Não é o que não pode ser, Flu (por Walace Cestari)

Eita grená! Andei por bandas longes dos bits de três cores do Panorama. Mas vi-vendo o Flu sempre. É gente que sai é gente que entra. É o que dizem os números, é o que se vê no campo. Cada tricolor é uma teoria. Somos milhões não mais de treinadores, mas de também gestores, estrategistas, olheiros e até um pouquinho adivinhos e mestres de inúmeros sortilégios.

Arre que eu não ia ser diferente, não! Sou pitaqueiro de arquibancada e cornetador assumido de um monte de gente que não cansa de queimar minha língua. Como qualquer tricolor, considero a mim mesmo como um sujeito de alto bom senso, equilibrado e que faz análises sem paixões exageradas. Ou seja: minto conversadoramente para mim mesmo. E sigamos nos pitacos.

No entra e sai das negociações tem muito daquilo que já sabíamos. Mas é assim mesmo: a gente mesmo avisado do que vai acontecer roga pra que não precise. Mas precisou. Se ia Wellington, ele ficou – nossa mandinga deu certo (até quando?), mas o menino Richarlisson se foi. E parece que não demora muito para que se vá Wendel (esse é a maior revelação do Flu nos últimos tempos).

Se não cabe choramingar quem vai (esperemos que entre o necessário dinheiro do sustento), é preciso olhar quem fica ou quem chega. A diretoria mostra Robinho como substituto de Richarlisson. Pelo que vem mostrando na série B, pode suprir bem essa vaga. Se o menino Richarlisson parecia mais raçudo e brigador, Robinho parece ter o pé mais aformado na hora de disparar para o gol. Melhor para Calazans que não vai ter o peso da substituição de quem foi e vai ter espaço para se mostrar útil e amadurecer ao longo do ano.

Se Wendel fizer ausência, Douglas – com a promessa de que volta em breve da lesão – deve reassumir a posição e, mesmo não tendo a mesma virtuose, pode dar conta do recado. Como seu reserva, Richard pode ganhar algumas chances. O garoto da A3 Paulista joga de cabeça em pé e parece muito técnico. Só o tempo dirá. O meio campo ganha opções enquanto ficar Wendel e voltarem Douglas e Sornoza.

Somos hoje o décimo colocado a dois pontos do quinto e a cinco da zona fatal. Não é para comemorar nem para se apequenar de contentamento, mas para compreender que o time não faz – de forma alguma –um papel feio no campeonato, pelo contrário. Deixamos de conquistar pontos pela inexperiência e juventude do time, algo que apenas fortalece o elenco para sua construção como identidade futura (e permanente).

Prova-se que podemos contar com Xerém, mas não devemos imaginar que as crias da baixada são soluções imediatas para a conquista de troféus. Os moleques estão ganhando casca e esse time se recusa a perder. Atuamos bem fora de casa e somos inseguros em casa, pela responsabilidade de definir o jogo. Nada que seja desesperador, nada que seja razão para tantos nãos que passeiam pelas arquibancadas.

Não é o que não pode ser. Abel, que devia ser eternizado no cargo, mostra-se a pedra-angular do futebol do clube. Sabe passar para os garotos o que é o Flu e o valor das três cores. O suor não falta. Por outro lado, montou inúmeros times para substituir a equipe que idealizou no começo do ano. Em meio a tantas perdas de peças fez do Flu uma força veloz e, ultimamente, vem trabalhando a melhoria do sistema defensivo.

Agora, com a volta de vários jogadores do estaleiro, com o dinheiro recebido pelos negócios do Flu, com a nova fornecedora de materiais… enfim, agora que tudo vai começando, de fato, a tomar forma, poderemos começar a exigir um pouco mais. Isso só porque somos a vocação para a vitória. Queremos títulos, mas devemos entender que aquilo que hoje se apresenta como cenário pode ser promissor. Torçamos pelo Flu. Cobremos só o que for devido. Vamos permitir o sim. Não é o que não pode ser.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: wc

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