Grito(s) de Carnaval (por Gustavo Reguffe)

O Flu terá, entre o primeiro dia de Carnaval e a quarta-feira de cinzas, dois desafios de emoções tão diferentes quanto as que se esperam para os dias em que os confrontos acontecerão, início e fim de nossa mais tradicional festa pagã.

Só que de maneira invertida.

Enquanto, para o folião, o primeiro dia é aquele em que a energia e a motivação estão em seus níveis mais altos, sendo a quarta de cinzas o dia reservado para o descanso e a desintoxicação, no futebol, neste caso do Flu, espera-se o oposto.

Não que o clássico contra o Vasco deva ser encarado de maneira displicente ou relaxada; pelo contrário, o jogo deve ser disputado com seriedade, tanto pelos 3 pontos em jogo na Taça Guanabara quanto pelo teste em potencial para a primeira partida do campeonato que realmente interessa na temporada.

Na verdade, é exatamente a ansiedade gerada em torno da estreia na Libertadores que justifica, vamos dizer assim, um tesão maior pelo jogo da quarta de cinzas. É lá que todos querem estar em ponto de bala, com a faca nos dentes, embora o discurso de jogadores e comissão técnica seja o de que, por enquanto, o foco está apenas nos portugas.

Que assim seja, então, uma coisa de cada vez.

Vamos com tudo pra cima do Vasco; eles não andam lá muito bem das pernas, mas não temos nada a ver com isso. Temos que jogar como em qualquer outro clássico, de preferência com a mesma escalação a ser utilizada com o Caracas.

Devo dizer, a propósito, que o time venezuelano não é, definitivamente, páreo para o Fluminense. Eles não têm tradição, nunca passaram das quartas em Libertadores e ainda se encontram em má fase. Ou seja, não oferecem o perigo que Abel já andou alardeando por aí, provavelmente para justificar uma formação mais “cautelosa”.

Em vez disso, nosso treinador deveria encarnar o espírito desses dias momescos e, numa catarse típica de um rito de inversão, mandar a moderação às favas.

Gustavo Reguffe

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: oglobo.com.br

Contato: Vitor Franklin

6 Comments

  1. Pow, Reguffe, quando li a chamada da coluna, “Moderação às favas”, me animei com a possibilidade de ler alguns palavrões cabeludos, porém, ao ler o texto, lembrei que apenas o Filipe Souza tem a boca suja no Panorama.
    Anyway, concordo com você quando diz que Abel não deve moderar. Meu medo é que ele, sóbrio, quer escalar três volantes. Mamado, então, Abelão vai escalar cinco volantes, com Sobis enfiado na ponta, que este gajo sabe tudo a respeito de ponta e de enfiada. 😛

    1. Putz, Marcio, nem me toquei da possibilidade de Abelão mamado escalar cinco volantes…

      Quem sabe ele não faz uma barbaridade dessas e eu não perco as estribeiras e dou um piti à la Oswaldo de Oliveira, cheio de desaforos e palavrões raivosos? 🙂

      Abraço

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