Laranjeiras, outra vez (por Paulo-Roberto Andel)

Hoje, o Fluminense continua sua jornada no campeonato brasileiro, desta vez contra o São Paulo e num estádio raro para os jogos tricolores: São Januário. Não era assim nos anos 30 e 40, por exemplo, mas agora é normal ver torcedores cruzmaltinos (poucos, ressalte-se) protestando contra o fato do tricolor, num campeonato de futebol PROFISSIONAL, utilizar as dependências do colosso vascaíno desde 1927 mediante PAGAMENTO.

Não é novidade. O destrambelhamento desta questão desde o fechamento do Maracanã – refém dos podres poderes predatórios do dinheiro público – é constante.

Dia desses, o presidente alvinegro Maurício Assumpção deixou seu cargo para se transformar em um torcedor comum, ao recomendar que o Fluminense jogasse no Aterro (ao ver mais um show de Barcos ontem, é possível que tenha engolido a seco a falácia). Pior ainda: confundiu o direito de cessão com o de propriedade. Teria sido melhor que se ativesse aos temas odontológicos, estes sim de sua especialidade.

O que era comum nos anos 40 passou a ser um horror no século XXI: “ceder” o estádio para o adversário, como se os clubes nadassem em dinheiro e não tivessem contra si centenas de ajuizamentos trabalhistas, cíveis etc. Daqui a pouco, algum lunático vai querer que seu time jogue sozinho em seu estádio, preferencialmente contra um adversário imaginário.

Dirigentes tricolores estiveram em Volta Redonda para acertar os jogos que faremos por lá. O Engenhão precisa ser “poupado” pelo seu eterno problema do gramado que já dura cinco anos – ou seja, desde a inauguração.

Sem o Maracanã, o Fluminense retoma seu papel de nômade no futebol brasileiro, mesmo que o Raulino seja palco de grandes vitórias, mesmo que o Engenhão tenha sido palco dos triunfos de 2010 e 2012. E mesmo quando ele voltar, precisamos de alternativas para vários jogos deficitários que o calendário exige.

A posição de hoje só ressalta uma evidência, uma necessidade premente que vem se arrastando por décadas: para não ser mais refém de faniquitos e caprichos, mais desmandos no dinheiro público, o Fluminense precisa de seu estádio, sua própria casa, em total atividade. Laranjeiras aí está. O principal, temos: um dos metros quadrados mais valorizados do mundo. Projeto? Temos. Capacidade de fazer? Temos. O que falta?

Mobilização.

O clube tem tido várias ideias oficiais muito boas, vide o excelente livro dos 110 anos em breve, os vestiários, o maravilhoso museu reinaugurado e moderníssimo.

Mas nem toda boa ideia precisa necessariamente ser oficial do clube. Há outras cabeças pensantes muito boas que não estão dentro da sede.

Temos tudo para ter um estádio moderno, confortável, ideal para jogos não-realizados no Maracanã quando este voltar a ser disponível. Basta querer.

Somos todos tricolores. Este é um bem comum.

Paulo-Roberto Andel

@pauloandel

Panorama Tricolor/ FluNews

Imagem: canelada.com

4 Comments

  1. É urgente ,não podemos mais esperar para termos nosso próprio estádio de volta .CT nunca foi necessário para chegarmos aos títulos .Precisamos é de nossa casa de volta .

    LARANJEIRAS EU QUERO !

  2. Quero voltar a ver os nossos jogos em Laranjeiras. Deixemos para os grandes jogos o Maracanã. Fomos os primeiros não podemos ficar à mercê do capricho e boa vontade dos outros.

    Quanto ao fanfarrão mauricio , foi bom ele ver que o Barcos navega por lá a vontade tanto em campo seco, como em campo encahrcado e enlameado. E o seu Porto Seguro é a rede do Botafogo.

  3. Caro Andel,

    Tive o prazer de ir ver o Flu no jogo contra o Náutico, lá em Recife. Para isso, eu e mais 15 tricolores atravessamos a madrugada, 3 Estados. Mas, tivemos o prazer de participar do TTT.

    Tirando a “incomoda” preesença de Marinho Chagas (quem é Potiguar, sabe o que falo), tudo foi perfeito. Tivemos a presença do grande Marcelo Teixeira onde ele se dispôs a tirar várias dúvidas.

    Tive uma oportunidade de conversar pessoalmente com ele. E perguntei justamente sobre o Projeto do Caíque para as Laranjeiras. E tomei um bruto banho de água fria. De acordo com o mesmo, o projeto não sai. Primero, óbvio, o clube não tem dinheiro. Segundo, e o principal, NÃO É DE INTERESSE DOS CLUBE. Tenho vários “FluCaicoenses” de testemunhas que ele disse isso.

    Pois bem… esses dias andei pensando: porque não fazer acordo, reformar e comprar uma parte do estádio da Portuguesa? Podia-se – porque não? – transformar a Portuguesa em um “Flu B”, investindo lá, o que trasformaria a parceria em uma boa simbiose.

    Será tão inviável assim? Quero morrer e ver o Flu com um Estádio Próprio. E olha que tenho 30 anos…

    ST!

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