Flu 116 (por Paulo-Roberto Andel)

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These are the days of our lives.

O velho escudo elegante mantém a pose altiva. Imagine-o no inesquecível placar de lâmpadas do Maracanã, que durou de 1978 a 2007, desfilando da esquerda para a direita multiplicado por três, até piscar na tela e a turba vir abaixo numa nuvem atômica de pó de arroz.

Ok, este aniversário é de vacas magras, magérrimas, até difíceis. Já tivemos outros assim. A vida não se limita à edição dos melhores momentos. Sigamos em frente.

Temos cicatrizes pacas, mas também músculos marcados que já carregaram muitos troféus e conquistaram vitórias tidas como impossíveis. Se dependesse dos jornalistas, o Flu seria virgem de títulos: nunca lhe viram como favorito, nem mesmo quando o óbvio estava do nosso lado.

O Fluminense faz aniversário em seguida ao Dia do Amigo e isso deve – ou deveria – ter algum significado. É também o time dos artistas imortais, dos fantásticos intelectuais, do charme, do élan, do velho escudo elegante que atordoa, persevera e também incomoda. Ok, atualmente vemos alguns neandertais de araque tentando se promover às custas do Flu, mas eles passam, é questão de tempo e nem de longe representam a essência tricolor. Nenhum intruso metido a besta é o dono da festa, a história do Flu não é escrita com bravatas de Facebook de fofocas.

O Fluminense é a soma de muitos Fluminenses. Vencedores ou vencidos, brilhantes ou foscos, famosos ou discretos, todos eles são personagens de uma história apaixonante há mais de um século, com capítulos e páginas que desafiam definições.

O que é ser Fluminense? Ninguém tem essa resposta, mas é certo que se trata de um encantamento pelo que não é óbvio, pelo que não é fácil, pelo que é denso e exige mergulhos de reflexão. Não é apenas por um gol ou um título, mas por um comportamento, um estado de espírito, um estilo de vida. O Fluminense é uma atitude diante da vida.

É perseguir um lindo uniforme todo branco – ou tricolor – e espiar as jogadas de Romeu Pelicciari em fins dos anos 1930. Ou Didi com sua categoria monumental em 1952. Apaixonar-se pela categoria da Máquina, chorar com as arrancadas de Edinho em 1980, esgoelar-se pelos meninos no começo de 1989, chorar de emoção com a humildade de Super Ézio em seus mais de cem gols. Ou vir disso tudo até aqui e gritar pelo golaço do Pedro contra o Vasco na quinta-feira passada.

Cada um é Fluminense de um jeito, por um motivo. Todos são nobres. Os erros dos homens ruins não estão acima do nosso amor maior, que a cada 21 de julho renova suas esperanças, passeia pelos arcos do triunfo e procura no horizonte pelo futuro, aquela tal imortalidade tão bem desenhada pelo gênio maior de Nelson Rodrigues.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

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