Henrique Dourado (por Crys Bruno)

Oi, pessoal.

Quando Henrique Dourado estreou em maio do ano passado, marcou dois gols e vencemos o Santos, após virmos de três derrotas seguidas. Ele vinha de Portugal, onde a temporada se aproximava do fim e sua queda brutal de rendimento físico era de se esperar.

No entanto, não foi apenas o desgaste físico, fundamental para jogadores como ele, sem um recurso técnico bom, embora saiba executar fundamentos da sua posição. Como falei, ano passado, quando HD foi massacrado por grande parte da torcida, que ele não era tão ruim assim.

A questão que corroborou com a queda no rendimento técnico foi, principalmente, o posicionamento do time que Levir passou a exigir, sem marcação alta por ter um meio-campo lento que trava o time e dá tempo do adversário se recompor, com somente Wellington Silva (que também voltava da Europa) como único atacante de velocidade em boa e surpreendente fase técnica, já que Osvaldo foi rejeitado pelos torcedores, e não deu para Dourado dourar ou durar.

Um centroavante pivô, sem a habilidade e técnica de um Careca, Evair, Claudio Adão e até Fred, que conseguia jogar na intermediária de costas para o gol, sofre e é engolido pelos zagueiros adversários quando o Fluminense marcava atrás da linha da bola, o que vimos normalmente nos últimos anos, com retranca e bola longa para o Fred dominar e esperar o time avançar, para cruzar para ele dentro da área, como música de uma nota só. Era um terror. A sorte era Fred ser um centroavante técnico.

Mas, voltando ao Dourado, em 2017, com um time leve e ágil, com jogadas de linha de fundo ou meio campo que fazem o 9 receber a bola de frente para o gol, é o que faz o finalizador render. Em qualquer time. Se formos lembrar os melhores momentos do Fred no Flu, pode ver na escalação um segundo atacante veloz, seja Wellington Nem, seja Maicon Bolt.

Henrique Dourado é o artilheiro do campeonato brasileiro atualmente. Seu estilo sereno e perfil coletivo, diferente do Fred, acalma a garotada que joga sem a preocupação de, em todo lance, meter a bola para o centroavante. Junte a isso a comemoração de gol mais legal do mundo e pronto: a garotada já se amarrou. Meu sobrinho Matheus, de 5 anos, quando faz gol no futsal da escola, já ceifa (risos).

Sim, é verdade: Dourado perdeu um gol incrível de cabeça contra o São Paulo. Faz parte do jogo. Infelizmente ele escolheu pôr no contrapé do goleiro ao invés de tentar o canto esquerdo mesmo. Não é um camisa 9 que gosto. Sei que Abel gosta, exatamente, pelas bolas aéreas e presença na área.

Fato é que Henrique Dourado dourou. E se mantivermos esse perfil de time, ágil, ofensivo com um meio-campo técnico como temos com Orejuela, Wendel e Sornoza (VOLTA!), no momento do “vamos ver”, lá para agosto e setembro e sem mais janela de venda, poderemos firmar o time que jovem, oscila, fazendo Abel oscilar também, arrancando e nos consolidando entre os quatro, cinco times, no máximo, que disputarão os títulos tanto do Brasileiro quanto da Sul-Americana.

Que assim seja!

Toques rápidos:

– Léo voltou de titular por causa daquela cobrança de lateral esdrúxula, que sequer conseguimos pegar a segunda bola quando o adversário corta e ainda corremos o risco do contra-ataque por conta disso? VOLTA, MASCARENHAS!

– Quem diz que Ronaldo foi o fenômeno, não viu Marquinho jogar… Diria Hamlet: “Há algo de pobre no reino da Dinamarca”.

– Descobriram que Gustavo Scarpa não tem bola para ser meia-armador como Sornoza? Ele tem bola, sim, para ser um segundo atacante. Mas está quebrando um galho fazendo ou tentando fazer a função do meu príncipe de Manabí.

– Por fim, uma questão: era necessário criar esse furdunço todo por conta do Estádio, expondo um racha interno?

Por que não resolveram internamente? Expor o projeto foi uma forma de pressionar o presidente eleito a dar o aval?

Achei, a princípio, ótimo um Estádio naquele local, mas esse assunto não deveria ser decidido junto com todos os conselheiros do clube, até com votação?

Uma, duas, três pessoas vão decidir sozinhas algo tão sério? Espero que não.

Seja para ser ou para não ser, o fundamental é escolher o melhor. Entendo a pressa do Pedro Antônio: negócio tem timing. Não o vejo precipitado. Entendo a cautela do presidente Abad: é um negócio (o Estádio) de uma bala só e o tiro tem que ser certeiro.

Que desses dois perfis distintos venha a harmonia necessária para não se perder o timing e acertar na lata!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: bic

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

 caracteres