Marcão: o guerreiro que sorri (por Paulo Rocha)

PAULO ROCHA

Conheci Marcão em 1999. Eu era repórter, fazia a cobertura diária do Fluminense, e ele estava chegando ao clube após se destacar pelo Bangu. Na primeira vez que adentrou as Laranjeiras, o fez com aquele sorriso que se tornaria o seu cartão de visitas. Sempre simpático e solícito fora das quatro linhas, sua imagem contrastava com a figura de cão de guarda exercida dentro de campo. Era um marcador implacável, mas jogava na bola, sem violência. E sua liderança sobre os companheiros tornou-o capitão do time.

Marcão estava no clube no ano do Centenário Tricolor (2002), ganhou alguns títulos e também fez vários gols – dentre eles, um antológico, de bicicleta, contra o Botafogo. No período em que vestiu a camisa do Fluminense, foi comandado por técnicos de renome, como Parreira, Espinosa, Oswaldo de Oliveira e Abel Braga, entre outros. Agora, o ex-volante exerce a função de auxiliar-técnico permanente e, pela primeira vez, teve a chance de comandar a equipe. A vitória de 2 a 1 sobre o Friburguense, na Serra, teve a cara do Marcão.

MARCÃO O GLOBO 2005

Teve a cara do Marcão porque o time correu e se dedicou do primeiro ao último minuto. Teve a cara do Marcão, pois o que se viu em campo foi os jogadores dando um algo a mais, lutando contra um adversário enjoado que jogava em casa. Mesmo nos momentos em que foi pressionado, o Fluminense manteve a calma (como Marcão mantinha) e pudemos fazer uma constatação: parece que o azar está indo embora.

Por isso, dedico a coluna de hoje ao meu camarada Marcão. Enche-me de alegria ver o Fluminense voltando a jogar como um time de guerreiros justamente no dia em que ele esteve à beira do gramado. A letargia “Eduardo Baptistiana” virou coisa do passado. Vamos nos permitir, tricolores, ser auspiciosos no que diz respeito a dias melhores.

Após o jogo contra o Tricolor Serrano (que um dia já se chamou Fluminense), como sempre foi de sua maneira, Marcão, que além de contagiar e orientar bem taticamente a equipe acertou em cheio nas substituições, creditou a vitória aos jogadores: “Tive uma pequena parcela apenas”.  Essa declaração também é a cara do Marcão, um homem sem vaidade, competente, honesto, sério e amigo daqueles que têm, ou tiveram, o prazer de conviver com ele.

Marcão comandará o time contra o América, neste domingo, e por quanto tempo for necessário até que o Fluminense contrate o seu novo treinador. Será um prazer revê-lo à beira do gramado. Ainda que a função não permita sorrisos com a frequência que lhe apraz, sabemos que os que estarão em campo terão um pouco da sua alegria. Quisera também um pouco do amor que você sempre dedicou a esse clube.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: pr/pra

colaborou Fabiano Artiles

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