Ligou a TV, mais um gol do Nenê (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, vamos convir que a sorte e Nenê firmaram um compromisso no espaço.

Nenê cobra falta, a bola desvia na barreira e mata o goleiro. Gol do Nenê. Michael Araujo faz grande jogada pela direita e encontra Nenê livre na entrada da área. Chute de Nenê, bola desvia no zagueiro e gol de Nenê.

Aí o time do Figueirense nos devolve a bola, Michael Araujo chuta, Yago é derrubado e pênalti para o Fluminense. Nem é preciso dizer que é mais um gol de Nenê.

Final: Fluminense 3 a 0. Três gols de Nenê e estamos na próxima fase da Copa do Brasil. Sorte à parte, só tem quem trabalha, e o Nenê trabalha muito. Com Araujo do lado, tudo fica mais fácil.

Bom, eu peço desculpas aos amigos e amigas pela ausência após a vitória sobre o Athlético PR. Não foi porque não teve transmissão, mas porque, enquanto o Fluminense jogava, eu enterrava meu pai.

Claro que antes de fechar o caixão eu lhe fiz a maior homenagem que um ser humano pode receber, que é ser enterrado com uma camisa do Fluminense sobre o corpo.

Afinal, meu pai tem o mérito de ter construído uma família tricolor. E ele está no topo dessa pirâmide, o que faz o feito muito maior. Há quem diga que aquela defesa do Muriel, com a bola batendo na trave, no final do jogo, foi obra do Gravatinha. Eu já acho que teve a mão do velho Savioli.

Talvez tenha sido uma obra do Gato Félix, lembrando o feito de 1970, quando diante do mesmo Athético garantiu a nossa vaga nas finais do Brasileiro, com defesa que desafiam a lei da física.

Mas cada um de nós tem mérito nisso, pois nós somos a resistência. Nós permanecemos tricolores apesar de tudo que fazem para nós desistirmos.

Com meu pai eu aprendi a simplicidade, o desapego a coisas materiais e à superficialidade. Todo mundo vira herói quando morre, mas não é do que se trata. Eu sou um chato que não enfeita as coisas, exceto aquelas que já carregam seu enfeite natural.

Eu falo, ao contrário, de um homem honesto, dedicado à família, e generoso ao ponto de tirar a roupa do corpo para dar a quem precisava. Não falo de perfeição, mas de uma vida realmente admirável.

Certo dia eu descobri que não tinha um pai, mas um anjo da guarda. Eu morava sozinho, vivia um momento mágico de reconhecimento como jornalista no Fluminense&Etc, em que tudo que eu fazia era reconhecido.

Essa história profissional é longa e eu não quero gastar vocês com isso. Talvez eu conte em livro um dia, mas o fato é que a luta para levar esclarecimento à torcida do Fluminense sobre temas que até então eram ignorados me levaram à bancarrota.

Mas quando você trabalha com algo que justifica sua existência todo sacrifício vale a pena. Até trocar um salário garantido no final do mês pela incerteza.

Meu pai não era de me ligar. Sempre foi muito reservado. Nós nos reuníamos nas festas de família, aniversários, Páscoa, Natal, etc., algumas vezes até na minha casa, principalmente antes de eu me separar de minha segunda esposa.

Um dia daqueles eu trabalhava feito louco e não tinha mais um único tostão no bolso. Toca o telefone e do outro lado eu ouço a voz do meu anjo da guarda: “está tudo bem com você?”. Ele não tinha nenhuma obrigação, mas foi a voz que eu ouvi num momento crítico. Depois disso veio o O Tricolor, a cobertura do tetra e a luta épica no caso Lusagate.

Um dia, há cinco anos, ele esteve entre a vida e a morte, mas preferiu voltar e me dar a honra de conviver com ele por mais cinco anos. Quando o vi na sala, agradeci. Hoje eu agradeço a Deus por ter sido tão generoso comigo me dando um pai tão capaz de perceber a cada instante da minha vida o que eu precisava.

Passei os últimos anos compartilhando com ele os momentos difíceis do nosso Tricolor, muitas vezes com indignação, outras tanto desabafando. O jornalismo tricolor deixou de ser meu core business desde o final de 2018, mas eu tenho aqui o Panorama, que é o veículo que expressa o que eu sinto e o que eu penso como veículo de opinião.

Eu sei que talvez as coisas não fiquem muito claras, mas estou feliz com a vitória de hoje. Tenho certeza de que o Fluminense vive hoje o melhor momento do ano. Michael Araujo é uma descoberta, Calegari chegou para ser titular e Dodi surpreende.

A melhor notícia sobre o Fluminense é que não sabemos até onde esse time pode ir. É, para mim, um grande desafio, que é claro que eu vou aceitar. Eu estou ligado, totalmente ligado. Aqui está meu compromisso com a torcida do Fluminense, que não morreu e não morrerá jamais.

Vamos aprofundar tudo isso nas próximas colunas, porque agora o momento ainda é de emoção muito forte.

Desculpem pela falta de uma análise mais profunda. É que quando eu falo de Fluminense ainda me vem à mente aquelas mãos me conduzindo pelos atalhos do Maracanã.

Saudações Tricolores!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

#credibilidade

8 Comments

  1. Que DEUS CONFORTE vc e sua FAMÍLIA ! Linda Vitória ! Nenê no lugar certo. Araujo jogando muito. Renovação Urgente com o Dodi por necessidade nossa e com o Marcos Paulo pra tranquilidade e foco do ótimo jogador que anda muito desligado ( deve ser terrível ouvir o Presidente dizer que tem que vender ele neste ano ). Calegari nos anima e o Ganso mostrando que ainda pode ser muito útil. Miguel e Pacheco tem que estar na frente do Wellington pra entrar no segundo tempo. E NÃO PODEM VENDER o goleiro…

  2. Meus sentimentos Savioli. Que Deus abençoe e conforte você e sua família. Forte abraço.

  3. O reconhecimento e a gratidão são coisas raras no ser humano…Parabéns !!! E é exatamente isso que nos transforma e nos faz crescer…. Parabéns mais uma vez Savioli….

  4. Meus sinceros sentimentos, Savioli! Não consigo imaginar a dor. Que o Fluminense siga encantando para alegrá-lo lá de cima. Certamente a vitória de ontem foi uma homenagem a vocês dois. Quanto ao jogo, pensei imediatamente no quão perigoso era o que estava acontecendo. A idolatria ao Nenê é algo muito, muito perigoso. Quando tudo vai bem, é ótimo, mas quando azedar… Vamos vendo. ST

  5. Marcelo, primeiramente meus sentimentos pelo seu Pai e estaremos juntos sempre torcendo pelo nosso Fluzão!

    Marcelo Diniz

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