O atraso do século (por Rafael Rigaud)

fluminense vasco 1993 final o globo

Queridos(as),

Estamos vivendo nesta semana um turbilhão de emoções. Algumas delas nos remetem a coisas boas (a celebração da adoção de nossa camisa tricolor tradicional e reconhecida mundo afora, o bom momento dentro de campo com contratações de impacto, nossa grande campanha no Brasileirão – a Copa do Brasil para nós é assunto para mais adiante -) mas, infelizmente, também emoções que nos remetem a coisas negativas e desagradáveis e é sobre isso que vou me alongar hoje.

Faremos na próxima rodada do Brasileiro o segundo clássico regional do turno jogando contra o time da colina no Maracanã.

Diferente do que ocorreu nos últimos confrontos nesse mesmo estádio (onde o lado de lá foi mais bem sucedido, diga-se de passagem), os noventa minutos deixaram de ser o principal e viraram pano de fundo. Tem muito mais coisa por trás desse jogo que somente o mesmo em si.

O presidente do adversário está criando um cavalo de batalha por entender equivocadamente que tem direito de reclamar o uso do lado direito das arquibancadas do Maraca, baseando-se numa tradição que era vigente em um contexto de estádio gerido pelo poder público.

Por sua vez, nosso clube, que tem contrato com a concessionária do mesmo (gerido desde 2013 pela iniciativa privada), norteia-se pela máxima do “vale o que está escrito” e não abre mão de fazer cumprir aquilo que está assegurado em bases jurídicas sólidas. E é exatamente isso que está fazendo o mandatário do charuto perder o rebolado, acostumado que está a esbravejar e ser atendido dentro de seus domínios de forma coronelista. A resistência firme do Tricolor o está fazendo sair do prumo.

Sabemos todos que o modus operandi que este senhor está tendo contra nós é rigorosamente igual ao usado por ele nos anos 1990. No afã enlouquecido de se estabelecer como o grande rival do clube da praia do Pinto (que conta com o maior aparato de mídia das Américas e, por isso, é posto como referência de qualquer coisa que seja e nunca como coadjuvante de nada) e de fazer o embate entre CRF e CRVG o grande duelo da capital fluminense (atropelando a mística centenária do clássico Fla-Flu), a estratégia ideal para isso é desqualificar aquele que pode se colocar e/ou ser colocado como o grande rival do seu grande rival.

O caminho para isso? Desrespeitar, tripudiar, debochar, humilhar, ridicularizar de forma sistemática nosso clube e instituição e, de quebra, instigar os seus a fazerem o mesmo. Se der para tirar casquinha da mídia e coloca-la para cumprir também esse papel, melhor ainda.

Assim foi feito quando, na criação da Copa João Havelange, surgiu a lenda de que o Vasco teria ajudado o Fluminense a subir para a série A (sendo que sequer havia divisões na copa JH – que foi composta por mais de 100 equipes, TODAS CONVIDADAS, inclusive nós) e que, se não fosse graças ao mandatário cruzmaltino, estaríamos até hoje na série C (quando na realidade, quem nos tirou do sétimo inferno de Dante foi um senhor treinador chamado Carlos Alberto Parreira, que foi campeão do mundo pela seleção em 1994 e, dez anos antes, campeão brasileiro pelo Flu em cima…do Vasco).

Assim foi feito quando eliminamos o rival de domingo em seus domínios pela Copa do Brasil de 2000 e, em vez de admitir nossa superioridade e dar o mérito ao adversário, o senhor que usa suspensórios fez graça da própria derrota, dizendo que havia ressuscitado um morto, tudo para não dar o braço a torcer.

Assim foi feito quando se sugeriu que a utilização de São Januário pelo Flu ao longo da década de 2000 era um favor de um time que tinha estádio a um time que não tinha estádio quando na realidade todo jogo nosso lá foi realizado mediante pagamento (o que chega a ser irônico quando recordamos que, no solo sagrado de Laranjeiras, o CRVG conquistou seu primeiro estadual e, JUSTAMENTE por estar construindo seu estádio, usou o nosso campo quantas vezes se fez necessário).

Assim foi feito quando, novamente empossado mandatário de seu clube, fez uso de todos os artifícios (legais e ilegais, morais, imorais e amorais) para tirar o clássico contra nós do Maracanã (e conseguiu porque é o dono da bola no estadual do Rio de Janeiro), dizendo que não jogaria conosco nem na Federação de Marte. E novamente tenta fazer ao buscar todos os recursos para inviabilizar o jogo e na impossibilidade disso, tumultuar ao máximo esse confronto (até pra nos prejudicar em eventuais punições em tribunais já que somos os mandantes e os responsáveis pela segurança no recinto).

Acontece que o Fluminense de 2015 não é o combalido Flu dos anos 1990 que vivia sua pior década e ia mal das pernas dentro e fora de campo (era o grande inferno astral de nossa vencedora história), tendo presidentes renunciando ao cargo, meses durando trimestres, elencos com 50 atletas e resultados pífios no gramado (mesmo assim deu tempo para marcar gol de barriga).

Acontece que o Maracanã de 2015 não é o Maracanã dos anos 1990, nem em sua configuração (sem geraldinos, só arquibaldos e muitos deles “gourmetizados”), nem em sua capacidade (consideravelmente maior antes), nem na sua gestão (antes pública, hoje privada).

Acontece que o futebol de 2015 não é o futebol dos anos 1990. E o mundo também não o é.

O mandatário anterior a este que está criando confusão onde não deveria ter (que, por sinal, foi jogador e grande ídolo deles) em momento algum fez disso motivo para celeuma, e acabou saíndo por cima ao ver seu time vencer dois jogos e empatar dois em quatro confrontos – ao demonstrar que sabe respeitar contratos e entender que, quando se é mandante, se dita as regras e quando se é visitante, se acata as mesmas.

Se tem alguém que precisa de um déja-vu desesperadamente para reviver glórias não é o Fluminense, muito menos o clube adversário (importantíssima instituição do futebol brasileiro). É seu chefe maior que parece não conseguir deixar o passado ficar no passado e busca a todo custo trazer o século XX para o século XXI.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: o globo

DE OSWALDO GOMES A FRED 22 06

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