Não devemos ser reféns do resultadismo (por Paulo-Roberto Andel)

Ser campeão é ótimo. Sacanear a LDU é maravilhoso. O Fluminense é o grande campeão da Libertadores e vice-campeão mundial. Pode conseguir o tricampeonato a partir do sábado que vem. E a pergunta logo se apressa: do que estão reclamando mesmo?

A réplica é imediata: de sermos reféns do resultadismo.

Sejamos sinceros, sem paixonite aguda: qual foi a última vez que realmente fizemos um grande jogo? Que tivemos uma exibição de encher os olhos, dominando de ponta a ponta (sem 75% de posse de bola no próprio campo)? Quem sabe dizer?

Os títulos vieram sim, mas há muito tempo o Fluminense não se impõe tecnicamente frente aos grandes adversários, seja com time titular, poupado, reserva etc. Não confundir com vitórias, pelo amor de Deus!

Para piorar, em situações de revés ou em simples críticas, a tropa de choque da gestão nas redes sociais sequer disfarça a combinação de discursos. As narrativas são as mesmas, sempre minimizando problemas, enaltecendo atuações individuais e coletivas bastante discutíveis, para no fim sacar o “somos campeões” ou “acabamos de ganhar a Libertadores”, ou ainda como já aconteceu muitas vezes, desviar o foco principal para a ausência da torcida em algum jogo.

Não pode haver críticas, sequer a contratações inapropriadas e uma questão que tratarei mais tarde, noutra coluna: o envelhecimento da equipe tricolor. Uma simples discordância da Disneylândia tricolor do twitter e pronto: você é um “anti”, é um inimigo do Fluminense, um pária. Quanta imbecilidade, senhor! Fiscais de opinião, fiscais de presença de torcida, avaliadores de qualidade do torcedor. Febeapá é pouco.

Afinal, que porra é essa?

Mesmo que a Recopa fosse prioridade, ok, nada justifica uma atuação tresloucada como a de domingo passado, piorada em muito pelas substituições extraterrestres de Fernando Diniz, que ganhou merecidamente a Libertadores e a Recopa, mas está longe de ser um treinador infalível, muito pelo contrário. Basta anotar sua performance desastrosa em clássicos. Pior do que a atuação pavorosa – e pouco importa não fosse o time titular – é perceber como o Fluminense jogou fora sua vantagem no Carioca a troco de nada.

Mais uma vez: registro aqui minha gratidão eterna a Fernando Diniz pelos títulos da Libertadores e da Recopa. Sem dúvida, ele foi um nome fundamental das conquistas. Agora, quem o considera o maior treinador da história do Fluminense NÃO SABE NADA DA HISTÓRIA DO CLUBE.

Não cabem mais desculpas: temos quatro dias de trabalho até o Fla x Flu do próximo sábado. Chega de conversa fiada: o que o Flu precisa é recobrar seu futebol para reverter a vantagem do rival nas semifinais. E para isso precisa de muito trabalho e zero empáfia, isso se realmente quiser brigar pelo tricampeonato carioca.

Não é preciso latir, rosnar nem dar chiliques por causa destes parágrafos. Eles simbolizam apenas a opinião de um torcedor há mais de quatro décadas regularmente presente no Maracanã, por sinal desde quando nenhum desses “influencers” e fiscais de presença eram vistos na arquibancada ou na geral.

Acontece que o Fluminense está mal, bem mal e num mau momento. Precisa reagir imediatamente.

Pode reverter? Claro que sim, mas precisa mostrar em campo o que não mostra há muito tempo, mesmo quando venceu a Libertadores.

Resultadismo não ganha jogo, nem bravatagem de influencer. Foi maravilhoso conquistar a Libertadores, mas já se passaram quatro meses. O mundo já girou muito.

Hora de menos propaganda e mais futebol.

Que a mudança já venha no próximo sábado, porque precisamos demais.

3 Comments

  1. Realmente o Flu de 2024 não se compara ao time aguerrido de 2023, que esmagava os adversários no próprio campo e não os deixava jogar( além disso, tinha muita posse de bola mas, com objetividade pois, sempre procurava os atacantes em jogadas primorosas, que muitas vezes resultavam em belos gols. Hoje a bola sequer chega redonda lá na frente; Cano é quase mais um zagueiro improvisado por Diniz ! Triste para os torcedores aplaudir Diniz na Recopa e ter que baixar o sarrafo no Domingo ! Esperar o que desse cenário tão adverso ?? Só milagres !! Oremos !!

  2. Sabe o que é mais insano? Não poder criticar o que uma pessoa minimamente lúcida e sensata enxerga. Sofrer patrulhas nas redes sociais e não raro nos estádios, como se um torcedor fosse mais tricolor do que o outro, por não promover ou direcionar críticas ao clube, jogadores e comissão técnica. Isso chama-se omissão ou “conveniência”. Passaram os títulos de 2023 e o da Recopa. A maioria de nossos jogadores não retornou do ano passado. Faltam “fome” e atitude a alguns. Nossos erros e fragilidades são facilmente perceptíveis. E o Fernando Diniz, a quem devemos nossos eternos agradecimentos e reverências, permanece em seu “laboratório de experiências”, do professor Guimbinha, como se o tricampeonato fosse algo sem tanto valor, ainda mais depois de quase 40 anos. Parece estar mais preocupado em manter suas “convicções”, que muitas das vezes se confundem com teimosias, e das mais irritantes…

    1. Andel: Bem dito e escrito, Leonardo. Obrigado pela presença. Realmente está difícil. Bem complicado. Abraço.

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