Herói ou vilão? (por Rods)

rods green b

Ontem “comemorou-se” sete anos de Fred no Fluminense. Idolatrado por alguns e alvejado por outros, o fato é que naquele jogo contra o Macaé, onde fez dois gols, ele começou a deixar sua marca na história do time. Hoje é o nosso terceiro maior artilheiro e é bem provável que ganhe mais uma posição ainda em 2016. Foi protagonista e antagonista de diversos momentos. Algumas vezes é vidraça, outras é escudo, mas também teve seus momentos de se esconder.

Me fugiu o motivo da conversa, mas lá pelo meio do ano passado, eu disse a um amigo que não sabia ao certo o que pensar do Fred, que não poderia bater o martelo com uma opinião sobre ele e seu significado para o Fluminense. Muito se fala, muito se percebe, mas pouco se sabe pra valer. Acredito eu que apenas daqui a um bom tempo, quando alguém resolver abrir a caixa preta tricolor e falar dos bastidores dos últimos anos, poderei (ou poderemos) concluir quem foi o verdadeiro homem que hoje veste a nossa camisa nove.

Como coloquei na introdução, ele chegou com status de herói. A grande contratação após o trauma da Libertadores que chegou metendo gol. Vibra a torcida. Porém, pouco tempo depois se contundiu e foi flagrado surfando, enquanto aquele time “pré-guerreiros” segura a lanterna.

Aquele ano foi um anúncio de como seria a relação dele com o time e com a torcida. Por sorte, terminou como herói, junto dos outros comandados pelo Cuca, ao vencer o impossível e impedir o rebaixamento. Porém, poderia também terminar como vilão, dias antes, ali em sua infantil expulsão contra a LDU na final da Sul-americana. Precisávamos dele, tínhamos que “nos vingar”, queríamos o título.

Em 2010, foi praticamente um coadjuvante. Por conta das lesões, nos fez trazer de volta o Washington Coração Valente e sua participação no título foi muito e só saiu na foto por conta do abraço de seu “muy amigo” Emerson Sheik.

No ano seguinte, voltávamos à Libertadores, mas o problema com ratos deu fim à nossa participação. Fred ganhou importância e foi peça crucial na chegada do Abelão. Durante aquele Brasileirão, nosso técnico abriu o caminho para o tetra ao perceber que deveria criar um esquema que servisse para não tomar gols e colocar uma bola que fosse no pé do atacante, de cara para o gol.

Enfim o grande ano. Em 2012 ele virou sinônimo de Fluminense. Como coloquei acima, todo o futebol tricolor foi montado para que ele fizesse gols. Fred correspondeu. Artilheiro, a cara do time, ídolo da torcida e amigo do patrocinador.

Chegamos ao fatídico 2013. Fred ainda em grande fase, fez gols de tudo que é jeito na Copa da Confederações. O Fred vai te pegar virou grito nacional. Orgulho tricolor. Porém, durante aquela situação deplorável para nós no fim do ano, se absteve de ajudar o Fluminense. Dessa vez, a torcida perdoou, afinal era por causa da Copa.

Como você deve lembrar, o ano não foi lá dos melhores para o nosso futebol. Fred virou cone e símbolo do futebol sofrível da Seleção. Porém, sua moral com os tricolores estava em alta e o que se via nas redes sociais era praticamente uma defesa institucional por conta dos tricolores. Entretanto, a “Flulemanha”, ainda que temporária, montada por Cristóvao Borges, sem o Fred, começou a mostrar outras nuances. A partir de então, o Fred herói passou a perder a batalha para o Fred vilão.

A dança das cadeiras seguiu por 2015 e, a cada técnico que passava, a cada jogador envolvido em polêmica, ficava evidente que Fred parecia manter “à força” seu status de peça principal, porém sem nem se aproximar aos resultados lá de 2012. Vilão, se dúvida. Até que chegamos às semifinais da Copa do Brasil e o herói se fez valer no sacrifício, reconquistando vários tricolores. O resultado não veio, mas o efeito do seu ato durou até o fim do ano até que…

Chegamos a 2016, chegamos à segunda Florida Cup. Valia alguma coisa? Não. Mas pergunte aos atleticanos se eles não curtiram o título. Fred se recusou a jogar, alegando nova lesão, mas todos sabem (ou ao menos desconfiam) que ele não quis jogar por causa do Ronaldinho Gaúcho. Eu até concordei com o argumento de ele não era do time e não devia estar na pré-temporada. Porém, ele não podia deixar a torcida e seus companheiros na mão. Logo a desconfiança voltou.

Começou o carioca, problemas à parte, Fred fez um gol atrás do outro. Mas quando o problema ficou grande, novamente se absteve e, em alguns momentos, o time até pareceu melhor sem ele de novo. Falou em proposta da China, pediu (exigiu) novo aumento, não ganhou, nova lesão. Deve virar um dos garotos-propaganda da Dryworld, que resolveu ajudar no tal aumento, tá quase bom da lesão…

Em suma, Fred é um tremendo goleador e segue sendo muito importante na história do Fluminense. Mas ele poderia ter feito mais, poderia ter sido mais. Pode ser muito mais. Ouso dizer que, nesses sete anos, ele poderia ter feito o dobro do que fez pelo Fluminense. Não apenas pela quantia que recebe, mas pelo seu potencial.

Tempos atrás, ouvi um pessoal de uma rádio dizendo que o Fred tinha se tornado o maior ídolo da história do Fluminense. Se ele se preocupasse mais com o que faz dentro de campo, com certeza seria (ou, quem sabe, será), mas não o vejo maior que Assis, maior que Castilho e tantos outros.

Recuperando o que disse ao meu amigo, muito se fala, muito se percebe, mas pouco se sabe. Um dia entenderemos se ele foi mais herói ou mais vilão. Até lá, é claro que torço por ele, mas torço também que ele olhe mais para dentro do campo e menos para os bastidores.

De qualquer forma, parabéns pelos sete anos de Fluminense!

ST!

Panorama Tricolor

@Panoramatri @Rods_C

Imagem: Rods / PRA

7 Comments

  1. ST****

    Palavras ponderadas expresando uma visão sensata.
    Um sumário desapaixonado do Frednense.
    Excelente texto.

  2. Quando ele pendurar as chuteiras, deixemos passar um tempo pra avaliar se é mesmo ìdolo ou apenas mais um jogador importante como tantos outros.

    ST

  3. Como você muito bem disse, Fred “Foi protagonista e antagonista de diversos momentos” e sua relevância na história do nosso Fluminense é significativa.

    Numa época em que atletas pouco permanecem nos clubes, Fred é, para muitos de gerações recentes, de fato um ídolo. Como Rogério Ceni no São Paulo, por exemplo.

    Acho ‘Ídolo’ uma palavra pesada para se dizer, considero ‘estima’ mais adequada para descrever um atleta que tenha importância destacada num clube.

    (Continua…)

    1. (…Continuação)

      Não vi atuar, entretanto o atleta que, para mim, é o maior tricolor de todos os tempos chama-se PREGUINHO.

      Me desculpem a ‘caixa alta’, mas Preguinho foi um multi-atleta, vencedor nos 8 esportes que praticou(inclusive remo) e era tricolor ‘desde sempre’.

      Fred já esta marcado na história do Fluminense pelo que fez, mas estará mais consistentemente se conseguir ganhar a Libertadores até o final de seu contrato, especialmente para as gerações recentes de tricolores…

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