Fluminense e Unimed (por Marcelo Vivone)

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Na coluna de ontem, abordei dois dos três temas macro que considero fundamentais para que o nosso Fluminense volte a lutar por conquistas nos campeonatos que disputa: o primeiro, a saída de Renato Gaúcho, já ocorreu, inclusive com a divulgação do seu bom substituto, Cristóvão; o segundo, a necessidade de se trabalhar de verdade nas Laranjeiras, o que não ocorre há longo período e que tenho esperanças de que volte a acontecer a partir de agora.

O terceiro assunto é a parceria com a Unimed. Deixei para tratá-lo hoje porque é o assunto mais extenso e complicado dessa tríade, além de ser o que demanda uma maior período para ser solucionado.

Não há dúvidas de que a Unimed foi fundamental para o Fluminense no pior momento da sua história, mas é bom o torcedor do Fluminense ter consciência de que o seu clube também teve participação decisiva na história dessa cooperativa de planos de saúde. Não custa lembra que no ano de 99, ninguém sabia da existência da Unimed, e hoje ela é uma empresa nacionalmente reconhecida. Certamente esse crescimento foi, em grande parte, gerado pela visibilidade da marca estampada na camisa do Fluminense. Em números, torna-se ainda mais evidente que a parceria foi excelente para o patrocinador. No balancete do ano passado há um item que mostra que para 1 real investido, há o retorno de 63 reais. Parece-me ser um excelente negócio, não? Portanto, como no caso do Fluminense (ou até mais), é muito difícil pensar que a Unimed seria o que é hoje sem estar com sua marca estampada na camisa centenária do Fluminense.

Portanto, é bom que o torcedor Tricolor tenha consciência de que a entrada da Unimed no Fluminense não se deu porque o Celso Barros é tricolor e queria reerguer o clube. Pode até ter sido em parte por isso, mas foi, fundamentalmente, a resultado da visão de um empresário, que vislumbrou uma excelente oportunidade de negócio. Incrivelmente, ainda hoje, há bom quantitativo de torcedores do nosso clube que não tem essa noção, que acha realmente que o Fluminense deve alguma coisa à Unimed.

A história dessa parceria mostra que, de 99 até 2012, ela foi sofrendo ajustes que pareciam estar levando o relacionamento a uma situação de equilíbrio para ambos os lados. Do nosso lado, conquistamos ao longo de 14 anos três títulos nacionais e três cariocas, além de termos chegado a duas finais de torneios continentais. Ocorreram também muitos erros nesse longo caminho, erros esses que nos levaram a lutar contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro em seis oportunidades (contando 2013). Mesmo tendo consciência de que dificilmente teríamos hoje os sucessos que tivemos nesse período sem a parceria, considero muito pouco o que conquistamos, dado o volume financeiro que foi injetado nesse período.

Mas, com o fracasso de 2013, as feridas ficaram visíveis. Fontes citam que os problemas entre o clube e o patrocinador começaram a crescer a partir do momento em que Peter foi eleito. Não sei se isso é verdade e nem quais os reais motivos que levaram a situação ao ponto de total desarmonia que vemos hoje. Mas considero o Fluminense o grande culpado da situação. Se o patrocinador chegou ao ponto de se achar no direito de interferir, na verdade mandar, da forma que faz hoje, é porque o clube, na figura de seus presidentes, foi fraco e submisso ao longo desse tempo.

Escrevi ano passado que Peter tinha tudo para entrar para a história como um dos melhores presidentes que o clube já teve. Infelizmente, essa minha expectativa estava equivocada. De um tempo para cá, nosso presidente tem errado demais e o que me chama mais a atenção é a sua omissão em relação ao futebol.

Por outro lado, discordo dos seus opositores quando o assunto é a Unimed. Peter encontrou um clube totalmente dependente e subserviente ao patrocinador. É visível que Peter tentou mexer nessa equação de forças e que Celso Barros não ficou satisfeito. Mas o que deveria ter feito o presidente? Acho que o que ele fez já deveria ter sido tentado antes.

Como pode, por exemplo, um clube aceitar que o patrocinador imponha seguidamente a escolha de nomes para treinador? Se fosse o Guardiola, certamente o clube não faria objeção. Como pode o clube aceitar que o patrocinador queira trazer de volta um dos principais responsáveis pelo rebaixamento do ano passado? E se o clube não aceita suas equivocadas opções o patrocinador faz beicinho e diz que não põe mais dinheiro para contratações?

E, para completar, de um tempo para cá, Celso Barros faz questão de dar entrevistas mostrando sua insatisfação e ameaçando o rompimento da relação com o clube. Certamente numa tentativa de jogar a torcida contra o seu próprio presidente.

É certo que o clube hoje não está preparado para perder o dinheiro da Unimed. Aliás, esse é o maior erro de todos os presidentes que passaram pelo clube, inclusive o atual. Não preparar o Fluminense para o dia em que o patrocinador se retirasse.

Mas Celso Barros hoje parece ter radicalizado o seu acordo com o Fluminense. Virou praticamente um dá ou desce. Ou o clube se submete a todos os seus caprichos ou ele rompe. Não gostaria que isso acontecesse, se me fosse permitido a opção, certamente meu veredito seria o da conciliação, mas entendo que, com esses termos, o Fluminense, que é enorme e muito maior que a Unimed, deve seguir o seu caminho. Obviamente será um caminho muito difícil e tortuoso. Mas, não tenho dúvidas, nos reergueremos logo em seguida.

O fato é que não dá mais para que o Fluminense seja o quintal da Unimed. Peter deve mais uma vez tentar a conciliação, mas nesses novos termos. Caso Celso Barros mantenha o seu atual posicionamento, nosso presidente deve tentar ao longo do ano algo que diminua o impacto do iminente fim do relacionamento ao final desse período.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @MVivone

Foto: Divulgação

5 Comments

  1. Rods comenta:

    Vivone, algumas pessoas dizem que ser presidente do Fluminense é o grande desejo do Celso Barros. Talvez, sua aposta tenha sido fazer a Unimed englobar de tal maneira nosso Flu até o ponto dele o ser de fato e não de nome. Praticamente um conquistador!

    Porém, com todos seus defeitos e receios, ao menos o Peter o grupo que o apóia resolveram fincar uma bandeira de resistência. Com atraso, é verdade, mas finalmente.

    ST!

    1. Vivone:

      Tb acho que demorou, Rodrigo. Mas antes tarde do que nunca. E, se for para romper (o que parece ser o mais provável), que o Peter tente minimizar o impacto da saída nesse 8 meses que restam.

      Mas, se for para continuar, que seja baseado em novo posicionamento do clube. Não dá mais para ficar sujeito aos caprichos do patrocinador.

      Um abraço.

  2. Acho que o rompimento é inevitável! As últimas declarações do Celso Barros foram um desrespeito ao clube a própria torcida, da qual ele DIZ fazer parte! O FLU precisa se posicinar de forma enérgica e definitiva, mostrando sua grandeza não só aos seus torcedores, mas principalmente àqueles que vivem a achincalhar essa relação promíscua com a UNIMED! Vai ser díficil, ÓBVIO que vai! Mas não é o fim do mundo!

    1. Vivone:

      Gláucio,

      Acho tb q a postura do CB leva a uma ruptura.

      Já as declarações do Peter são mais políticas e equilibradas, o que, nesse momento, acho correto.

      Mas, se fosse eu, ainda faria a tentativa de reconciliar, mas com os termos que interessam ao clube, e não do jeito que está. Paralelo a isso, iria tentando preparar ao máximo o ambiente para a iminente separação do final do ano.

      Um abraço.

  3. Posso estar enganado,mais eu acho difícil a Unimed sair do Fluminense.O que pode acontecer é ela deixar de ser master,será uma composição entre as duas partes.Querem mais exposição na mídia do que essa briga entre o patrocinador e o Fluminense

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