Flu no Z-4: fotografia sem Photoshop (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, acontece muitas vezes no futebol de os resultados se distanciarem e divorciarem do desempenho. É o que acontece com o Fluminense da Libertadores, com 66,6% de aproveitamento, líder invicto do seu grupo e com duas partidas por jogar em casa.
Tais resultados sugerem, para quem não está acompanhando, um time que joga bem. Afinal, não é tão comum que uma equipe tenha 66,6% de aproveitamento com 75% dos jogos disputados fora de casa.

Acontece que o que há de comum nas quatro partidas disputadas até aqui, além dos bons resultados, é a ausência total de qualidade no futebol praticado pelo Fluminense. Ouso dizer que, se repetidas as atuações recentes, mesmo jogando as duas últimas partidas no Maracanã, nossa classificação ainda não está definida.

Há quase um ano venho denunciando aqui o declínio tático e, às vezes, técnico do time do Fluminense. Apesar disso, o Fluminense aparece na foto após um banho de Photoshop, com a imagem devidamente tratada e melhorada pelos resultados e por narrativas desconectadas da realidade.

O último tratamento foi a conquista da Recopa, diante do razoável time da LDU, que mascarou algo mais grave: a ampliação do declínio tático, agora também técnico, físico e motivacional.

Parcimônia que não tem tido o Campeonato Brasileiro, como não teve o Estadual, quando enfrentamos adversários mais qualificados do que aqueles com que nos deparamos, até aqui, na fase de grupos da Libertadores.

O Fluminense no Z-4 do Brasileiro é a fotografia sem Photoshop, evidenciando todos os defeitos de um time envelhecido, mal escalado e sem soluções dentro de campo para enfrentar adversários cada vez mais difíceis, como o São Paulo da última segunda-feira.

O Fluminense do Z-4 tem cores e temas fortes, como o fato de só ter vencido uma de onze partidas contra equipes da Série A do futebol brasileiro. O que nos coloca como candidatos a vivermos uma temporada brigando contra o rebaixamento, algo que tratei aqui após a derrota vergonhosa para o Corinthians.

Curiosa e perigosamente, a distorção aconteceu ao contrário no jogo contra o São Paulo. O resultado escondeu possíveis boas notícias. Apesar da inquestionável superioridade são paulina, vimos o Fluminense, ao quebrar a compacta primeira linha de marcação adversária, conseguir acelerar as ações ofensivas. Graças a um time em que estiveram ausentes alguns dos medalhões.

Alexander mostrou bons argumentos para recobrar a condição de titular, Marquinhos, depois do esporro, se tornou uma boa arma ofensiva, Keno voltou bem, dando verticalidade às nossas ações ofensivas e Kauã Elias, embora algumas vezes atabalhoado e tomando decisões erradas, mostrou que pode evoluir com continuidade nas escalações, o que acho pouco provável.

Até Marcelo mostrou claramente em que situações deve entrar em campo. Foi mais produtivo atuando por 10 ou 15 minutos, do que atuando no jogo inteiro. Algo que já acontecera na final contra a LDU, mas que parecer ter passado despercebido pela nossa comissão técnica.

Aliás, num tirambaço de fora da área, Marcelo acertou a trave. Seria nosso gol de empate, mas, nesse caso, mais uma vez teríamos sido submetidos a um banho de Photoshop, conquistando um resultado não merecido e deixando o Z-4.

É melhor que a realidade fique estampada para que todos vejam, mesmo os que não querem ver. O Fluminense está no Z-4 porque joga futebol de Z-4 nesse Brasileiro. O que não se pode ignorar é que, fosse outro o adversário, poderíamos, com o futebol apresentado contra o São Paulo, ter obtido uma vitória justa.

O jogo do Morumbis não pode ser tratado como mais um episódio do mesmo filme de terror, exceto pela atuação de Fábio, que esteve dividido entre ser nosso goleiro e atacante do adversário. O gol de empate acontece, inclusive, num momento em que éramos superiores ao São Paulo e encontrávamos espaços para progredir em sua intermediária, com grandes possibilidades de ampliarmos a vantagem.

Ouso dizer que perdemos o jogo naquele momento, porque é até difícil sobreviver a algo tão bizarro como os erros do nosso goleiro, que costuma ser a nossa reserva de segurança e proficiência defensiva. Não que Diniz não tenha tido o seu papel em tudo isso. Exceto haja uma explicação razoável para a substituição de Martinelli no intervalo, fragilizando nosso meio de campo em todos os sentidos.

Deveríamos estar dizendo aqui que com a escalação de ontem, com certos ajustes, poderíamos esperar a volta de um pouco mais de Fluminense do Diniz contra o Cerro, na quinta-feira. Infelizmente, porém, os pontos positivos foram apagados das análises pelo resultado e pela excelente partida do bom time do São Paulo.

O que acaba por respaldar, de certa forma, a escalação tacanha que levaremos a campo na quinta-feira. O que aconteceu de bom e de ruim contra o São Paulo vai, infelizmente, fazer volume e peso no balaio de gatos, fortalecendo a política que pode nos levar para a Série B em 2025.

Saudações Tricolores!

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