Novos tempos, velhas práticas (por Paulo Tibúrcio)

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O início de 2018 não está sendo nada bom para nós, tricolores. Dentro de campo, temos um time fraco, desentrosado e mal escalado. Os jogos iniciais têm exposto isto de maneira cruel. A performance dentro das quatro linhas é preocupante, mas a situação seria menos crítica se os fatores extracampo estivessem sob controle. Não estão. Já tivemos inícios de temporadas ruins, mas sempre com a expectativa de que seria questão de tempo para o time se acertar e voltar ao caminho das vitórias. Porém, somos bombardeados por notícias ruins dia após dia, o que desanima até o mais empolgado dos torcedores.

Sabemos que existe pressão pelo poder. A movimentação em torno das eleições, que só ocorrerão em 2019, começou de maneira prematura. Também sabemos que existe uma parcela – pequena, mas barulhenta – de torcedores rabugentos que reclamam de qualquer atitude, a ponto de ridicularizar um patrocinador do clube em troca de “curtidas”. Estas atitudes contaminam o ambiente, mas, convenhamos, não são os únicos problemas. Existe um grave problema já detectado pela torcida – e neste caso não me refiro somente aos “reclamões”, mas também aos torcedores conscientes – que tem atrapalhado bastante: os erros internos da direcão do clube.

Fala-se de gestão como se o clube em algum momento nos últimos 20 anos fosse um exemplo de eficiência. Tivemos resultados positivos em campo, o que foi ótimo, mas por mais incrível que possa parecer, isto tem pouca relação com qualquer tipo de modelo de gerenciamento. Os anos de bonança por conta da parceira com a Unimed nos deram títulos, ídolos, bons momentos, mas também nos fez dependentes. Não estou culpando a empresa parceira. Este erro é exclusivo daqueles que estiveram à frente do clube por todos estes anos e nunca se preocuparam em criar um processo eficiente de governança, que desse eficiência e sustentabilidade ao clube. A adaptação à nova realidade não tem sido fácil, passamos por um dolorido processo de transformação. Respeito quem assumiu o clube neste período pós-Unimed, entendo as dificuldades e até mesmo alguns erros cometidos. Acontece que três anos já se passaram, tempo suficiente para ganhar experiência e adquirir as capacidades necessárias para levar adiante um clube da importância do Fluminense. Não dá mais para culpar o passado.

Ações têm sido tentadas no sentido de fazer do Fluminense um clube melhor. A aliança das últimas eleições tinha um objetivo claro: evitar que o Fluminense fosse entregue novamente à práticas obsoletas e nocivas e trazer uma maior renovação nos quadros dirigentes. Novos grupos, com novas ideias e práticas, juntaram-se à gestão do clube. Logo de princípio ficou claro que o Fluminense só se tornaria sustentável se conseguisse se organizar financeiramente, o que, de forma simples, significa gastar menos do que se ganha. Desafio difícil para um clube que começa com um rombo financeiro inesperado, fruto de atitudes erradas no ano anterior e que possui uma folha salarial do futebol muito elevada.

Foi contratada uma auditoria interna para identificar os problemas. Uma estrutura executiva mais moderna foi estruturada com o objetivo de se tirar o peso político das ações administrativas. Parte do grupo – neste caso, a Vice-Presidência de Finanças do clube – assumiu a responsabilidade e iniciou um difícil trabalho de recuperação financeira, visando diminuir gastos e resolver o problema de atrasos de salários dos jogadores, que tanto afetou o desempenho do time no passado. Ações extremas, porém necessárias, foram tomadas, como a renegociação de salários e rescisões de contrato.

A questão é que o todo só funciona se existir sinergia entre as partes. Qualquer planejamento, por melhor que seja elaborado, vai por água abaixo se a execução é pífia. Não é possível tantos erros de comunicação. Não é aceitável deixar o clube exposto a risco de perda de direitos financeiros de jogadores por conta do não pagamento de obrigações. Não é razoável deixar que jogadores fiquem sabendo de dispensas pela imprensa no início de temporada. A meu ver, o presidente Abad tomou um caminho errado, o do centralismo político. Não escuta sua base de apoio, assume atitudes intempestivas que levam a erros graves, como o recente episódio dos ingressos. Seu papel de mandatário seria o de unir os grupos me torno de um projeto para reerguer o Fluminense ao patamar que lhe é destinado. O que se percebe é justamente o contrário: disputas por feudos e cargos em detrimento do clube.

É inevitável que estas atitudes gerem insatisfações, tanto internas como externas. Não se pode perder de vista o motivo principal da união formada nas últimas eleições: evitar que o Fluminense fosse terceirizado para interesses pessoais.

Atitudes precisam ser tomadas. Ou o presidente Abad assume esta missão ou corre-se o risco de por tudo a perder.

O que seria uma pena.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @paulotiburciojr

#JuntosPeloFlu

Imagem: bit

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