Insônia e continuidade (por Zeh Augusto Catalano)

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Apesar dos estresses da vida, costumo dormir bem, graças ao bom Deus. Aprendi com um grande amigo, num dos momentos de mais stress da minha vida, um conceito que realmente fez toda a diferença na minha vida:

“Zeh, deixe os problemas fora do quarto. Eles não podem ser resolvidos no meio da noite. Ai, amanhã, o sol vai nascer e você verá que os problemas estão todos ali, exatamente onde estavam antes. Ai você volta a cuidar deles”. Pura verdade.

Levei tempo pra conseguir por este raciocínio em prática. Mas consegui.

Nas noites em que a insônia insiste em triunfar, tenho duas outras táticas infalíveis: dar, mentalmente, uma volta no circuito de Mônaco, ou subir o Alto da Boa Vista, estrada em plena Floresta da Tijuca. Jamais consegui terminar qualquer das duas.

Na televisão, golfe é imbatível. Tênis, desde que não seja um grande jogo, também pode ajudar.

Ai, você dorme igual a uma pedra, acorda e, como disse meu amigo, não há surpresas. Os problemas estão todos lá.

Peço perdão para citar o império do mal. O capitão Wallace, vaiado de forma contumaz pela “nação”,  fez um dos gols da vitória contra o Macaé. Não comemorou. Via-se em seu semblante a satisfação da vingança. Amanheceu prestigiado. E a torcida acordou no dia seguinte e lá estava o problema triunfante, mantido para o próximo jogo.

Acreditava que Eduardo Baptista seria defenestrado após a desastrosa partida de domingo. Não foi. E, como no rival, está prestigiado após a goleada de quarta sobre o poderosíssimo Bonsucesso.

De novo, a torcida acordou e sabe que o problema segue lá. Claro, não se resume ao técnico.

O Fluminense segue sendo um time previsível, jogando sempre com Fred como referência. Não há alteração de jogo. Os técnicos vêm e vão, e mudanças de algumas peças ocorrem, mas, no fundo, segue tudo igual. Os adversários com algum estofo marcam Fred e embolam o caminho das laterais. E a coisa complica. Como Fred não sai de campo, não há variação na estrutura do time. Então as partidas se tornam muito mais sofridas, pois é preciso se impor ao adversário atacando exatamente da forma que ele espera que o Fluminense ataque. No Carioca, como tecnicamente os grandes sobram, as vitórias normalmente vêm. No entanto, basta pegar um mais arrumadinho e com algum talento, como o bom Voltaço, que a coisa desanda de vez. Afinal são anos e anos com o time jogando exatamente igual.

Urge mudar. Os adversários dormem e acordam sabendo o que o Flu vai fazer. Qual a solução para este problema? Será que Baptista sabe?

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem:zac/pra

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