Jorge Jesus, um bobalhão arrogante (por Paulo-Roberto Andel)

Mal perdeu a Taça Rio, o treinador do Flamengo pareceu uma espécie de porta-voz de seu presidente. Em vez de reconhecer que fracassou em não vencer o jogo que lhe daria o título carioca, tendo sido dominado no primeiro tempo, o arrogante Jorge Jesus declarou que o Fluminense jogou para perder de pouco nesta quarta.

A declaração estapafúrdia deveria lhe custar um exame antidoping, mas a regra não é essa. Vamos aos fatos.

Tirando o último trimestre de 2019, onde também fracassou no objetivo maior de seu clube, J. J. só tem algum brilho como treinador em sua passagem de alguns anos pelo Benfica, e isso em âmbito nacional há quase uma década. Cá entre nós, no futebol português isso não é nada difícil. Se o pombo Doodle, famoso personagem do desenho animado de Dick Vigarista, fosse o treinador benfiquista, é possível que o alvirrubro português lograsse êxito da mesma forma em seu país. Perto de treinadores como Muricy, Vanderlei e Abel, seu currículo chega a ser patético. Inclusive, já sofreu dois rebaixamentos.

Com o bilhão injetado pela Rede Globo, o time da Gávea contratou vários jogadores caros e em evidência, conseguindo assim um grande – mas incompleto – 2019. E, tal como sempre funcionou no modelo flapressiano, Jorge Jota foi alçado à condição de gênio revolucionário, mito e outras coisas – e todo mundo sabe que isso não tem dado certo no Brasil. Só faltou compararem-no a Rinus Michels…

A conquista antecipada do Brasileirão (já alcançada anteriormente por vários treinadores) e a vitória na Libertadores em jogo único, onde seu time foi massacrado por 87 minutos e conquistou uma vitória marcante nos cinco minutos finais transformaram de vez o português opaco num monstro à beira do campo – menos para quem já tinha visto Minelli, Coutinho, Telê, Parreira e grande elenco. E aí o rei da arrogância se sentiu nas nuvens – o resto foi feito pela Flapress, tentando transformar o baile do Liverpool em “jogo de igual para igual”.

Aí, a carruagem virou abóbora. Mesmo tendo conquistado a Taça Guanabara, o time de Jota nunca mais chegou perto da performance do último trimestre de 2019. Depois da pandemia, venceu sem esforço nem brilho adversários modestos, ainda contando com as estrelas de seu cast. E, claro, a péssima performance do Fluminense deixou muitas dúvidas, mas quem conhece futebol sabe que não se menospreza uma disputa de clássico, mesmo que ela seja realizada sem público. E deu no que deu: o ambiente tragicômico que cercou o Fla x Flu de ontem decretou o destino.

O Fluminense venceu merecidamente a Taça Rio e, mesmo com seus inúmeros problemas já conhecidos e decantados, disputa o título carioca em condições de igualdade. Ganhou moral com a vitória sobre o ex-Mais Querido da Globo. E tem uma longa história no maior clássico do futebol brasileiro, que a empáfia oca de Jorge Jesus não lhe permite conhecer – arrogância e ignorância são irmãs siamesas.

O português boquirroto pode até ser campeão, porque tem um time com bons jogadores, mas está definitivamente longe do pódio que a Flapress lhe concedeu. O velho Fluminense de guerra já nocauteou treinadores muito melhores do que o atual flamenguista: basta falar de Vanderlei Luxemburgo, Cláudio Coutinho e Muricy Ramalho, mais uma lista imensa. São cento e oito anos de nocautes em finais. Definitivamente, numa decisão Fla x Flu, estar do lado rubro-negro não é fácil – os dados e a história contam.

O time da Gávea continua favorito para o título. Os tricolores não se deixam enganar por falácias. Mas o rival também era pré-campeão em 1969, 1973, 1980, 1983, 1984, 1985 e até na primeira fase da Copa Sul-americana de 2009. Os fatos falam por si.

Jorge Jesus é apenas um bobalhão arrogante, uma espécie de Ofélia – a grande personagem de humor interpretada na TV pelas atrizes Sônia Mamede e Cláudia Rodrigues. Ficaria melhor como tuiteiro de futebol, mas até nisso o Fluminense tem gente melhor – e olhe que lá tem uma barangada…

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

#credibilidade

2 Comments

  1. Alguém com altivez e lucidez, que não baba ovo, assim defino sua opinião em relação ao senso comum. O Fluminense tende a não ser o campeão carioca pela lógica, mas uma coisa já conquistou, além da Taça Rio, a humildade. Não estou falando de submissão, de baixar a cabeça, de não ter opinião própria, estou falando de algo que tem se visto pouco hoje dia, de qualidade humana. A humildade não se ensina, não se finge, não se esforça, não se obriga. Ou a pessoa é, ou não é. Disse tudo que eu…

  2. no ultimo trimestre, o super time já mostrava sua decadencia, empatando em 4×4 com um vasco desfigurado, levando gol de ribamar… a virada contra o river plate foi o ponto fora da curva. seguem nao jogando nada e falando demais. e rafinha e diego colaborando com o moral do flu, ao tentarem tripudiar do seu time em campo…

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