Hora de superar a raiz (por Márcio Machado)

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O amigo da coluna certamente já viu a campanha da dona dos direitos do Estadual do Rio – e de vários outros campeonatos – na TV. Ela versa sobre as competições locais serem a raiz do nosso futebol.

Inegável, só que a raiz é a base da árvore; esta cresce e a raiz fica escondida lá no fundo. Tá na hora de superar essa fase dos campeonatos estaduais.

Quem observa essa campanha, que tem versões pros 12 maiores clubes brasileiros, verá que exemplos puxados recentemente emocionam menos do que lances antigos. Acontece para qualquer torcida, pois hoje inegavelmente a competição que menos mobiliza o publico é o estadual. De certa maneira passou a valer uma lógica estado<país<continente<mundo que parece simples, mas que tinha motivos bem razoáveis para não funcionar aqui.

Para o Brasil que éramos no inicio do século XX, com uma estrutura de transporte que basicamente isolava os estados em si, as competições tinham de ser estaduais mesmo. Não foi à toa que, quando começa a industrialização no país, surge rapidamente a primeira competição nacional em 1959. Antes disso, Rio e São Paulo conseguiam se encarar regularmente por terrem ferrovia e rodovia à disposição entre si muito antes do resto do Brasil.

Quando surge a rede de telecomunicações via satélite, a competição se desenvolve e ganha organização maior da CBD/CBF em 1971 (tem quem queira começar a história neste anos por não ter sido competitivo antes, o que é um casuísmo absurdo), mas o fato é que a partir dessa época essa ‘jabuticaba’ passou a andar pro seu fim .

Quanto mais o mundo se integra, mais o cenário local acaba deslocado para um campo secundário.

No mundo atual do futebol, onde todos podem ver os principais campeonatos e muitas outras modalidades, não vamos manter a atenção das futuras gerações – que se ligam cada vez mais ao futebol europeu, aos esportes americanos e aos e-games – com três meses de Estadual, em especial o do Rio, com sua qualidade técnica deprimente.

A Globo tenta apelar a tradição para manter a atenção num produto decadente, pelo qual ela paga caro, mas está cada vez mais difícil. Algo tem de ser feito.

Hoje não há mais jeito, o campeonato nacional tem de ter ainda mais tempo pra sua realização e o Estadual reduzido a, no máximo, 45 dias – tempo suficiente para um torneio rápido entre os times que jogam divisões nacionais e no máximo quatro pequenos, podendo ser feito em estilo de Copa com grupos no inicio. Seria uma pré-temporada mais adequada, com maior exigência de atenção aos jogos pelos grandes (evitando jogos inúteis contra times ridículos   como o de domingo passado), mais emoção e consequentemente maior prestigio do público, que não aguenta mais a competição na forma em que está e demonstra isso rodada após rodada com sua ausência das arquibancadas.

Retomando a ideia da Globo, a “raiz do nosso futebol”, os clubes locais sem divisão nacional teriam um ano inteiro para se manter em atividade jogando entre si, inclusive com transmissão via TV por assinatura, buscando classificação para a fase final dos estaduais e taças como as Guanabara  e Rio, sem maior sentido para os clubes grandes.

Carregar quem tem de competir no exterior com três meses de jogos fracos não dá mais. Não deu certo em 2002, quando criaram torneios regionais sem muito sentido fora do caso nordestino (que vai ter de ser mantido de forma reduzida), mas não há como dar errado com o Brasileiro maior.

Está na hora dessa raiz florescer e virar uma arvore frondosa como pode ser.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#JuntosPeloFlu

Imagem: m2

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