Basta jogarem como homens (por Paulo Rocha)

A eliminação da Copa Sul-Americana deixou um gosto amargo na garganta. Aturar os xexelentos é uma das coisas mais odiosas da vida- assim como é uma das melhores sacaneá-los. Contudo, no futebol não há tempo para letargia. O Fluminense precisa se reerguer já neste sábado. A missão do time nesta temporada, a tensa e espinhosa missão na qual ele próprio se meteu, ainda está por terminar.

Acho até bom que o adversário seja o Botafogo, um rival que está muito à nossa frente no que diz respeito a desempenho. Corremos o risco de levar uma cacetada? Sim, corremos. Para vencê-los, teremos que jogar como homens. Não há lugar para frescurinhas, para disse me disse. Nada de procurar e apontar culpados. Simplesmente cair para dentro dos caras tal qual guerreiros, como gostamos de nos intitular.

Abel errou no Fla-Flu? Errou, mas, porra, quem não erra? Aliás, com o elenco de juniores do qual dispõe, não só Abel, como qualquer outro treinador estaria correndo o risco de se equivocar – afinal, o nível das opções é sofrível.
O que eu quero dizer é o seguinte: para ganhar do Botafogo vamos ter que correr mais do que eles, lutar mais do que eles, em nenhum momento pensar que não dá. Porque dá. Basta jogar como homens. Com inteligência, aplicação e destemor.

Nosso rival da vez tem um time tão limitado tecnicamente quanto o nosso. Mas joga com raça e sob a orientação de um promissor comandante. Eles honram a camisa que vestem. É o que peço aos jogadores do Fluminense: honrem a camisa.

Deram mole no Fla-Flu? Deram, mas já passou. O negócio é não dar mole agora, mostrar que time grande não pode ficar vivendo em meio a lamentações. Entrar com a mesma disposição no Clássico Vovô. Para nós, é uma decisão. Dar mole, a partir de agora, está proibido.
É nesses momentos que conseguimos descobrir quem é forte e quem é fraco.

Quanto à torcida, não é possível que não enxergue que não é momento de ficar fazendo guerra de merda. Chega dessa babaquice. Vamos nos unir, vamos apoiar a nossa paixão.

É o que tenho a dizer.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: paroc

6 Comments

  1. Vc tem razão em vários pontos Paulo, mas não dá pra continuar usando a desculpa de time jovem, até pq a final do campeonato carioca deveria ter servido como experiência….e quando eles partem pra cima com vontade e disposição, quem segura…..o time do coisa ruim não viu a cor da bola no 1º tempo…..era o mesmo time do segundo quando o Abel mandou fechar a casinha pra sair em contra ataque, mas acho mesmo é que ele não treina essas saídas direito.
    Dá até pra fazer 21 pontos. Coragem.
    ST

    1. Precisamos de pelo menos dois caras cascudos para o meio-campo. Armadores. Sornoza e Scarpa são duas crianças. Talentosos, porém inconstantes. Bom, eu acho que faremos, no máximo, mais 12 pontos – o que, graças a Deus, é suficiente para evitar o caos.

  2. Boa tarde, Paulo. Escrevo, aqui, pela 1a. vez. Sou carioca, tricolor desde meus 10 anos qdo perdemos aquele Fla x Flu de 173 mil. Moro hoje em Curitiba. Posso te dizer que sou do tempo que nossos rivais tremiam conosco. Quanto orgulho é torcer prá este Clube.O que nos colocou prá baixo e foi tirando nossa dignidade foi essa história criada de “pague a série B”. Amigo, isso ninguém, na realidade, faz idéia da dimensão. Pense: desde pequeno, na escola, o garoto vai ter de aguentar essa…

    1. Continuando aqui, Paulo. Essa coisa, com o tempo, contamina até àqueles que jogam no Flu. É uma coisa visceral.E os adversários comem grana contra nós. O Eurico não admitia sequer empatar conosco. Concordo plenamente contigo. É preciso reverter isso. Só se comportando como HOMENS. Não depende do Abel. Temos o privilégio de tê-lo conosco. Quem tem este privilégio? deixemos essa passionalidade para a juventude. Natural. Ela é assim mesmo. O nosso processo de cura é longo. Mas se estabelecerá. Sds.

      1. Prezado Jurandyr, foi um grande prazer receber o teu feedback. Partilho da tua esperança em dias melhores para o nosso Fluminense. E aproveito para sugerir a você a leitura do livro “Pagar o quê? – Respostas à maior bravata da história do futebol brasileiro”, de Paulo Roberto-Andel, Cezar Santa Anna, João Marcelo Garcez, Luiz Alberto Couceiro, Marcelo Janot e Valterson Botelho.(Editora Verve). É bastante esclarecedor.
        Forte abraço e Saudações Tricolores

Comentário