Lar, amargo lar (por Paulo Tibúrcio)

INFORMÁTICA PARA PEQUENOS E MÉDIOS AMBIENTES

Certos fatores podem ajudar – ou prejudicar – a performance de um time durante a temporada. Temos o já decantado problema do elenco, agravado com as lesões, algumas muito sérias. Mas também há um ponto que não passa desapercebido da torcida e que vem nos afetando já há algum tempo: que estádio mandar nossos jogos como mandantes.

É um assunto complexo que permeia escolhas, decisões, riscos e oportunidades. Esta última, perdida várias vezes pelo clube, há quase dez anos. Desde os jogos Pan-Americanos de 2007 já sabíamos que o estádio do Maracanã passaria por reformas e ficaria indisponível por muito tempo, a partir da grande possibilidade do Rio de Janeiro sediar, além do Pan, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Tempo não faltou para se buscar uma solução para este problema. E opções idem. O próprio estádio Nilton Santos ficou à disposição para os clubes do Rio e só o time de General Severiano aproveitou e vem aproveitando do complexo, ainda que tenha sofrido com o seu injusto fechamento por um período de tempo.

Também tivemos chances de reformar as Laranjeiras. Durante o período citado acima, os recursos financeiros estavam mais acessíveis e o Estádio Manoel Schwartz, berço do esporte e do futebol no país, poderia ter se beneficiado com uma reforma. Nada foi feito neste sentido. Aliás, as ações tomadas pela direção do clube detentor da Taça Olímpica nesta época foram mínimas, deixando passar oportunidades de ouro.

Em uma hipótese mais ousada, teríamos até uma terceira opção. Aproveitar as alterações estruturais que ocorreriam na cidade e tentar, através de parcerias, a construção de um novo estádio, no formato arena, a ser utilizado pelo Fluminense para seus jogos e como fonte de recursos, através da locação para shows e outras atividades.

Poucas atitudes foram tomadas. De concreto, apenas a celebração de um contrato com a nova concessionária do Maracanã, então privatizado. Na época, pareceu ser um acordo bastante favorável ao Fluminense.

Os grandes eventos aconteceram, o país entrou em crise, a verba acabou e as oportunidades foram perdidas. Como espólio disso tudo, tivemos a volta de um Maracanã capenga, com a administradora envolta em crise e cobrando muito caro por ele. Voltamos a utilizá-lo, mas os prejuízos passaram a se acumular jogo a jogo. O estádio dificilmente lota e, por consequência, não exerce a pressão necessária no adversário. Soma-se a tudo isto a incerteza quanto à utilização futura do estádio. A administradora quer romper o negócio e não temos um governo confiável para rediscutir o contrato de forma que não nos prejudique, em benefício dos “abutres” de sempre.

Parte do problema vai ser resolvido. O estádio Giulite Coutinho em Edson Passos foi liberado para a realização das partidas. Como solução temporária, atende bem aos nossos objetivos para este ano. O estádio comporta o limite mínimo tradicional de comparecimento de torcedores e proporciona uma pressão no adversário, o que nos ajudou bastante no ano passado. Caso haja um jogo de maior apelo, podemos voltar a utilizar o Mário Filho, sem problemas.

Como solução temporária está excelente, mas somos torcedores do Fluminense, não podemos nos contentar com apenas isto. Não podemos ficar à mercê de fatores externos, como foi o caso da interdição do estádio por conta das chuvas, onde ficamos dependendo de reformas e laudos. Além disso, temos que expandir nossa visão de estádio. Ele tem que servir como ferramenta para captação e fidelização de sócios, gerando recursos para o clube.

E como fazer isto na atual realidade? Duas propostas têm sido debatidas pelos torcedores nas últimas semanas, como resultado de movimentações de partes interessadas no tema: a reforma das Laranjeiras ou a construção de um novo estádio.

O estádio Manoel Schwartz pode ser uma boa solução. Com reformas e retrofit, poderia atingir um público de até 20.000 torcedores. Acomodaria, facilmente muitos jogos do Fluminense. Como vantagem, a recuperação de um grande patrimônio do clube que vai completar 100 anos e uma maior aproximação do sócio torcedor com o clube. Não creio que questões como deslocamento ou trânsito possam vir a inviabilizar o projeto. A única desvantagem que vejo é o tamanho do estádio. Com um bom trabalho de marketing e associação, teríamos condições de, com o tempo, trazer mais público nos jogos do Fluminense.

Outra proposta que vem sendo discutida é a construção de um outro estádio. A região mais indicada para este projeto é a Barra da Tijuca, por nela acontecer a expansão da cidade. A grande vantagem é a possibilidade de se construir um estádio moderno, com uma maior capacidade, permitindo um maior retorno financeiro e fidelização do torcedor. Recentemente, o Atlético de Madrid abriu mão de seu tradicional estádio para a construção de outro mais moderno e mais afastado do Centro. Mas temos que levar em consideração a realidade das duas cidades. No meu ponto de vista, ainda falta a mobilidade necessária para a região da Barra da Tijuca. Sem trabalhar esta questão, pode-se correr o risco da existência de um excelente estádio, porém pouco frequentado, pelo menos nos períodos iniciais.

Neste ínterim, surge a possibilidade de construção de um estádio no Parque Olímpico, com capacidade para 20.000 torcedores. No que diz respeito à localização, é excelente. Acho o tamanho acanhado, se levarmos em consideração o espaço. Resta saber quais são as condições para a sua construção.

Pessoalmente, eu prefiro a reforma do estádio em Laranjeiras e buscaria uma renovação de acordo com o Maracanã. Assim ficaríamos com nossa casa para jogos de menor apelo e utilizaria o Maracanã para jogos que venham a atrair mais público. Em relação a um novo estádio, não vejo problemas, desde que a decisão passe pela gestão do Fluminense e não sirva de interesse de terceiros em detrimento do nosso clube. De qualquer forma, a decisão a ser tomada dependerá sempre de um estudo de viabilidade e análise de retorno. Nesta história, não há espaço para amadorismo ou terceirização de gestão.

O clube ainda passa por problemas financeiros; talvez não seja o momento para se tomar uma decisão desta relevância. Sempre se deve analisar o custo de oportunidade, mas de forma racional sem ceder a pressões, seja de que lado vier.

Por ora, Édson Passos e Maracanã são nossos campos de batalha. São os lugares onde nossa torcida deve estar.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @paulotiburciojr

Imagem: bati

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