Fogo amigo (por Walace Cestari)

Quero todos os craques no meu time. Quero que eles renovem e passem anos sob contratos milionários. Quero intervir no mercado com dinheiro para ganhar qualquer disputa com rivais pela contratação de um medalhão ou da jovem promessa. Quero tudo isso com uma camisa praticamente lisa, sem anúncios.

O nível de insatisfação do torcedor médio tricolor parece desproporcional – e até mesmo ridículo – quando diante da análise séria dos fatos. Existem muitos que ainda estão presos a um relacionamento que simplesmente acabou. São viúvas de Celso Barros e de uma política de mecenato que – com sinceridade – não faria bem à clube algum.

Recaem sobre a direção todas as culpas possíveis e impossíveis – mais um pouco e o Peter será culpado pela onda de calor que assola a cidade. O rompimento com o patrocinador anterior foi-lhe atribuído, quando a decisão foi unilateral da empresa de planos de saúde que passa por uma crise financeira sem precedentes.

Os dias das férias vão sucedendo-se de forma que todos os jogadores do Fluminense são vendidos. Em especial para os rivais. A culpa? Peter, claro. O maior tricolor da história tenta rifar todos os contratos que assinou, oferecendo os jogadores do Flu a qualquer interessado (ou até despertando interesses), de forma a livrar-se de uma dívida sem retorno, causada pela intempestividade e orgulho de suas ações. Ainda assim, parece livre das críticas e consegue colocar-se como vítima de uma “diretoria cruel”.

Os abutres das manchetes jornalísticas declararam com todas as letras, o fim do Fluminense. Muitos dos nossos embarcaram no navio de mentiras que aporta diariamente nas bancas de jornais. Acusações ao presidente. E agora, o que será de nós?

Em menos de 24h, um patrocinador master. Algo que muitos clubes tentaram durante todo 2014 e não tiveram. As cifras? Razoáveis 14 milhões com reajuste para 20 milhões no ano subsequente. O Flamengo ganha mais! Culpa do Peter. A Flapress passeia incólume, vendendo suas versões, compradas – infelizmente – por boa parte da torcida tricolor. A culpa é do Peter.

Se não há patrocínio, o torcedor esbraveja. Se há, reclama. De repente, mais quatro milhões para os ombros da camisa tricolor. Valor mais de três vezes maior que o conseguido pelo Cruzeiro – bicampeão brasileiro – pelo mesmo espaço. Aí, o problema é o nome da empresa. Como se ainda estivéssemos nos bancos escolares, os possíveis trocadilhos que revelam preconceitos de orientação sexual dignos dos Felicianos e Bolsonaros da vida. A culpa, mais uma vez, é do Peter.

Na Federação, Rubens Lopes e Eurico Miranda – dúvida off topic: com quantos elementos a legislação considera formação de quadrilha? – articulam para mudar o lado da torcida do Fluminense nos jogos contra o Vasco. Cobram a publicidade do contrato, entre outras balelas. A culpa, novidade, é do Peter, que não mostra o contrato nem reage contra a bravata dos bufões. Ainda que o lado seja o menos importante dessa história, se há contrato (e imagino que o presidente do Flu e o representante da concessionária não deram uma entrevista fake quando de sua assinatura), o Flu ou faz cumpri-lo ou recebe uma grana bem forte por seu descumprimento. Entretanto, só se age diante de fatos, nunca de bravatas. A paciência é virtude correta, no caso.

Não conheço Peter pessoalmente – cumprimentei-o nas eleições, nada mais – não faço parte do grupo político que o sustenta. Não sou funcionário do Flu, nem recebo dinheiro algum para escrever essas linhas. Ainda assim, não consigo entender por que as críticas ao presidente – também as tenho – devam tomar qualquer notícia como verdade ou como nociva.

A relação com CB parece ter criado vínculos de síndrome de Estocolmo em alguns, que não parecem saber como viver sem um mecenas decidindo suas vidas. Gerou uma histeria coletiva que comprou a versão terrorista da imprensa sobre o fim do Flu. Pariu torcedores com um perfil amargo, que compram a galhofa como verdade, que se esquecem da secularidade do Flu e creem na efemeridade de qualquer nuvem carregada.

Esqueçamos o extra-campo que não nos une. Pouco importa o patrocinador, desde que lícito e que nos permita gerenciar as verbas. Lembremo-nos do que somos. E de nossa responsabilidade histórica. Juntos somos o Fluminense. Já temos inimigos demais para desconfiar do nosso companheiro ao lado também.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: pra

5 Comments

  1. Querido mestre Walace, você tocou no ponto certo: nossa relação com o CB era digna de cativeiro. Era como se tivéssemos vendido a alma ao diabo. Como muitos “médio” tricolores, eu também chorei com o fim desse casamento, e ainda mais com a camisa visualmente poluída que veríamos com o final desse confinamento, ops, contrato. CB mandava mais que Peter, era um ghost-manager, que adquiria jogadores para beneficiar sua marca e seu time. Como todo fim, restaram as rusgas e intrigas de ambos os…

  2. Também não entendo. Critiquei o Presidente quanto à sua postura omissiva no caso Lusagate, em relação a algumas atitudes adotadas quando assumiu o comando do futebol, mas estou lúcido o suficiente para reconhecer os seus acertos, principalmente no equacionamento das dívidas do clube, e a sua isenção de responsabilidade pelo fim da parceria com a Unimed. Além disso, deve ser parabenizado pelos contratos que conseguiu formalizar. Ninguem conseguiu nada igual em tão pouco tempo…

  3. Segue o Fluminense, com sua sina nos “fra-FLUS é o ai Jesus”……

    Que começe logo os campeonatos e que nossos jogadores entrem com a faca nos dentes….chega de acomodação.

    St

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