“Ganar, ganar, ganar, ganar, ganar y volver a ganar. Eso es el fútbol” – Luis Aragonés (por Antonio Gonzalez)

“É preciso não ter medo, é preciso ter coragem de dizer” (Carlos Marighella)

Tive alguns exemplos no futebol, pessoas com que aprendi: do Fluminense de 1969, onde Telê Santana ensinava que o Fluminense começava por um grande goleiro, Felix, e por um zagueiro, Galhardo, técnico sem deixar de ser xerife; da seleção holandesa de 1974, o verdadeiro carrossel, nos ensinamentos de Rinus Michels e na genialidade de Johan Cruyff; no talento da Máquina Tricolor desenhado pelos pés de Pintinho, Edinho, Manfrini, Rivellino e Paulo Cesar; no Internacional de Figueroa e Falcão; na elegância e pontualidade do Claudio Adão em 80; na coletividade do time do Tri, na maestria do Deley, na garra do Romerito e no carisma do Assis; sem esquecer o Nápoles de Maradona, Careca e Alemão; amante de “noves” como Flavio, Doval, Mario Kempes e Batistuta; na forma fria, mas sempre calorosa nos comentários de Jorge Valdano; na impressionante inteligência tática da defesa do Milan nos anos áureos de Arrigo Sacchi nos 90; o Dream Team do Barcelona de Laudrup, Stoichkov e Romário, do “já treinador” Johan Cruyff;  o ser jogador de meio de campo moderno como Fernando Redondo, Seedorf, Edgard Davis e Zidane, cada um na sua “vibe”; na tenacidade do  Liverpool de 2005, com Xabi Alonso e Steven Gerrard como impulsores; no mesmo Barça que brilhou primeiro com Ronaldinho, Deco e Samuel Eto’o e posteriormente sob o comando do revolucionário Guardiola.

Todos eles (times, jogadores e técnicos) me ensinaram.  Encantaram-me tanto pela forma de ser como de atuar. Só conjugavam um verbo: o da vitória.   Entretanto, como tudo na vida, existem predileções inegociáveis.

O melhor de todos, de quem mais aprendi, se chama Luis Aragonés. Como jogador, não tive a sorte de vê-lo jogar, dizem que jogava muito. Como treinador deixou presente na minha retina ao Atlético de Madri, campeão da Copa do Rei de 1992/1993, conduzido pela inteligência mor de um Maestro chamado Bernd Schuster, o mais brasileiro dos jogadores alemães (cuja inteligência sobre o terreno de jogo poderia ser assinada pelo talento de um Gerson), além da voracidade no contra-ataque de um Paulo Futre que viveu então o seu grande momento ‘rojiblanco”.

Mas a carreira de Luis Aragonés como treinador conheceu o seu ápice ao conquistar com a Seleção Espanhola, a Eurocopa de Seleções, em 2008. Por primeira vez a Espanha fazia a opção pela arte, sem abrir mão da seriedade e rigidez na ocupação de espaços e na marcação. ‘El Sabio de Hortaleza’ simplesmente enterrou definitivamente a ‘La Furia Española’ (dos Zarra, Pirri, Camacho, Santilhana, Arconada, Goicochea, Butragueño e Raul, entre outros que nada ganharam) dando nascimento a ‘La Roja’ que eternizou o Tiki-Taka como modelo de futebol técnico, alegre e efetivo… Xavi Hernandez, Andres Iniesta, Marco Senna… puro toque de bola… Campeão!

Mas por que eu estou falando do Luis Aragonés?   Simplesmente porque quero falar de Fluminense!

“É preciso não ter medo, é preciso ter coragem de dizer”  (Carlos Marighella)

Mais uma vez o Fluminense perdeu oportunidades, no sábado passado com uma atuação vergonhosa contra o Clube de Regatas Vasco da Gama. Anteontem à noite, na terra do café, com a tragédia diante do Londrina.

E sem essa de que estou sendo rude, drástico, pessimista, de que os objetivos são outros. Mas aqui faço questão de escrever com o sentimento latente de uma grande parcela dos torcedores Tricolores. Faço questão de ter o mesmo olhar que eles. E não adianta querer reduzir à fração mais simples dizendo que a Primeira Liga não vale nada, que a nossa torcida é Nutella, que não comparece aos jogos, que não se associa, que é boa de teclado…

Não, neste momento isso não me interessa. O fato é que disputamos os últimos dois jogos sem a cara de Fluminense de 2017 e sim com as caretas de 2013, 2014, 2015 e 2016. E isso eu não negocio.

De saída o próprio Luis Aragonés ensinou: “Ganar, ganar, ganar, ganar, ganar y volver a ganar. Eso es el fútbol”… ou seja… Vencer, vencer, vencer, vencer, vencer e novamente vencer. Isso é o futebol.

Assim conheci e me apaixonei pelo Fluminense.

Sim, e de sempre, é esse o espírito que queremos ver 100% das vezes no Fluminense. Assim a minha geração foi criada. Podem até ganhar da gente… podem ser melhores tecnicamente… mas na disposição, na coragem e na determinação não podem nos vencer jamais.  Esse é o papo do tal “Time de Guerreiros”, não pode existir outro tipo de identidade.

E como analisar esses dois últimos jogos?

“Si cierro los ojos puede saber si lo están haciendo bien por cómo suena el balón cuando lo golpean” (por Luis Aragonés)…  ou seja, ao fechar os olhos podemos saber se tudo está indo bem apenas pelo ruído da bola…

Sabemos as limitações do Fluminense este ano, a compreendemos.  Financeiramente os anos de 2015 e 2016 destruíram o clube.  Futebolisticamente podemos regressar até 2013, dali vem a destruição nas quatro linhas. A mesma Unimed que dava títulos ajudava a rebaixar (depois o Flamengo cometeu o erro do André Santos e a Portuguesa de Desportos assumiu o filho bastardo)… depois o desconhecimento do que é futebol do Ricardo Tenório, somado aos inconseqüentes Mario Bittencourt e Peter Siemsen.

E antes que alguém me acuse de traição… nananinanão!

Estou fechado com a gestão do Presidente Pedro Abad. Isso é fato, não negocio. Outra coisa é dizer que os resultados do futebol não me aborrecem. Não só a mim, mas como a todos os que hoje são gestão… a derrota, as derrotas não fazem a minha cabeça, nem as nossas.

“É preciso não ter medo, é preciso ter coragem de dizer” (Carlos Marighella)

Vínhamos de uma boa sequência. Vencer o Vasco nos colocaria definitivamente na luta pela classificação para a Libertadores 2018. Passar pelo Londrina suporia estar na luta não somente do bicampeonato da Primeira Liga, mas também por trazer para os nossos cofres a bagatela de três milhões de reais, aproximadamente meia folha de salários.

Luis Aragonés pensava assim: “Se refería a que no sólo hay un tipo de fútbol y que hay que partidos que hay que ganar “por lo civil o por lo criminal”.”…

Ou seja, traduzindo para o asfalto… nem todos os jogos você irá jogar bem, mas jogos como o de sábado passado contra o Vasco e anteontem, quarta 30/08/2017, contra o Londrina, tem que se ganhar de qualquer maneira… seja pela justiça civil ou criminal.

Uma metáfora hiper mega verdadeira…

Eu concordo com o Luis…  não é de hoje, não é de agora, já vem desde os anos 1970… O Palmeiras na Libertadores de 1971, o Inter em 1975, o Corinthians em 1976, o São Caetano do Ademar em 2000, o Paulista em 2005, a LDU em 2008 e 2009…  Esse vacilos não podem ser cometidos. Chega um momento que cansam.

Eu nunca gostei do Real Madri, sou filho de quem sobreviveu, ainda criança, na guerra civil espanhola… Era o time do Caudilho Francisco Franco…  questão de pele…  Mas o clube merengue tem uma qualidade que eu admiro: se pode ganhar de 8, não se contenta em ganhar de 7. Já o nosso Fluminense historicamente complica as partidas que deveriam ser fáceis.

“Aquí hasta el más tonto te hace un reloj de madera y, además, anda”

“Luis siempre advertía de la igualdad existente en el fútbol. Y de la grandeza de un deporte que puede igualar a dos equipos con diferencias abismales en el presupuesto. A veces podía cubrirse ante un tropezón inesperado o daba bola al equipo rival a propósito para que se confiaran”…

Luiz Aragonés sempre avisou que não tinha mais bobos no futebol: “aqui o bobalhão fabrica um relógio de madeira que funciona”…  Sempre alertou que a magia do esporte bretão está no fato de que times com orçamentos com diferenças abismais, dentro do terreno de jogo se igualam. Com isso antevia possíveis tropeços ao mesmo tempo que enchia, de forma não real, a bola do adversário para que esse acreditasse que não tinha falhas.

Coloco a pessoa do treinador Abel Braga dentro do Fluminense como um mito.  Cria da casa, jogador, técnico campeão. Isso é pouco diante da lição de vida e de dignidade que nos deu.

Mas não é justo que façamos do Abel, já treinador, também dirigente.

Contudo, sem essa de direcionar ao Abel Braga a exclusividade da responsabilidade sobre os erros cometidos contra o Vasco e contra o Londrina. Foram passos em falso, mas de responsabilidades de todos e de forma equitativa: seja do comando do Departamento de Futebol, seja da figura de todo o Conselho Diretor, sejam os profissionais da Comunicação, seja da base de apoio político…  leia-se MR21, Esperança Tricolor, 2050, Por Amor ao Fluminense, Flusócio, Esportes Olímpicos… seja das lideranças políticas como eu…

A responsabilidade é de todos. Entretanto muita calma e de nada serve precipitar os fatos. É preciso reconhecer que fazem falta ajustes nas falhas que existiram. A distância silenciosa dista da unidade, cansando por vezes quem continua dando a cara. As salas de espera daqueles que pedem encontros tem sabor de sofá cansado, aquele que desbotou com o tempo…  Assim como a palavra desbota na falta de palavra.

Não sei quem realmente decidiu não lutar pela classificação para a próxima fase da Primeira Liga. Está o Fluminense em condições financeiras para abrir mão do prêmio pelo título? Ou realmente fez-se a opção pensando na Sul-Americana e no Campeonato Brasileiro? De todas as formas não era o Abel que tinha que falar e dar a cara nesse sentido…  Teriam que assumir isso todas as partes envolvidas.

A pergunta que insiste em me visitar: se o de anteontem, nas palavras do filósofo Marcos Junior, era meia boca, o que significou a partida contra o Vasco? Ou será que a outra meia boca foi a preparação para a mega super brava badalada festa de aniversário do Wendel?

“La moral se compra en la planta sexta de El Corte Inglés. Un futbolista no puede decir que no tiene moral; si lo dice, es un perdedor”… Esse Luis Aragonés GÊNIO e FIGURA, logo ele que dizia que nenhum jogador o enganava porque enquanto jogou cansou de sair das farras da noite diretamente para os treinos…

Disse então algo parecido a que “a moral não se compra num sexto andar de um Shopping Center. Um jogador não pode dizer que não tem moral; de fala isso é um perdedor”…

A mais pura verdade!

Critiquei como o quê mais contratações feitas em 2013, 2014, 2015 e 2016.  Entendo, compreendo e acho uma ótima a contratação do Robinho, engulo a do Richard porque esse tipo de ação faz parte do jogo. Outrossim, por agora, é admitir qualquer benefício que possa se obter com a contratação do Romarinho

Por outro lado o momento pede que se separe o joio do trigo, sem abrir mão de ouvir o que possa ser oferecido propositivamente pela oposição que coloca o Fluminense acima dos seu interesses pessoais, nem as propostas que se perdem nas salas de espera da própria situação.

“Hola Luis, ¿cómo estás?”. Y respondía: “Contento sin presumir”. Porque en el fútbol “si sacas pecho te lo parten”…  Assim, malandramente vivia o trabalhador nato chamado Luis Aragonés… “Oi, Luiz… tudo bem?”… ele respondia: “Contente sem presumir… no futebol quando você perde a humildade a vida te dá uma rasteira”.

O Fluminense está passando por uma reconversão administrativa, assim esperamos que seja por completo.  Sabemos das dificuldades da falta absoluta de dinheiro…  por outro lado, a torcida exige um Fluminense com cara.

Humilde e sem máscara, muito menos com a cabeça fora do clube.

O Fluminense precisa de dois goleiros para 2018, 2 laterais (se o Leo não conseguir um psicólogo para desbloquear-se nos metros finais)…  E uma constatação… na melhor partida  do Fluminense em 2017, o 3 a 3 contra o Flamengo, quando conquistamos a Taça Guanabara, o Pierre estava em campo. O Fluminense necessita contratar um jogador com essas características, mas com 25 anos… pelo menos enquanto o Luiz Fernando não regressa.

“É preciso não ter medo, é preciso ter coragem de dizer”  (Carlos Marighella)

Continuo na luta pelo que eu acredito ser o melhor para o Fluminense, nunca tive medo de dar a cara e não vai ser agora…  da mesma forma que digo que estamos construindo uma bela equipe.

Se você chegou até aqui, o meu muito obrigado… mas deixa eu dizer uma coisa… assumo que, um dia, pensei que se continuasse na progressão e vestisse a camisa da seleção brasileira, Wendel seria jogador para ser vendido até por uns 30 milhões de euros.  Hoje, os 10 milhões estariam muito bem pagos… corre o risco de, se continuar com essa cabecinha, não valer a metade no final do ano.

Hoje mudei um pouco o estilo da coluna… fez-se necessário.

Na primeira foto, Luis Aragonés recepcionando já como treinador aos jogadores recém contratados ao Palmeiras, os brasileiros Luiz Pereira e Leivinha, ambos da seleção brasileira que disputou o Mundial de 1974 na Alemanha. Na segunda foto, uma homenagem da torcida do Atlético de Madri, por ocasião do falecimento do Luiz Aragonés, no início de 2014.

Já o vídeo contém lances do massacre do Atlético de Madri sobre o Real Madri, na final da Copa do Rei 1992/1993.

Espero que esse tempo sem futebol se reflita em progresso tanto dentro como fora do campo.

Saudações TETRACOLORES

Antonio Gonzalez

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: agon/uol

5 Comments

  1. P E R F E I T O T E X TO !!!!!
    Parabéns Antônio, é disso que falo Sempre. Ser Situação, mas Criticar quando está Errado !!!
    Cada Vez Mais Sou Seu Fã. Não Votei no Abad, mas Espero que na Próxima Eleição Me faça Mudar o Voto !!!! E Vamos em Frente, pois as Pedras Fazem Parte do Caminho !!!!!

  2. Belo texto e parabéns pelo mea-culpa em relação a cobrança. Agora uma dúvida honesta: o time vem apresentando problemas em campo desde o início da Taça Rio, muitos não tão ligados a desfalques (compactação, p. ex.). Tendo isto em vista, o Comitê Gestor do Futebol e a diretoria não teriam que auxiliar o Abel a buscar uma solução para isto, já que o problema vem ocorrendo há tanto tempo e não vemos mudanças quanto a este problema?

  3. Perfeito meu amigo, perfeito não tiro uma vírgula sequer deste maravilhoso texto,o amigo falou tudo e algo mais, meus parabéns. ST. FLUII

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