Fred, o Visconde de Teófilo Otoni

SABUGOSA

Salve amigo (a) tricolor!

Quando Frederico Chaves Guedes atracou o seu navio nas Laranjeiras no ano de 2009, num período de bonança financeira, obviamente oriunda do patrocinador da época, coronel Barros, não vi com bons olhos. Eu, como um bom tricolor cético, aguardei as coisas se acalmarem, esperei a empolgação baixar e parti para a minha análise casual referente ao aspirante a ídolo.

Após o fim do Brasileirão de 2009, quando o clube se tornou o Time de Guerreiros, passei a ter um olhar diferente para o Fred. Naquela arrancada fenomenal do Campeonato Brasileiro e o título moral na Sul-Americana, reparei bem nas atitudes e na leitura do jogo deste jogador.

Mesmo com toda a garra demonstrada, sabíamos que o clube e o atleta precisavam mostrar algo a mais, principalmente pelo fato de Fred ter vindo de um investimento pesado, contratado de um clube europeu, num momento em que jogadores brasileiros estavam emigrando do Brasil e o retorno, que assim esperava, era praticamente em curto prazo.

O clube precisava de um título de expressão e Fred foi delegado para ser o ídolo dessa missão.

Sendo assim, o ano de 2010 chegou e o primeiro semestre foi um desastre. Campeonato Carioca e Copa do Brasil um fiasco, um início de Brasileiro morno, mas as coisas iam se encaminhando com suavidade, até que veio a lesão do Fred. Pronto, tudo ia desandar, o Fluminense não ia engrenar, fora da Libertadores quanto mais o título do Brasileirão. Bem, o destino todos nós sabemos muito bem, o título tão esperado por todos. Mas sem a ajuda do nosso ídolo.

O ano de 2011 passou tão em branco que podemos esquecer sem sombras.

Em 2012 tudo pairava de ser um bom ano, boas contratações, um técnico vinculado afetivamente com o clube, um bom plantel montado. Libertadores, certo? Não! Errado! Mas em compensação veio o título do Carioca, com boas atuações de Fred e cia. O Brasileirão começou bem, sólido em pontuações, com um time tricolor consistente nas partidas, tão consistente que abriu uma larga vantagem com relação aos adversários. Um título merecido, com planejamento e prática de comprometimentos garantidos. Ali passei a olhar o Fred como um verdadeiro ídolo: artilharia e liderança dignos de um herói.

Quando  tomou a decisão de renovar o contrato com o Fluminense, após a saída do coronel Barros no fim de 2014, ele provou o seu caráter e mostrou ser um jogador diferenciado. Sua atitude somada aos títulos e o comprometimento que ele demonstra no dia-a-dia, o colocam no patamar dos maiores ídolos da história do clube, isso é um fato.

Vivemos numa época de falta do compromisso. Encontrar um jogador de futebol que ainda se importe com tudo e com todos é raro. Apesar de ser muito bem remunerado para esta função, ser um profissional realizado e teoricamente “não precisar” mais se expor, sempre está provando mais uma vez a sua gratidão e amor pelo Fluminense. Mostrou que está junto nas dificuldades, não se esconde e não foge da responsabilidade.

Porém, numa conjunção de culpa entre diretoria, torcida e imprensa, a figura de jogador pareceu ganhar uma conotação e importância maiores que o próprio clube que defende. Não tenho como afirmar sobre fatos, pois não tenho o que provar e nem quero provar nada. Sendo que essa possível conotação distorce a atual realidade. Nós, como torcedores, sabemos da capacidade técnica do jogador, da iniciativa como capitão e líder de um time dentro de campo, só que o clube não precisa de mais um mandatário, seja lá a sua intenção ou não.

Como o Fluminense é um clube de nobres, eu vos declaro a partir dessa coluna “Visconde de Teófilo Otoni”, sua terra natal.

No mais, vence o Fluminense com o verde da esperança, com quem espera sempre alcança; com Fred (e também sem ele), o Fluminense alcança. Espere e confie.

Vence o Fluminense.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: videoarte Sítio do Picapau Amarelo

CAPA O FLUMINENSE QUE EU VIVI AUTÓGRAFOS

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