História: Fluminense 2 x 1 Cerro Porteño (por Rods)

Gum Guerreiro

Há exatos 6 anos, ou seja, no dia 18 de novembro de 2009, o Fluminense jogava uma das partidas mais memoráveis de sua história. Um jogo inesquecível, do tempo que Gum ainda era herói.

O ano quase inteiro foi de uma grande ressaca da derrota na final da Libertadores. Lembro bem do momento que soube da contratação do Cuca, pois ali joguei minha toalha. Mal sabia que o treinador, até hoje pedido nas arquibancadas, chegava com carta branca para mexer naquele time, até então, de derrotados.

Logo o ano se tornou aquele no qual o impossível e a matemática foram vencidos. Enquanto a arrancada pela permanência na Série A ganhava força jogo a jogo, o Fluminense também seguia firme na Copa Sul-americana, fase a fase. Lembro bem do “Garoto do Caramanchão” tentando vender sua grande ideia de que para se sair bem em uma competição, o Flu teria que desistir da outra. Por bem, fizemos ouvidos moucos.

O confronto contra os paraguaios aconteceu pelas semifinais da competição continental. Após uma vitória por um a zero em Assunção, com gol de Fred, a classificação parecia bem encaminhada para o jogo da volta no Maracanã. Arquibancada tricolor em festa, confiando na garra e na raça daquele time que agora era de guerreiros.

Como na maior parte dos jogos sob seu comando, Cuca apostou em um 3-5-2 com: Rafael; Gum, Digão e Dalton; Mariano, Diogo, Diguinho, Conca e Marquinho; Maicon e Fred.

Logo aos 6 minutos do primeiro tempo, em uma bobeira da zaga, a bola ficou perdida dentro da nossa área e sobrou para Cáceres abrir o placar. Ali, a vantagem tricolor ia por terra e deixava a classificação novamente em aberto. A torcida respirou fundo.

Diferente dos jogos anteriores, o Fluminense não conseguiu usar a vontade para superar suas limitações. Conca quase marcou um gol olímpico, Mariano quase venceu o goleiro Barreto com uma bomba de canhota, mas nada de alterar o placar. No intervalo, apenas o gosto amargo da saída do Maicon por lesão muscular. Seria ali cobrado o preço do esforço do Fluminense? Era esse o medo.

O resultado levava a decisão para os pênaltis. Mas sem querer dar chance ao azar da “loteria” e mesmo dando espaço a contra-ataques, o Fluminense foi para cima. Porém, a bola teimava em não entrar. Para piorar, com a paciência diminuindo, o número de chuveirinhos na área aumentava.

Foi quando um dos “vilões” do elenco atual mudou o jogo. Gum sofreu um corte no supercílio após sofrer uma entrada maldosa em dividida de bola. Flu com menos um em campo e o zagueiro fora dele com o sangue que insistia em escorrer. Apenas com a cabeça quase toda enfaixada (ainda sem estancar o sangue), pôde voltar. Aquele momento ficou marcado e pareceu dar uma nova força ao time e à torcida. A partir de então, o Fluminense deixou o Cerro Porteño completamente acuado em seu campo.

O empate não saía e o jogo entrou nos descontos. Eis que já aos 47’, lá está Gum brigando no ataque.  Uma bola alçada dentro da área por Conca chegou aos pés do zagueiro, que, em um chute meio desequilibrado, coloca a bola rasteira dentro do gol. A recompensa, o empate, a classificação.

Nascia o grito.

“Gum! Guerreiro! Gum! Guerreiro!”

Os paraguaios se lançaram loucamente ao ataque. Nem seu goleiro ficou pra tomar conta. Assim, após uma bola roubada, Alan correu livre para fazer o gol da virada. Fim de jogo.

Frustrados, os jogadores do Cerro ainda iniciaram uma confusão, tentando manchar a vitória tricolor. Teve briga com direito a uma voadora épica de Fernando Henrique e o paraguaios foram rechaçados pelo policiamento sendo, literalmente, expulsos de campo.

O que veio depois, infelizmente, sabemos bem. Mas ainda assim, não foi suficiente para apagar aquela semifinal e nem a alcunha conquistada por aqueles jogadores. Nosso momento continental ainda chegará.

Nos acréscimos

De lá, pra cá, apenas Fred e Gum seguem no elenco. É irônico ver o primeiro se elevando a ídolo histórico e se desculpando de como agia naquela época, enquanto o segundo foi de símbolo guerreiro a execrado do time. Mas assim é o futebol. Entre heroicos e injustiçados, a memória é sempre seletiva.

ST!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @Rods_C

Imagem: Rods – EM / Reuters / Sportv

CONVITE LANÇAMENTO LIVROS BRASILIA azul

5 Comments

  1. Gum nunca foi o Baresi.

    Gum nunca se omitiu em campo.

    Acho que mudar de ares pode ser bom para ele.

    Acho injusto colocar em suas costas, todos os erros de marcação do Flu (alguns são mesmo).

    Merece respeito da torcida e não há no elenco alguém melhor que ele.

    ST

    1. Fala, Carlos!

      Concordo contigo, mas acho que, infelizmente, passou o tempo dele no Fluminense. Já está marcado demais com a torcida e todo erro, ainda que pequeno, é visto como um desastre. É melhor mesmo que saia, que vá respirar outros ares e que seja lembrado como bicampeão brasileiro.

      abraço e ST!

  2. Pera aí, não foi nesse jogo que nasceu também o: “Gum, guerreiro, dá porrada no Escudero!”?

    1. Fala, Leonardo!

      O “Gum Guerreiro dá porrada no Escudero” foi na Libertadores de 2011 contra o Argentino Jrs.

      Abração e ST!

Comentário