O momento difícil e aquela tal objetividade (por Paulo-Roberto Andel)

Ninguém pode estar satisfeito com os atuais resultados do time do Fluminense. O time caiu vertiginosamente de produção e, mesmo no feito diante da LDU, não empolgou (ainda que se conheça o crônico e maldito problema da desnorteante altitude).

Precisamos de reação, e no próximo domingo já teremos uma pedreira: o Grêmio.

A treze rodadas do fim do campeonato, temos cinco jogos em casa): Avaí, São Paulo, Bahia, Coritiba, Ponte Preta e Sport. Seria fundamental não falhar em nenhum destes compromissos, mas, encarando a realidade, suponha que consigamos doze dos 18 pontos possíveis, bem razoável e até abaixo do que se espera. Pelas contas atuais, total de 43 pontos, faltando três para o alívio.

Ainda no Rio, os clássicos contra Flamengo (Maracanã) e Botafogo (Engenhão).

Os seis compromissos fora de casa são Grêmio, Chape, Cruzeiro, Corinthians e Atlético Goianiense. Três viagens mais longas, Porto Alegre, Santa Catarina e Goiânia, esta na última rodada e muito provavelmente com o time local cumprindo tabela para a série B de 2018.

Tá difícil? Tá.

É quase impossível? Só para quem não acompanha futebol ou é panfleteiro eleitoral no clube.

Estamos jogando mal? Claro que sim!

Podemos melhorar? Idem.

Mesmo com todos os percalços, não fossem as duas péssimas derrotas para o Vasco (uma delas no último lance) e a cessão do empate ao Flamengo no turno, também no fim da partida, e o Flu estaria no meio de tabela em que quase sempre esteve na competição, sem ter conseguido decolar. Entre o oitavo e o décimo-sexto  colocados, a distância é de míseros cinco pontos.

A Sul-Americana fica de lado até o final do mês de outubro. Até lá, o Fluminense só jogará pelo Brasileiro. Com trabalho, empenho e apoio, reverter qualquer susto é uma probabilidade absolutamente plausível.

Só me caberia o derrotismo de muitos por aí se eu não conhecesse a história de superação do gigante das Laranjeiras, tivesse pouco trato com análise estatística (não confundir com Zés Ruelas que o fazem sem habilitação profissional) ou se estivesse a serviço da politicagem do clube, o que passa muito longe das minhas letras. Um escritor de verdade não aluga suas ideias.

E aos que veem otimismo barato em minhas palavras, ou falta de objetividade, uma breve consideração pessoal: se eu não fosse um otimista, jamais teria escrito em setembro de 2009 que o Fluminense não cairia de jeito nenhum. Graças a isso, um ano e três meses depois tive a oportunidade de me tornar um escritor publicado, contratado por uma editora, falando justamente daquele momento incrível e, de lá para cá, também ter assinado outros livros sobre o Fluminense, a Copa de 2014 e de crônicas (a quem possa interessar, está na Wikipedia do clube). O nosso time, que era o mais desacreditado do Sistema Solar há oito anos, foi minha porta de entrada na literatura formal – e esse troféu ninguém me tira.

Reitero: nosso momento é complicado e exige uma mudança de postura imediatamente. Agora, no dia em que eu acreditar que o Fluminense não pode conseguir quinze pontos em treze jogos, é melhor desistir e voltar a escrever sobre música.

Mesmo com todas as dificuldades visíveis a olho nu, continuo acreditando. O Fluminense para mim é mais importante do que qualquer dirigente, torcedor, jogador ou partida.

Sobre objetividade, o mestre Nelson Rodrigues já tratou há tempos, com muito mais propriedade: “É a falta de complexidade do sujeito que não vê que todo fato tem uma aura. O fato só, em si mesmo, é uma boa droga”.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

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