Fluminense 3 x 1 Atlético-GO (por Paulo-Roberto Andel)

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Há tempos não vinha de ônibus para o Maracanã. Peguei o 433 cheio e, por um segundo, me iludi pensando estar com catorze anos de idade. Garotas louras bonitas falando estranho e, quando reparei, havia uns quarenta turistas alemães indo para o jogo, conduzidas por dois negões padrão NBA: três metros de altura, duzentos quilos.

Um burburinho enorme, entre risadas e goles de cerveja até que alguém disse algo como “Flumnmunchen” e só me senti em meu aquário natal: nadei pela memória. Perto de mim, no último banco, um tricolor solitário de camisa grená. Depois veio um senhor de camisa branca. Saltei antes da trupe germânica, dei um abraço no Carlos Perez – finalmente -, falamos de paz e entrei na minha velha casa, mesmo que ela viva apenas na memória. Era dia de celebrar este monstro de coração e sentimentos chamado Abel. Pela primeira vez neste novo cenário, senti um frio brabo: vinte graus.

Você passa por aquelas grades de vaivém, que custam trinta mil por uma hora e meia, e, se ainda não teve, passa a entender o que é a labirintite.

Alguém poderia abaixar o volume da locução na arena? Não estamos no Black Sabbath.

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Por um momento, a torcida gritou por cem mil vozes na hora de Abel. E o silêncio nunca foi tão silêncio. O treinador viveu um dos dias culminantes de sua intensa vida.

3) Os dois gols tricolores surgiram naturalmente diante de um adversário frágil e retrancado no primeiro tempo. Wendel, ultimamente opaco, voltou a brilhar. Wellington Silva fez um golaço: olhou e finalizou. Marlon bem na esquerda, Marlon bem na direita. A defesa sempre batendo cabeça e canelas, tal como no gol do Atlético. O ideal é, na dúvida, sentar o pé na bola. Deixemos o risco para os mais habilidosos. De toda forma, mesmo tendo sofrido o empate, o Fluminense não se exasperou e desceu para o vestiário com a merecida vantagem.

3) O golaço de Dourado desafia definições. O golaço redime, o golaço liberta. Uma finalização de artilheiro, de definidor, que liquidifica toda a impaciência que tivemos em seu começo nas Laranjeiras. Eu também fui um idiota da objetividade, sem entender que ele compensaria suas limitações técnicas com uma dedicação infinita, mas pedi desculpas de coração, ao contrário de falsos humildes.

Errei. Só os mentirosos nunca erram.

Ver o golaço de perto não tem preço.

4) Fatura liquidada. Depois Wellington Silva, o bailarino, saiu ovacionado. O Fluminense apenas administrou o marcador. Uma boa saída de Júlio César, em boa jornada. Depois, Peu e o sumido Robert.

5) Walter é um cracaço. Uma pena que o roteiro original de sua carreira tenha sido destruído.

5) O Fluminense venceu por Abel, pelas suas cores, pela sua torcida, pela vocação permanente do desafio. Não importa a fraqueza do adversário, mas sim a nossa ribalta.

Que esta noite de paz volte a ser uma constante nas arquibancadas tricolores. Nao precisamos de ódio, cólera ou outros vícios que só alimentam os corações de quem busca só fama e dinheiro, ou de aliviar a própria feiura da alma.

O Fluminense é o espírito da paz.

Abel, Abel!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: curvelo

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