Fla x Flu, sempre Fla x Flu (por Ernesto Xavier)

Um Fla-Flu é sempre um Fla-Flu. Seja com titulares, reservas, em tempos de vacas magras ou gordas, no Rio, em Juiz de Fora, Natal ou Cariacica. Um Fla-Flu desperta os sentimentos mais profundos e primitivos em torcedores dos dois lados. Coloque as camisas tricolor e a rubro-negra em garotos pernas-de-pau e verão em ambos o espetáculo da disputa que se iniciou 40 minutos antes do nada.

Enquanto os times viajam para o Espírito Santo, aqui ficamos mais uma vez órfãos de nosso time, em terras cariocas devastadas por uma crise moral, social e política. Uma crise que exterminou o Maracanã, afastou o torcedor dos estádios, quis fazer clássicos com torcida única e relegou os Estaduais à categoria de torneios de várzea.

Mas aí vem o clássico e nos faz relembrar que há 105 anos atrás vencemos o primeiro dos grandes clássicos por 3 a 2, jogando com o “time reserva”, sobre os dissidentes que resolveram formar um time de futebol no clube de remo. Mostramos o porquê nos “Fla-Flus é um ‘Ai, Jesus’”.

Somos cercados de símbolos, mitos, magia. Algo que talvez remeta a tempos pré-históricos, onde a disputa por território era uma questão de sobrevivência. Assim somos ao entrar em campo. Era isso que o menino de 9 anos via quando o pai o colocava no colo para que visse o time entrar em campo no meio de uma multidão que nunca mais vimos. O gigante de cimento e vergalhão que morreu para dar lugar a uma insípida arena, que poderia ser em Berlim, Pequim ou Moscou. Sem alma, o que dá a ela um ar de nostalgia e vida são as cores clássicas “subindo o fosso”(que já não é fosso) e a torcida rubro-negra estarrecida com nosso pó-de-arroz abençoando os filhos de João de Deus. É nosso ritual, nossa seita…ou seria religião? É o que nos leva adiante mesmo quando a inferioridade técnica bradada por todos “especialistas” nos faria pensar na impossibilidade da vitória. Quem um dia duvidaria de nós?

Não aprendem.

Nada temos a provar, mas sempre fica aquele gosto de que é bom fazer o adversário “quebrar a cara”. O adversário, no caso, é a imprensa. Aquela que nos chamava de timinho, que nos massacrou em 2013, incitou a violência contra a nossa torcida e Instituição.

Se não acreditam, melhor assim. Não somos feitos de obviedades.

Ao pisarmos os gramados capixabas, terra onde temos grande torcida e bons resultados recentes, seremos o Fluminense, independentemente de quem vestir a camisa. É o Tricolor de Nelson Rodrigues, Cartola, Chico Buarque, Castilho, Preguinho, Rivelino. É arte e suor. Sem esforço e transpiração não existiria o sublime.

O mundo deveria parar. Talvez pare e não reparemos. Não há espetáculo igual na Terra.

Sério, amigos.

Não é uma questão de craques, jogadores caros, mas sim de história.

Eles podem não saber, mas ali estará sempre o Fla-Flu da Lagoa, o gol de barriga, o Carrasco fazendo gol no Raul aos 45.

Ganhar Fla-Flu é normal, mas é bom demais.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @nestoxavier

Imagem: xavi

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