Há calma (por Paulo-Roberto Andel)

Não é hora de lamuriar à toa. Não vencemos o Grêmio como tanto queríamos hoje à noite; contudo, mais uma rodada se passou e o Fluminense continua mais líder do que nunca – e o que não nos faltou nestes dias foram desafios dentro e fora de campo. Além das quatro linhas, na verdade, foram apenas desaforos e impropérios de quem se espera informação e isenção. Dentro, um jogo disputado e o empate em dois gols.

Com os estúdios e redações tomados por um sentimento de completo pavor diante da nossa campanha, os velhos ataques mofados de sempre foram sacados das carteiras desde a semana passada: – O Fluminense tem o favorecimento das arbitragens. – O Fluminense tem liderado este campeonato de forma indigna. – O Fluminense não tem um bom futebol. – O Fluminense joga com o trio de arbitragem em campo. Em raras vezes no esporte brasileiro, os homens da imprensa mostraram-se tão rudes, estúpidos e rancorosos diante da simples verdade da tabuada – é ela quem comprova a nossa completa superioridade neste momento do certame. Fosse apenas um chororô de torcidas adversárias, seria até compreensível, mesmo que os mais sensatos tendessem a reconhecer o tricolor como líder de fato e direito deste campeonato brasileiro. Vindo dos que se dizem jornalistas, beira à tragicomédia pastelão sem final feliz e sem risos, exceto os da nossa torcida.

Fizemos a nossa parte nas arquibancadas, tal como tinha acontecido em São Januário. Trinta e cinco mil pessoas às sete e meia da noite, corações pulsando e o início de jogo como de outras vezes: o adversário, absolutamente carente da vitória, tentando nos agredir, nós equilibrando o jogo aos poucos e esperando o momento do bote certo. Foi assim o primeiro tempo, onde passamos momentos de perigo como a inesperada bola na trave de Cavalieri, depois do cruzamento de Anderson Pico e o quique da bola. Depois, nosso goleiro fez algumas intervenções firmes enquanto quase não ameaçamos Grohe, exceto nos minutos finais, ora com Fred, ora com Sobis. Chutamos pouco, menos do que de costume, talvez até porque a campanha não exige do nosso time uma sonora agressividade. Ora, o Grêmio era um adversário direto, o empate – ainda que não desejável – não era o pior dos resultados, até porque mais tarde o Santos poderia aprontar contra o poderoso Atlético Mineiro de Milton Neves e suas quatro décadas sem o cobiçado troféu. Um jogo brigado, suado, sem grande correria – sentimos a falta das arrancadas de Wellington Nem. Abel começou o jogo com Sobis e Wagner. Neves, recém-chegado da brancaleônica seleção brasileira, ficou de opção para mais tarde. Deco voltou e sentiu algum ritmo, mas foi extremamente combativo. Edinho merece todas as loas: muitas vezes, critiquei a aridez de seu futebol; entretanto, ele tem compensado com uma garra infinita, tal como nosso querido Marcão, a quem encontrei nas cadeiras e mostrou-se afável e simpático como sempre, um símbolo da fidalguia tricolor. Futebol é momento e hoje, exatamente, hoje, Edinho é imprescindível no meio pela garra que demonstra, a combatividade incansável, a vontade de vencer. Um time não se faz campeão apenas com as artes plásticas dos craques. O carregador de piano é também um combustível da vitória. Todavia, a raça não foi apenas de Edinho, ele aqui é um símbolo. O time todo foi brigador.

Começado o segundo tempo, já com Neves em lugar de Wagner, o Grêmio assustou e perdeu um gol inacreditável com Werley, debaixo das traves, colocando a bola por cima. Logo depois, aos nove, os gaúchos chegaram ao seu primeiro gol na cobrança de falta de Elano, rolando a bola por debaixo da barreira que saltou até que ela ganhou o canto direito de Cavalieri. Talvez fosse um duro golpe, mas nem houve tempo para sentirmos dor: o empate veio imediatamente: treze minutos, Digão foi a surpresa no escanteio da esquerda e se fez de goleador, acertando o ângulo esquerdo depois do passe de cabeça de Neves. O gol reacendeu os caminhos do líder, que mostrou-se mais agressivo e ávido pela grande virada, que acabou acontecendo no belíssimo chute de Sobis, bola fora da área, bola sem defesa para Grohe.um balaço no alto, meio do gol. Dezessete minutos e, de acossado, o Fluminense passou a senhor do jogo, ainda que houvesse muito a ser trilhado. A seguir, a incrível derrocada de Marcelo Moreno, que entrou no time gremista e, com um minuto de jogo, conseguiu ser merecidamente expulso após agredir Sóbis de forma covarde, calhorda. Desta vez, entretanto, não soubemos explorar o fato de termos um homem a mais em campo.

Depois, Deco brilhou em belo passe para Fred, que desperdiçou um lance capital que selaria a vitória, chutando com força por cima do gol, tendo Grohe já vendido no lance. Marcos Junio, em campo no lugar de Sobis, também teve um bom lance pela direita em contra-ataque mas acabou desarmado. Tivemos nossos momentos e não soubemos aproveitar. Valente, o Grêmio encontrou forças para empatar no fim: depois da cobrança de falta de Léo Gago, Cavalieri espalmou, a bola sobrou na área, titubeamos na defesa e o veterano Zé Roberto empatou a cinco minutos do fim.

Empatar em casa não foi o melhor dos mundos, mas o fato é que mais um rodada se foi e continuamos com onze pontos à frente do Grêmio. Escrevo estas linhas no intervalo na Vila Belmiro, com o empate em dois a dois do Santos contra o Atlético Mineiro. Mantida essa frente, Milton há de chorar como nunca, Mauro será cada vez mais ranzinza e rancoroso, o Fluminense terá uma grande vantagem. Mesmo que os mineiros vençam, a vantagem continuará grande para a grande batalha do próximo domingo no Independência – e todos esperamos que prevaleça a paz, ao contrário dos debilóides que tentaram fazer um cenário de guerra diante da rocambolesca acusação de que somos favorecidos. Ora, nossa grande arma tem sido a competência: ninguém vence vinte jogos do campeonato brasileiro à toa, nem apenas por sorte – exceto nas opiniões bestificadas. Felizmente, contra o neofascismo que atacou o Fluminense sem piedade nos jornais dos últimos dias, veio uma voz vigorosa: Vanderlei Luxemburgo soube reconhecer nossa superioridade atual e combateu com veemência as falácias da gentinha de imprensa. Ele esteve à beira do campo em 25 de junho de 1995 – e, por isso, sabe nos respeitar com todo garbo.

O Fluminense precisa de calma e paz. Tudo será feito contra nós. É preciso estar atento a todas as nuances. Somos os líderes. Mais uma rodada escorreu rumo ao fim do campeonato. Precisamos jogar com inteligência. O Independência seria apenas o palco de uma grande decisão, mas foi transformado em teatro de guerra pelos paspalhões da audiência. Contudo, o time de guerreiros é o Fluminense. Nada mais apropriado.


Paulo-Roberto Andel

Panorama Tricolor/ FluNews

@PanoramaTri

Imagem: Rodrigo César O Rods

Contato: Vitor Franklin

4 Comments

  1. Mais um retrato do jogo, que li como quem PRECISA saber o que aconteceu.
    Nada de tristeza! A cada jogo o time continua mostrando-se firme e forte!
    Vamos para o próximo com a mesma garra e a mesma fé.
    SSTT!!!

  2. Gostei do Fluminense em campo, jogou muito bem. Fred foi quem não esteve em um bom dia, errou passes e perdeu chances de gol, oque não costuma acontecer.

    O empate no fim foi ruim, mas o mais importante foi manter a vantagem na liderança!

    Ficar sem Jean no próximo jogo vai ser ruim!

    S.T

  3. Ontem, tiramos o Gremio do páreo. Domingo, tiraremos o Atlético. E eu estarei lá com os guerreiros.

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