Fluminense 3 x 0 Volta Redonda (por Paulo-Roberto Andel)

Temperatura máxima

I

Moça Bonita, sensação térmica de 75 graus Celsius, um jogo para o cumprimento de tabela, o Fluminense reserva em campo – com os desafios de manter a campanha invicta e a defesa sem sofrer gols, a tristeza pela perda do massagista Rivellino, com 35 anos de casa. E os admiráveis maníacos que, mesmo em número reduzido (perfeitamente cabível em Laranjeiras, se tivesse condições de abrigar partidas – o gramado, castigadíssimo e queimado), marcaram presença no delicado inferno térmico do campo sagrado do Bangu.

Apesar do forte calor, os times tentavam a movimentação no começo do jogo. Com espaços, o Flu abriu o placar aos 13 minutos, em bela arrancada de Richarlisson, arrancando e driblando dois defensores depois de receber passe de Marcos Jr, batendo seco no canto esquerdo. E daí até o tempo técnico – que deveria durar dez minutos se dependesse do calor – o Tricolor jogou com tranquilidade, sem riscos, ditando as ações ofensivas. Aos 23, Wendel acertou um chutaço e o goleiro mandou para escanteio.

O segundo gol veio aos 31 minutos. Escanteio batido por Marquinho da direita, Reginaldo subiu tranquilo e cabeceou no canto direito sem defesa. Placar de tranquilidade, ampliado dois minutos depois: escanteio do Resolve pela esquerda, uma bola raspada e uma bomba de Richarlisson no ângulo direito, 3 a 0. Os reservas em pleno fullgás, sem ser problema nosso se o Volta Redonda mostrou enorme passividade no desenrolar do primeiro tempo. Aos 41, Reginaldo deu uma de Edinho 1980, arrancou, driblou e chutou por cima – se acertasse, seria um gol magistral.

O pessoal gostou das graças do Calazans pela esquerda. Renato esteve bem pela direita. Marcos Felipe não precisou fazer nenhuma defesa. Até o intervalo, uma vitória tranquila, sincera e honesta.

II

Na volta, Maranhão substituindo Marcos Jr.; nos primeiros 15 minutos, de relevante mesmo apenas uma arrancada de Calazans e um belo drible da vaca de Lucas Fernandes. Já trucidado, o Volta Redonda até tentou ocupar o ataque, mas esbarrava em sua anemia técnica – as participações de Marcos Felipe foram limitadas a toques com os pés em bolas recuadas. Deu apenas um chute à direita do gol e outro, que escapou das mãos do nosso goleiro para escanteio. Na sobra e contra-ataque, Maranhão perdeu um gol feito, nada que comprometesse um jogo praticamente liquidado.

Depois do tempo da água refrescante, já não daria mais nada. O Volta estava derrotado, o Fluminense esperava o tempo passar. Machucado, Lucas Fernandes saiu aos 29, entrando Danielzinho.

Aos 31, depois de Marcos Felipe ter feito sua primeira grande defesa num chute à queima-roupa. Reginaldo escorou o atacante impedido e aí, amigos, Marcelo de Gávea Henrique é implacável. Pênalti, Diego Souza cobrou, nosso goleiro defendeu o tiro, o rebote e acalmou seus detratores de ocasião.

Osvaaaaaaaldo no lugar de Wendel aos 33. A turba fez gozação.

No fim do jogo, Richarlisson fez o quarto gol numa bela cabeçada no canto esquerdo, mas aí meus amigos… e Marcos Felipe ainda fez uma bela defesa com os pés, cara a cara. Fim de papo, Kleber, Loureiro! É, 100%.

III

Os jovens Wendel, Lucas Fernandes e Calazans estiveram muito bem. Os veteranos Marquinho e Pierre não comprometeram. Como é bom ver tantos garotos em campo, vindos da base – algo que aconteceu pela última vez num time campeão nosso no distante ano de 1980.

À beira do campo, o treinador que é Fluminense de corpo e alma – e, se pudesse, entraria em campo para levantar os atacantes, lembrando os velhos tempos da zaga. Não, não é para se vibrar loucamente com essa vitória sobre o humílimo Volta Redonda, mas é impressionante ver o que Abelão fez em tão pouco tempo. Ele não para, grita, orienta, reclama, vibra o jogo inteiro, mesmo debaixo de 58 graus em Bangu.

Titular ou reserva, o Fluminense é juventude, vontade, velocidade e aplicação. Em anos passados, este polinômio foi a vela certeira para o mar das conquistas. Precisaremos de reforços, mas tudo indica que já temos uma base em campo. Máquina? Claro que não, mas dizer no Carnaval que é Maquininha parece divertido. Falando sério, mais uma vitória de humildade nesse momento de reconstrução, para a tristeza dos bobos da corte que tratam seus interlocutores como idiotas.

A quarta árbitra, uma gata loura.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: curvelo rap

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