Fome zero (por Walace Cestari)

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Terceira rodada. E já estamos preocupados. O jogo contra o Palmeiras não foi a pior apresentação do Flu na temporada, mas revelou que Levir não parece acreditar na ideia de que vamos brigar pelo topo da tabela.

Essa constatação veio da escalação, visivelmente mais cautelosa. Levir estava se preocupando em defender em lugar de buscar consolidar o padrão de jogo que esteve desenhando desde sua chegada.

O Fluminense de hoje não parece ter forças para reagir em uma partida, temos bons nomes que – na melhor das hipóteses – passam por má fase. Na mediocridade do futebol nacional, daria para brigar pelas posições de cima, mas, para isso, seria necessária muita aplicação dos jogadores.

E isso é o que mais me frustra nesse primeiro semestre. Estamos perdendo na vontade para outros clubes. Isso ficou patente na derrota diante do Palmeiras. O esquema tático defensivo – que funcionou no primeiro tempo – também revelou que aceitamos ser dominados pelo adversário e, o pior: perdemos todas as disputas de garra.

O Palmeiras não tem uma equipe superior à nossa. Mas aplicou-se e desdobrou-se em campo. Os jogadores corriam com uma vontade de dar gosto, ao passo que nossos jogadores pareciam resignados com o decorrer da partida.

Atitude semelhante tivemos contra o Santa Cruz. Acordamos depois do gol apenas por conta do talento de Scarpa, que cobrou a falta com perfeição. Depois que viramos, voltamos à lenga-lenga de um jogo pouco efetivo e lento.

Não sei o que se passa nos treinos, mas Levir já sacou que aquele padrão de domínio de território, passes em velocidade e troca de posições só funciona com comprometimento. Parece que os atletas tricolores ainda não entenderam – outros esqueceram – o que significa vestir a camisa do eterno tricolor.

Da forma como estamos, não há de se sonhar com voos altos. Com essa vontade, mesmo com um bom treinador, não passaremos do meio da tabela. Não enxergo sustos e ameaças de pararmos lá embaixo, mas claramente nos falta algo para brigar lá em cima. Falta alma, falta fome de resultado. Esse time não empolga, mesmo quando joga bem.

Que eu queime minha língua no decorrer do campeonato, mas não damos mostra que queremos ir tão longe. A diretoria deve preocupar-se em reforços que possam oxigenar o time e Levir de uma forma de sacudir os ânimos dessa galera (para mim, não existe motivação maior do que jogar no Fluminense, mas… vá saber o que eles pensam?!)

Precisamos da vitória contra o Botafogo. É uma necessidade. É uma imposição. Ainda não vencemos clássicos e não podemos permitir ficar sem pontuar por duas rodadas. Ainda mais – com todo o respeito à grandeza do Botafogo – porque o time alvinegro é fraco e disputa o campeonato com o objetivo de permanecer na série A.

É hora de mostrar compromisso e vontade em campo. O tempo de casa desse elenco não pode significar acomodação. Uma pitada de vontade junto a uma porção de comprometimento pode gerar uma receita que nos traga a dignidade no campeonato. Que o chefe Levir tempere bem o prato e não deixe a massa desandar. Estamos famintos no campeonato.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: law

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