temo que nosso futuro esteja amarrado a estes Celso arrogante IDÓLATRAS que não conseguem enxergar a REALIDADE. Saudações MUITO PREOCUPADAS de um tricolor desde 1959.

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