Fla x Flu, uma final imprevisível (por Paulo-Roberto Andel)

Depois de tudo que aconteceu nestes últimos meses e dias, a alegria de uma decisão Fla x Flu serve para levantar minimamente o astral de tantos corações machucados pelo Brasil afora.

Não que o futebol tivesse que ter voltado, de forma nenhuma. Aliás, foi o Fluminense, ao lado do Botafogo, que lutou contra isso. Mas a opressão venceu essa batalha, aliada ao que há de pior no Brasil – e se deu mal na disputa da Taça Rio.

Muita conversa para lá e para cá, de que o adversário teria feito corpo mole para provocar uma decisão. Sem renda, sem público, com duas das três transmissões na mão do Fluminense? Difícil encontrar sentido. Seria menos ridículo admitir que o Fluminense, que vinha muito mal na retomada da competição, acabou fazendo um primeiro tempo surpreendente e engoliu o ex(?)-mais querido da Rede Globo, principalmente por estar mais renovado em campo. A boa performance o credenciou a entrar em condições de disputa equitativa na final que começa logo mais.

O Flamengo tem mais jogadores de qualidade, mais elenco e isso é uma realidade, ainda que pouco importe numa decisão, onde forças díspares costumam se equilibrar. Ah, costuma ter também a sorte de muitas arbitragens equivocadas a seu favor. Pela teoria, seria o favorito, só que o futebol vai muito além da lógica e, por isso, não o é. Há equilíbrio na disputa e pode acontecer qualquer coisa.

Um pouco de história para temperar o prato: nos últimos sessenta anos, uma boa amostra, o Flamengo conquistou o título estadual sobre o Fluminense em quatro oportunidades: 1963, num empate em zero a zero, tomando bola no travessão no fim do jogo; 1972, vencendo bem; 1991, vencendo mas jogando 11 contra 9 e, finalmente, em 2017, quando construiu sua vitória com um gol completamente irregular de Rever, derrubando Henrique para marcar. E perdeu 1969, 1973, 1980, 1984 e 1995. Assis 1983, por incrível que pareça, não foi o jogo final pois se tratava de um triangular com o Bangu. Em todas estas oportunidades o Fluminense não era tudo como favorito, e nada o impediu de conquistar os títulos.

Voltando para o momento: por mais que tenha um melhor time e elenco, o Flamengo só conquistou a Libertadores num milagre, depois de ter sido engolido pelo River Plate, e não viu a bola diante do Liverpool. Nem de longe é o super time outrora decantado pela imprensa esportiva. Para piorar, tem em figuras como Diego Alves, Rafinha e o patético Jorge Jota um componente que costuma rimar com derrotas: a empáfia.

Um eventual título do Fluminense nesta semana será surpreendente pelo conjunto da obra, mas não pela reta final e pela história. Não mudará os inúmeros problemas que temos e nem nos credenciará a um Brasileirão tranquilo. Mas que poderá ser um belo tapa na cara dos idiotas da objetividade, poderá e muito. Eu mesmo, que andei muito desesperançoso depois da volta, renovei minhas energias com a conquista da Taça Rio. Diante das limitações tricolores e do poderio rubro-negro, a conquista do esvaziado Carioca será uma linda página da história tricolor caso se confirme, provando que é possível derrotar forças descomunais fora das quatro linhas.

De resto, é sinceramente imprevisível. Pode acontecer qualquer coisa. Muito se fala dos times, da tática, mas falta nessa decisão um componente essencial: torcida na arquibancada. A nossa já virou jogos impossíveis, a deles já foi uma força da natureza.

Sobre Flu TV. A transmissão foi excelente. O adversário (adorei isso) passou quarenta anos com a narração e os comentários a seu favor; quando encarou o contraditório, chiou.

Veteranos: todos no Fluminense podem e devem ser substituídos, inclusive Nenê, que corre e luta mais do que todos os outros. É preciso escalar e substituir com inteligência. Ganso vinha muito mal, a torcida comemorou. Já Fred, que entrou mal, tem a anuência da natural idolatria e fica de fora por problemas oculares. É um desfalque por sua experiência e categoria em finais, mas também é preciso entender que, mesmo que o problema de saúde não acontecesse, ficar no banco e ser substituído deve ser algo comum para qualquer jogador próximo do fim da carreira. Vale para todos, até os maiores artilheiros da história do clube.

Muriel: a disputa de pênaltis na Taça Rio elevou sua confiança e moral. É um dos trunfos para esta decisão de 180 minutos.

Hudson: meu respeito ao jogador que ajudou decisivamente o Fluminense a ir à final, salvando um gol certo no fim da partida de quarta.

É isso. O futebol jamais deveria ter voltado, mas já que aconteceu, um título tricolor cai muito bem. Torçamos, pois. NENSEEEEEEEEEEEEEEEE!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

#nonatemporada

2 Comments

  1. Boa tarde, O Hudson nao apenas salvou o gol. Correu por todo o campo, combateu, fez cobertura e apoiou o ataque. Jogou muito!

  2. Dia 12 de julho dia simbólico em Homenagem à João Saldanha, por sua última partida em relação ao que sempre com muito amor lutou pela vida digna do povo brasileiro,Digo ”
    “Obrigada João por nós ter dado tanto”
    – e se possível ,aonde quer que se encontre feche o nosso Gol.

Comments are closed.