Fábio e o tricolor lisérgico (por Paulo-Roberto Andel)

De tudo que eu possa falar nestas linhas, o mais incrível é que a coluna abaixo foi escrita em junho. Quatro meses depois, nada mudou porque no Fluminense os negócios são muito mais importantes do que o retorno esportivo, vide os dez anos em branco com exceção do Carioquinha e da cult Primeira Liga.

ATÉ QUANDO VAMOS SUAVIZAR AS FALHAS DE FÁBIO?

Depois de ser um dos responsáveis diretos pela eliminação do Fluminense na pré-Libertadores, na Copa do Brasil e na atual distância que o clube tem do Palmeiras no Brasileirão – causando prejuízos de dezenas de milhões de reais -, o ex-goleiro Fábio resolveu abrir a boca e fazer com ela o que já vem fazendo há meses com os pés e as mãos: besteira.

Certamente é o jogador tricolor para quem boa parte da torcida mais passou pano em falhas grotescas no século XXI. Nestes dez meses de Fluminense, frangou em praticamente todas as eliminações e derrotas do clube – isso sem contar outros erros extraterrestres que foram esquecidos porque o Flu não perdeu nestas ocasiões. Joga somente com o nome e o passado distante. Para alguns tricolores sob efeito de alucinógenos, é o melhor goleiro do Brasil embora seja o pior do Rio de Janeiro.

Contratado como grande defensor de pênaltis, tem se notabilizado por sequer sair nas fotos das cobranças. O motivo é simples: lento e com perda natural dos reflexos, parou de esperar os cobradores e tem escolhido os cantos, maneira de disfarçar sua deficiência.

Seu maior problema não está nos pés, embora isso seja uma evidência. Os tricolores com disponibilidade podem rever os gols que o Fluminense sofreu nesta temporada: vão constatar um verdadeiro aviário nas redes. Muitos deles por estar mal posicionado, noutros pela lentidão na execução das defesas.

Tivesse um mínimo de responsabilidade com a camisa do Fluminense, Fábio teria tido a hombridade de se afastar para um recondicionamento que lhe permitisse um fim de carreira digno. Ou mesmo a honestidade de não fazer um contrato com gatilho automático de reajuste. Nenhum dos dois. Perdi a conta no Maracanã dos silêncios de funeral feitos pela torcida tricolor a cada um dos seus frangos, nenhum deles com vaias a seguir. Uns dez pelo menos. Quando não foi criticado, o ex-goleiro não mostrou nenhum problema com os torcedores. Bastou que a torcida perdesse a paciência com mais uma derrota ridícula para que o dono do galinheiro resolvesse se irritar.

Quem é Fábio para dizer que a torcida do Fluminense desrespeita o clube ou a camisa? NINGUÉM. Não tem histórico algum no clube e só apareceu no poster de campeão carioca devido a uma aberração promovida pelo querido Abel Braga, colocando na final um goleiro que praticamente não atuou na competição. Praticamente um intruso.

O Fábio do passado, um dos melhores goleiros brasileiros dos últimos anos, há muito encerrou sua trajetória no futebol, ainda no Cruzeiro. O que sobrou para o Fluminense foi o ex-goleiro, lento, indeciso, que franga constantemente e que só funciona com excelência num Fluminense lisérgico, psicodélico, cheio de azul e verde nas ideias.

Sua arrogância ontem traduz muito do que é o Fluminense atual, que vive de aparências, manchetes encomendadas e uma claque disposta a defender as maiores barbaridades a troco não se sabe de quê. A boa posição no Brasileiro varre dívidas, contratações absurdas, negociações nefastas e queima de revelações para debaixo do tapete. O clube dos balanços ressalvados, teatrais, para enganar trouxas e acender o fogo das Marias Gestão. O clube que vai fazer estádio para 60 mil pessoas quando não consegue reformar um de 5 mil. O clube que procura um banco para arrumar dinheiro em outro banco, enquanto anuncia SAF com toda a estranheza possível. O clube que arrota práticas corporativas mas que conta com uma administração de birosca em todas as suas esferas. Nada disso é Fluminense de verdade, legítimo.

Em resumo, uma farsa.