Fluminense, muito além da Libertadores (por Paulo-Roberto Andel)

A vitória sobre o Colo-Colo foi importantíssima e muito comemorada por toda a torcida tricolor – chega dessa idiotice de quererem definir quem é ou não é “tricolor” de verdade.

Além do mais, encaminha a classificação do Fluminense à segunda fase da Libertadores.

Excelente também pelo Manoel, que vem de um momento difícil e sempre defendeu o Fluminense com garra e atitude. Legal mesmo.

Agora, para por aí.

Fato é que o Fluminense teve uma atuação horrorosa no Chile, passou a maior parte do tempo nas cordas e só não perdeu porque o Colo-Colo é ruim de doer, finalizando 90% das bolas a dois ou três metros do gol de Fábio. O time chileno não conseguiria encarar a Série A do Brasileirão e sequer a do Carioca. É ruim de marré.

Podemos comemorar muito os três pontos desta quinta, mas bravatas como “fomos guerreiros”, “soubemos sofrer” (ARGH!) e “time copeiro” não passam de muletas retóricas para passar pano e esconder o que todo mundo já sabe: que o Fluminense não jogou nada em 2023 com seu time titular. Uma única partida sequer, nem quando ganhou a Recopa em cima da LDU e penou em cima de um adversário fraquíssimo que praticamente estreava na temporada – antes, só tinham feito um jogo treino. Vencemos, comemoramos, teve festa mas não jogamos bem.

Nas partidas relevantes deste ano, tivemos dois bons primeiros tempos contra Vasco e Atlético Mineiro. Só. Muito pouco para o atual Campeão da América.

Tentar transformar o jogo de ontem num épico tricolor é não apenas desrespeitar a história do clube, mas a todos os tricolores que ouvirem tamanha barbaridade. Não é possível que até pessoas queridas e respeitáveis alimentem essa narrativa de meia tigela, enquanto o Flu se arrasta em campo e joga boa parte do tempo cercando a própria área, sendo fuzilado por adversários de terceira categoria.

O Febeapá que domina a bolha Fluminense tem se esmerado em produzir pérolas da idiotice. Ano passado, a maior delas foi “O Marrony está voando nos treinos”. Pelo visto voou tanto que desapareceu… Agora em 2024, a bravata repetida foi “o time alcançará seu apogeu no final de abril”, arrancando gargalhadas dos profissionais de Educação Física que zelam por seus diplomas. E quem reage contra essas sentenças boçais é chamado de “não tricolor”. Vão pro inferno!

Claro que o negacionismo sobre as atuações se espalha para outros temas. Por exemplo, a bizarra publicação do balanço tricolor mobilizou até contadores, administradores e economistas formados na Real Academia de Ciências Curtas e Apagadas, querendo explicar o gigantesco rombo nas contas que virou superávit. Mais uma vez, idiotas tentando crescer à base de arrogância, como se centenas de milhares de pessoas não fossem perceber a manipulação praticada. Nem é necessário dizer sobre o celenterado que comenta “Não me interessa a dívida, quero é ser campeão”, incapaz de compreender que todos os times que brigam por títulos no mundo se fortaleceram econômica e financeiramente falando.

Como já disse inúmeras vezes, para mim a maior derrota da história do Fluminense não está em nenhuma perda de título, má campanha ou mesmo rebaixamentos, mas sim na perda do senso crítico de parte da nossa torcida – ele foi por muitas décadas o nosso maior capital, e não somente impediu a extinção do futebol do Fluminense como o encaminhou para grandes glórias. Hoje a moda é escutar as verdades de qualquer Zé Ovo cheio de likes, sem sequer pensar se os ditos são legítimos ou encomendados, e o que está por trás da grande máquina de narrativas que tenta suavizar o áspero. Algo tão primitivo que transforma um super prejuízo em lucro…

Critica quem que ver o melhor, seja para o time em campo, seja para suas contas caóticas, seja para o que for. É possível amar o Fluminense e não ficar abanando o rabo para os discursos oficiais e oficiosos, vindos de porta-vozes satisfeitos com uma gestão perdulária.

O excelente resultado de ontem não pode ser confundido com a péssima atuação, a não ser por motivos torpes ou total analfabetismo futebolístico. E daí a cobrança é necessária, porque a história do Fluminense foi escrita por campeões com autoridade, superiores aos rivais, muitas vezes redigindo as mais belas páginas do nosso futebol – e isso não vai mudar com correntes de WhatsApp, textos encomendados em Facebook ou influencers de aluguel. Sempre haverá réplica contra os farsantes.

O resultado desta quinta foi importante e só. O Fluminense está encaminhado para a segunda fase da Libertadores. Que confirme sua classificação com urgência. Agora, se não quiser passar o ano com o prêmio de consolação da Recopa, é bom que dirigentes, comissão técnica e jogadores se mobilizem, porque o que está sendo visto em campo não credencia o Tricolor hoje a qualquer título. É preciso mudar e já, muito além do reforço de Thiago Silva, isso para quem vê o Flu em seu tamanho natural, gigantesco, em vez do caleidoscópio de conveniências produzido para administrar vantagens que estão longe de ser as prioridades do clube.

Sem rancores pelas minhas opiniões, pessoal. É que são décadas de Fluminense. Me acostumei a grandes títulos, grandes jogadores e grandes exibições também. Imaginem que, numa época de draga tricolor, eu ia para o Maracanã ver Pintinho, Cleber e Mário. Quando estava difícil, sobrava para o Edinho. Depois, Jandir, Deley e Assis. Ézio. Renato. São muitos e muitos nomes. Longe de querer desapontar os mais jovens e os menos informados, só queria lembrar que o Fluminense 2023 está eternizado e merece todo respeito, mas ele não pode servir para um 2024 patético e, por mais que muitos odeiem, a grande história do Fluminense não começou com Marcelo, Felipe Melo, Keno, menos ainda Fernando Diniz e muito menos o atual presidente.

São 122 anos de história. Eu, que tenho visto 50, vi pouco.

2 Comments

  1. O GRAVATINHA DETERMINANTE E ASSIM OBCECADO E DECIDIDO A APENAS SE DEFENDER SEM ARRISCAR ATACAR ABDICANDO DA OFENSIVIDADE E POR ISSO O JOHN KENNEDY SOB A TRAMA DA FESTA DE ARROMBA EXECRADO E DEMONIZADO E ESTUPIDAMENTE DESVALORIZADO PARA SER ENTREGUE BREVÍSSIMO NA BACIA DAS ALMAS A ALGUM CLUBE QUE O ACOLHA CENTROAVANTE DECISIVO SEGUEM DINIZ E MÁRIO BIRTTENCOURT NA TRILHA DA SUA INCOMPREENSIVEL AÇÃO A FORMAR UMA FRANQUIA MASTER E COM THIAGO SILVA A DEFESA DOS ANCIÃOS DA ENFERMARIA DE LUXO DAS LARANJEIRAS ONDE OS SABIÁS AINDA CANTAM O ADEUS ÀS ILUSÕES RUMO À ELIMINAÇÃO CÉLERE SOB ESSE CINICO E AFRONTOSO DINIZ…

  2. Concordo 80% ….
    Mas torcedores otimistas tem o direito
    E faz bem a alma sonhar…

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