O Fla-Flu sempre vale (por Paulo-Roberto Andel)

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Escrevi outro dia que a hora para valer era a das semifinais do Carioca, este campeonato que já foi disparadamente o mais importante do país e que agora agoniza por causa da politicagem e da Globo – que, para atender todas as suas comodidades, retira todo o equilíbrio esportivo com poucas praças de jogo.  É, mas me enganei: hoje tem Fla-Flu e o clássico maior sempre vale, mesmo com regulamentos esdrúxulos.

Limitado, esforçado e carente de reforços essenciais – não adianta dizer que não há dinheiro, é preciso ter competência para gerá-lo -, o Fluminense tem logo mais uma grande chance de levantar o astral para os próximos passos à frente. Ganhamos no Pantanal e foi maravilhoso, mas hoje é a hora de espantar climas ruins e priorizar o campo, a arquibancada (mesmo que longe da lotação que o clássico merece), das cores, da camisa. Que ninguém venha com aquela conversa de time reserva porque todo mundo ali custou bem caro.

Outros próceres já escreveram: não é dia de oportunismo politiqueiro e sim de apoiar o Fluminense, exceto para os panfleteiros profissionais. Aliás, essa é uma das razões do afastamento da torcida, dentre muitos outros: o ódio que cerca o Flu desde 2016 diariamente, às vezes voluntário, muitas vezes por encomenda. Importante lembrar que a suposta Fla Imprensa deles torce a favor, enquanto a suposta parte da Flu Imprensa torce descaradamente contra. Se eu fosse candidato de oposição no clube, teria vergonha de capitalizar essa patifaria. Uma coisa é estar muito puto com Abad, Flusócio etc com justiça, pois. Outra é pagar de flamenguista enrustido ou marionete de tenebrosos interesses. Importante não confundir as coisas.

Eles têm alguns jogadores melhores, nomes badalados e muita manchetagem. No campo, nem sempre justificam tal condição. Por que deveríamos temê-los ou falar de pré-goleada? Não faz sentido algum. Não me canso de lembrar: em 1981, no auge deles, nós ganhamos por 2 a 1, Zezé Gomes e Altair. O nosso time não era tão diferente assim do de agora, e a Gávea não tem mais Zico, Júnior etc.

É partida braba, pra se jogar com o coração, como disse o Paulo Rocha. Garra, atitude, camisa. Sempre foi assim, desde os 3 a 2 de Barthô em 1912, de Flávio em 1969 e, claro, de Renato em 1995. Eu confio, sempre confio. E quero essa vitória demais: se ela não nos garante absolutamente nada em termos de temporada, no mínimo serve para um exercício de autoconfiança e de autoestima, que o Fluminense e a torcida andam precisando há tempos. E para impedir que o rival vá direto para a final do campeonato, ora.

Quem puder, vá. Não podendo, vale a TV, o botequim, a internet e o velho radinho, qualquer coisa. Importante é torcer pelo Flu, é ser a favor, é passar boas energias. Ninguém passa o dia inteiro escrevendo contra o clube à toa, não sejamos ingênuos. Se aqui cabe o modesto conselho de um cara com quarenta anos de Fla-Flu e algumas realizações, deixem pra lá essas porcarias de redes antissociais: mirem no Fluzão. Depois, se não passarmos, criticar é válido – e atualmente o que mais essa gestão merece é crítica; agora, nada de pagar de massa de manobra da FlaPress e suas associadas enrustidas.

Eu estava lá quando Cristóvão acertou aquele drible sensacional e fez um gol de placa, quando o Paulinho Goulart defendeu o pênalti de Zico (sete anos antes de Joel Bats), quando Amauri invadiu livre aos 45 do segundo tempo e trouxe um bom presságio para Assis. Já são quarenta anos, estou velho demais para achar que futebol é obviedade, que o Fluminense não é capaz de superações, que alguém clássico tem pré-vitorioso antes da bola rolar. Já vi tantas vitórias tricolores no Fla-Flu que perdi o direito de confiar em mais uma, por mais improvável que fosse em qualquer cenário – que não é o caso desta quinta-feira.

O chavão é conhecido, mas nem por isso menos preciso: ganhar Fla-Flu é normal. São nove da manhã e já estou torcendo como nunca. Eu acreditei em Valtair, Zezé Gomes, Amauri, Dacroce, Dirceu, Roni e mais um exército de gentes. Eu sempre acredito.

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Se o Fluminense jogar o Fla-Flu com 10% da garra e da atitude do Pearl Jam no Maracanã ontem, já está na final da Taça Rio 2018. Showzaço. Meu abraço ao meu irmão Leo Prazeres, mais uma missão juntos – e que missão.

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Nesta sexta (23), no programa Rede Escola da TV Escola às 19 horas, sou convidado para falar de ninguém menos do que Nelson Rodrigues – que honra! A apresentação é do cracaço Ernesto Xavier, por muito tempo nosso colaborador no PANORAMA. Todos mais do que convidados.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

#JuntosPeloFlu

Imagem: pan

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