Nasceu vascaíno, morreu tricolor (por Marcus Vinicius Caldeira)

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Esse era meu pai, Carlos Alberto Moraes de Lima, ou para o pessoal do Panorama, Seu Limão. Ontem fez um ano de sua passagem e a saudade é permanente. Creio que, para o pessoal do PANORAMA, posso dizer o mesmo.

Nos últimos três anos da sua vida, já aposentado, ajudou-nos muito com sua câmera, sua filmagem, sua amizade, e mais adiante com a divulgação do PANORAMA nas rede sociais. E como para ele “missão dada é missão cumprida”, o fazia religiosamente. Por conta disso, toda manhã recebia seu “Bom dia, filho” pelo Facebook. Ele ia divulgar o Panorama nas redes sociais e antes me mandava está mensagem, a qual nunca mais vou receber.

Infelizmente, curti pouco meu pai em casa, pois com os meus treze anos ele se separou da minha mãe; a ferida foi aberta e os anos, conturbados. Mas, depois que ele se separou da sua segunda esposa, nos tornamos mais que pai e filho: viramos grandes amigos. E na nossa solteirice, íamos para os sambas, shows, pulávamos carnaval juntos como grandes amigos, mesmo. Meu pai era generoso, inteligentíssimo, totalmente do bem e mulherengo (mil risos).

Foi um excelente profissional. Analista de sistemas, sua carreira começou quando trabalhava fazendo a folha de ponto da Assembleia Legislativa. Demorava um mês para fazer, à mão, a folha de ponto de 300 funcionários. Um dia, visitou um grande órgão de governo que fazia em uma semana a folha de ponto de 3.000 funcionários, usando um máquina pouco conhecida por aqui: o computador.

E foi estudar aquilo. Implantou o sistema onde trabalhava usando o mainframe que o fez fascinar pelo assunto. Largou o curso de Economia na PUC, foi estudar Análise de Sistemas da IBM e consequentemente transferido para a sede da empresa em Campinas. Por minha causa – com cinco anos o clima de Campinas afetava minha bronquite – voltou para o Rio para trabalhar na Cyanamid (multinacional farmacêutica). Ficou pouco tempo por lá. Foi para a Xerox do Brasil, uma gigante mundial à época, onde construiu a maior parte da sua carreira. Ficou 30 anos no prédio da Rodrigues Alves, que hoje hospeda a empresa Subsea7, passando por vários cargos gerencias e conquistando muitos prêmios.

Certa vez, a Xerox o enviou para Califórnia para aprender um sistema operacional de computador de grande porte na Pick Systems. Ficou dois anos, por lá. Tão bom que era, foi convidado pelo dono da empresa a ficar em terras estadunidenses. Declinou. Se tivesse aceitado, nossa historia poderia ter sido outra. Vá saber.

Em 1995, dando duro no desenvolvimento de um sistema para a Xerox, virando noites, teve um enfarto no auge de sua carreira. Se separou de sua segunda mulher e teve de reconstruir sua vida.

Quando a Xerox terceirizou a sua área de SIstemas, ele quis sair e ir atrás do seu sonho de ter seu próprio negócio. Deu errado, mas faz parte. Partiu para reconstruir sua carreira e foi para EDS, hoje, HP, onde se aposentou.

Todos que trabalharam com ele o adoram. Segui a carreira de TI por causa dele. Esse era meu pai.

De tanto ir a jogos com a gente do PANORAMA e viver esse aura tricolor que nos cerca, decidiu mudar de time. E fizemos o batizado dele no Bar dos Esportes, onde lhe dei uma camisa tricolor (com a qual foi sepultado) e o batizamos com o pó-de-arroz. Um vídeo dele pulando comigo, Vinicinho e nossa amiga Ana Maria Campos, após uma vitória tricolor, é de chorar.

Obrigado por tudo, meu pai.

Não sou católico, mas ontem fui numa missa encomendada para você.

Tenho certeza que está bem e que um dia iremos nos encontrar novamente.

Até lá.

Te amo, sempre.

Panorama Tricolor

@panoramatri @mvinicaldeira

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3 Comments

  1. Belo texto,Caldeira. Ele continuara entre nos! (Com aquele sorriso largo como o da foto aqui publicada, no registro de sua “conversao”)

    Forte abraco,

    Luciano

  2. Parabéns pelo grande amigo que teve. Isto que vale na vida.
    Que esta amizade passe para o seu filho também.
    Meu pai também vascaíno que não consegui converter.
    Mas íamos aos jogos juntos e quando era Flu-Vasco ficamos bem no meio do Maraca.
    Que nosso Flu tome as decisões certas e pare de vender nossos jovens jogadores antes de se tornarem ídolos para que nossos filhos saibam o que é ser Fluminense.
    Abs

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