Levir Culpi x férias antecipadas (por Crys Bruno)

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Oi, pessoal.

O Fluminense implodiu nas últimas quatro rodadas. Se não vercermos nesta sexta no retorno ao Maracanã, o time não se recupera mais, dando praticamente adeus a uma das 999 vagas para a Libertadores. Será uma implosão mental.

Mas o que mais me incomoda nesses quatro jogos sem vitória é a normalidade como tudo é tratado por nosso treinador, pela diretoria e por alguns dos jogadores mais experientes como Gum e Pierre.

Para eles, resumidamente, o Fluminense está atuando bem, os resultados é que não estão bons. “O time é competitivo”, dispara Pierre. Claro que é; afinal, a diferença entre os dois que brigam pelo título, até o décimo quinto, não é tão grande, a qualidade é bem restrita em quase todos, a diferença é ser melhor usada.

O Palmeiras joga com um meio-campo de jogadores apenas comuns para bons. Um único volante de marcação com dois que saiem em velocidade, Tchê-Tchê e Moisés, auxiliados por um dos três rapidos atacantes, Dudu, que volta mais um pouco e municia Gabriel Jesus e Roger Guedes, à frente deles esperando o passe.

Sem nenhum grande craque, mas com o equilíbrio de escalar cinco jogadores defensivos com cinco ofensivos, encaixá-los e posicioná-los sem que a defesa se exponha o tempo todo nem o ataque fique vazio ou isolado.

O Flamengo fez a mesma coisa e ainda melhorou ao contratar um camisa 10 clássico, Diego. Seu meio-campo conta apenas com um volante de marcação, Márcio Araújo. Willian Arão proporciona o arranque pelo meio, a transição, e o trio meio-campista tem na frente deles outro trio de atacantes.

O próprio Corinthians joga da mesma maneira, já montado por Tite. Contra o Flamengo, num Maracanã lotado, apenas Willians como volante, ao lado de dois meias ofensivos, Rodriguinho e Giovani Augusto e um trio de atacantes, Romero, Guilherme e Marquinhos Gabriel. Poderia ter perdido, assim como o Flamengo, mas joga com equilíbrio.

O Botafogo é o único que usa três volantes. É natural: seu time é o mais emendado, o clube tirou leite da pedra, joga como azarão, mas com um detalhe: tem um camisa 10 clássico, Camilo, que deu criatividade e municiou um ponta habilidoso, Neílton, mais um centroavante em boa fase, com confiança, Sassá. Encaixou. É a filosofia pelo contra-ataque aceita pelo elenco comedido, pobre.

O Fluminense de Levir usa três volantes, de novo. Sua escolha nunca foi equilibrada – cinco defensivos, cinco ofensivos – nem de azarão que encaixe, como o Botafogo. Pierre e Douglas são primeiro-volantes, são dois Marcios Araújo, dois Airtons, dois Thiagos Santos (Palmeiras). O terceiro volante é lento, embora saiba jogar, mas por ser lento não dá arranque, velocidade ao contra-ataque. O meio-campo trava o time.

A lentidão que vemos não é falta de disposição, mas de encaixe. E mesmo quando troca Douglas por Marcos Jr, Pierre e Cícero, colados à zaga, muito atrás, impõe um buraco nesse meio. Por características, repito.

Não temos um 10. Disseram que Maranhão e Claudio Aquino fariam essa função. Nunca vimos. Sempre quis ver Maranhão que é veloz, ajudando Scarpa e Welington. Mas perdi a esperança e a curiosidade. Dudu já vimos o suficiente. Danielzinho e Eduardo foram dispensados por empréstimo.

Levir poderia pegar nosso melhor jogador para funcionar ali, na posição mais importante e difícil de um time, a criação, mas prefere posicioná-lo aberto na direita, marcando o lateral adversário até a lateral defensiva. Levir mata Gustavo Scarpa. Do outro lado, mata Wellington. São eles dois o nosso melhor. São trucidados pela tática do Levir.

Quando o meio recupera a bola, Scarpa e Welington estão na defesa, ao invés de serem opções para recebê-la e criarem o ataque. Quem está lá para receber a bola, em regra, um isolado e afobado Richarlison, com Marcos Jr., às vezes.

Por isso, para mim, o time do Fluminense é extramamente mal escalado e posicionado por um Levir sem ambição, que busca na defensividade apenas evitar derrotas, ao invés de equilibrar e encaixar melhor o time para se impor como um candidato à Libertadores, ao menos.

Então, é muito difícil eu engolir que o problema seja só o elenco fraco e mal montado. Alguns outros clubes estão indo à Libertadores com elencos emendados e do mesmo nível que o nosso, como Botafogo e Atlético-PR.

O que não tivemos foi mesmo um técnico com tesão de estar treinando o Fluminense e motivação de levá-lo à Libertadores; que meramente cumpre um contrato, caro, por sinal e trata tudo com a normalidade de quem não quer tentar melhorar nada, porque acha que já fez ou faz tudo.

Toques rápidos:

– Tenho a curiosidade de saber se Jorge Macedo se reúne com Levir e questiona coisas simples como quantas horas de treino de finalização têm sido dadas, se pede para aumentar, enfim. Isso acontece ou o treinador, hoje em dia, não pode ser mais questionado internamente?

Gostaria de saber que se já se treinou tudo de bola parada defensiva; se treinou mal, é preciso reposicionar. E na bola parada ofensiva porque, em 99% das vezes, Cícero e Gum ficam impedidos. Gostaria de pedir que se treine mais, mesmo que se tenha que tirar os rachões do programa.

Será que isso acontece ou o Levir vem com aquele papo de “me engana que eu gosto” das entrevistas e o diretor de futebol aceita? Já que Peter aceita até Drubscky, Enderson, aceita Fred mandando, imagino que caia também na esparrela do Levir.

Alguém sabe se isso (cobrança no treinador) existe no Fluminense? Tenho minhas dúvidas. A resposta poderá vir já para o jogo dessa sexta, porque ou Levir muda a escalação para possibilitar uma postura mais agressiva, mais velocidade no meio, ou teremos férias antecipadas.

– O Vitória-BA, nosso adversário de amanhã, chega ao Rio com quatro derrotas seguidas. Depois visitaremos o Cruzeiro e receberemos o Atlético-PR. Joga-se duas seguidas fora – Ponte e Figueirense – e encerra-se com o Internacional em casa.

Ainda há tempo. Muda, Levir! Arrisca! Busque novas alternativas. Por que não Maranhão e Rojas para ganharmos velocidade e Scarpa mais centralizado e solto?

Por que Richarlison ou Marcos Jr. marcando a lateral e Welington esperando para receber a bola do contra-ataque?

Por que não só um volante, segurando um dos laterais, subindo a marcação?

Por que não ousar? Não temos nada a perder e muito a mostrar. Com essa escalação e proposta de jogo, não nos levará a lugar algum, dificilmente chegaremos em sexto. E eu disse sexto. Ousa, Levir!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: buc

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