Fluminense, ainda tens um longo passado pela frente (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, uma semana se passou desde minha última crônica. Ao alvorecer da semana que se passou, tivemos a boa notícia de que os salários foram postos em dia.

Salário em dia não é algo que se comemorar. É o mesmo que você, leitor, comemorar porque realizou o pagamento da conta de luz, do aluguel ou da TV a cabo.

Nos dias atuais, no entanto, tal notícia cai como um alento em nossas almas, mas aí vem a notícia de que Daniel e Yony estão de saída, o que não é nenhuma novidade. Perdemos duas das principais referências do time e torcemos os dedos pela improvável permanência de Caio Henrique e Allan, outras importantes referências.

Sempre sublinhando o caso inacreditável do Daniel, que acabou saindo de graça, porque não tivemos a competência de retê-lo na equipe.

O que me parece mais grave, no entanto, é o aborto espontâneo de um projeto futebolístico. Acima de qualquer coisa, o que nos permitiu um final de ano menos dramático foi exatamente o fato de termos um modelo de jogo, que, aliás, nos proporcionou bons resultados, embora os resultados tenham ficado comprometidos pela atuação do VAR, no Campeonato Brasileiro, e pelas decisões estúpidas da atual gestão no que diz respeito à comissão técnica.

Assim como em 2019, começamos da estaca zero, mas com muito menos recursos técnicos. Diante disso, a contratação de Odair Hellmann é quase que a cereja do bolo, pois suas ideias sobre futebol passam longe do que se vinha praticando por aqui.

Em outras palavras, a ruptura, anunciada e abortada com a demissão de Diniz e contratação de Oswaldo de Oliveira, vem com tudo para 2020, colocando a pá de cal sobre um projeto futebolístico bacana, que nos diferenciava perante os demais, o que, inclusive, tinha alto potencial para nos valorizar enquanto marca.

O problema maior, no entanto, é que tudo que tenho dito sobre a formação do elenco para 2020 parece a caminho de se concretizar. No dia de hoje, fala-se em dois jogadores que não têm espaço no Corinthians. A temporada de refugos está só começando, podem anotar.

E vão sempre dizer que o Fluminense não tem dinheiro, embora haja um certo lobby para chegarem alguns atletas semi-aposentados, que, a exemplo de Nenê, podem ajudar a sangrar nossos cofres sem dar equivalente retorno técnico.

Eu sempre digo que o Fluminense foi programado para isso. Quando se  investiu na formação em Xerém, o que menos estava no programa era o retorno esportivo. A verdade é que o Fluminense não passa, nos dias atuais, de um balcão de negócios.

Empresários expõem suas mercadorias de segunda linha, clubes europeus recuperam o prestígio de seus ativos, jovens talentos são negociados a preço de fábrica e todos saem ganhando, menos o Fluminense e o seu torcedor, que agonizam na angústia, no desespero e na desesperança.

O problema é que essa mesma torcida segue identificando Messias, olhando para o passado, como se o seu resgate fosse a solução. A única coisa no passado que pode dar certo é a revitalização das Laranjeiras, mas porque é um projeto com lógica, que tem um papel a cumprir, mas não parece ter a devida atenção da atual direção, ou já estaria mais avançado.

Laranjeiras é o ingrediente positivo de um longo passado que temos pela frente, de amadorismo, falta de governança, zero transparência, estrutura e gestão arcaicas, feita por pessoas arcaicas.

Quisera eu ser portador de boas novas, mas no Fluminense do final de 2019 é tudo velho e, infelizmente, esse velho não tem nada de bom.

Só saímos do lugar se reconhecemos que o que nos mantém amarrados à insignificância no cenário futebolístico é a combinação de dívida monstruosa com falta de visão do negócio, mas essas variáveis não fazem parte do diagnóstico para dar suporte a uma mudança. Servem, ao contrário, de desculpa para ficarmos parados no mesmo lugar.

E lá vamos nós vagando moribundos por esse deserto de ideias para um 2020 sem perspectivas, esperando por um milagre que não virá, com um longo passado a atravessar pela frente.

Saudações Tricolores!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

8 Comments

  1. Sem falar no Evanilson, que tal como o Daniel era um investimento de longo prazo e vai acabar por sair de graça também.

    1. Pois é. Dessa vez eu até esqueci do Evanilson, mas é tanta coisa ruim, que a gente não consegue dar conta.

      ST

  2. Poxa , que baixo astral…Não deixo de amar o meu Nense mesmo tendo tudo tão sombrio.

    1. Nem eu, meu caro! A gente só não pode esperar é pé de laranjeira dar abacate. rss

      St

        1. O Fluminense precisa ter olhos para o futuro, mas infelizmente só olha para o passado.

          ST

  3. É por aí mesmo. Ao início de um ano novo renovam-se as esperanças. Mas, se o orçamento para elenco do próximo ano deverá ser menor do que o atual, se iniciaremos sem patrocínio Master, devendo os 3 primeiros meses de 2020 (pois já é dúvida se conseguiremos pagar), com novo treinador, novo elenco de série B para buscar uma nova forma de jogar, buscar entrosamento. Então, onde buscar otimismo, se a realidade matemática nos prova que, para todas as ações iguais os resultados serão exatamente os…

    1. Eu confesso que já sinto muita saudade do começo de 2019, porque dificilmente voltaremos a cometer tantos acertos com menos recursos técnicos e uma gestão que se repete na falta de ideias.

      ST

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