Finados tricolores, vivos demais (por Paulo-Roberto Andel)

Pelo menos na hora desta redação, o Dia de Finados parece diferente. Tradicionalmente um dia de chuva, hoje tem réstia de sol à janela, pelo menos por enquanto.

Dia de celebrar a saudade e, de alguma forma, tentar compensar a ausência física das pessoas queridas.

Ao contrário do que alguns pretendem defender, a história do Fluminense brilha intensamente por causa dos finados. Num clube a caminho dos seus 120 anos, os mortos tricolores estão cada vez mais vivos e presentes, cada um à sua maneira.

Quarenta anos depois de sua passagem, Nelson Rodrigues está condenado à eternidade, a mesma que ele previu certa vez como a vocação do Tricolor. Não existe um dia na Terra em que alguém da nossa torcida não fale de Nelson, um personagem permanente desta casa por motivos óbvios.

O mesmo vale para Castilho. O goleiro que é uma legenda tricolor nos deixou há mais de trinta anos, mas é como se entrasse em campo a cada nova partida e, toda vez que o nosso arqueiro se destaca, alguém diz que teve um dia de Castilho. Não é fácil para nenhum goleiro, assim como não o é para qualquer saxofonista que seja comparado a John Coltrane, ou para um violonista comparado a Baden Powell, por exemplo.

O Rio é festa e, apesar de triste por ora, é samba também. Quando o assunto é esse, se puxarmos pela excelência vamos cair em Cartola, o poeta maior, fundador da Mangueira, um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos, verdadeiro escudo tricolor da música e digno representante de uma linhagem com nomes como os de Délcio Carvalho e Wilson Moreira.

Se formos falar de teatro, beira à covardia. O Fluminense já começa escalado com Sergio Britto e Ítalo Rossi. Quer mais música? Tome Tom Jobim. Precisa de humor? Chame Tião Macalé. Literatura? Sérgio Sant’anna. Arquitetura? Casé e Niemeyer. Cinema? Saraceni.

Como se lê, não basta ter os craques: escalamos os melhores com facilidade.

Voltando ao campo, nossos personagens finados são inesquecíveis, desde veteranos como Marcos Carneiro de Mendonça, Welfare, Brant, Romeu Pelicciari, Batatais e Tim dentre muitos, como outros que se foram bem antes do justo e razoável – ninguém é melhor exemplo do que o fabuloso Casal 20 de Assis e Washington, heróis que vemos diariamente em fotos ou pelo YouTube. Maravilhosos!

A Máquina Tricolor, obra da natureza que o tempo jamais abalará, é louvada regularmente pela famosa foto de 1976, mas se juntarmos a escalação de 1975, temos uma lista de personagens maravilhosos do Fluminense: Félix, Toninho, Silveira, Rodrigues Neto, Doval, Dirceu, Carlos Alberto Torres, Mário Sérgio, Assis, Cléber. Estão mortos porque o destino é inevitável, mas todos estão muito vivos na presença e memória de torcedores que, em alguns casos, sequer os viram atuar.

“Se quereis saber o futuro do Fluminense, olhai para o seu passado”. A definitiva sentença de Nelson é a maior celebração que o Fluminense pode ter hoje. Estamos vivos e ativos, o campeonato brasileiro aí está que não nos deixa mentir, mas carregamos conosco uma longa trajetória que não cabe nesta coluna e nem num livro inteiro.

É uma longa estrada que vem de Oscar Cox, passa por Arnaldo Guinle e atravessa o século XX para dar as mãos a Manoel Schwartz, enquanto os nossos maiores personagens construíram anonimamente uma linda arquibancada dos céus, cravada bem no meio de uma espessa nuvem de pó de arroz. Ricos, pobres, sofridos, felizes, todos foram e são pequenos pedaços de uma imagem que perseguimos e continuaremos a perseguir para sempre.

“Nas situações de rotina, um ‘pó-de-arroz’ pode ficar em casa abanando-se com a Revista do Rádio. Mas quando o Fluminense precisa de número, acontece o suave milagre: os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas.”

Só o Fluminense tem o Careca, o Chico Guanabara, o Tato, o Seu Armando, a Tia Helena e o Zezé – que se faz de morto mas está muito vivo.

Só o Fluminense tem Ximbica.

São muitas Taças Olímpicas de carne e osso, agora de lembranças e pensamentos.

Os finados tricolores carregam uma bandeira eterna que é sacudida bem no meio de campo da nossa saudade.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

#credibilidade

7 Comments

  1. Sim o Flu assusta, porém mais que o Fortaleza. Ganhamos do Sao Paulo que meteu 4 no time do mal. Todos que perdem para o Flu se diz que jogaram mal, claro nosso time os impediu de jogar. Agora é necessario que apoiem também ao Odair pois merece respeito. A alma deste time é o técnico.

  2. Verde ,Grená e Branca
    Saudações …Tricolores
    Salve nossa Banca
    aposta, lembrança de amores
    Texto belo que facina
    Saudades que cantam…
    Vamos pra cima Fluzão …..!

  3. Verde ,Grená e Branca
    Saudações …Tricolores
    Salve nossa Banca
    aposta, lembrança de amores
    Texto belo que facina
    Saudades que cantam…
    Vamos pra cima Fluzão …..

  4. Verde ,Grená e Branca
    Saudações …Tricolores
    Salve nossa Banca
    aposta, lembrança de amores
    Texto belo que facina
    Saudades que cantam…
    Vamos pra cima Fluzão ….

  5. NA ESCALADA DA PARANORMALIDADE E DO ESOTERISMO, AQUI, NESSE DIA ONDE A CHUVA É INFALÍVEL, TRATA – SE, ENTÃO, RENDER HOMENAGEM PERENE A ESSES NO ALÉM OPTANTES A AINDA INFLUENCIAR A NÓS OS VIVOS, A TORCERMOS INCONDICIONALMENTE E A JAMAIS NÃO SUBMETERMO – NOS ÀS FRÁGEIS E CONTUDO SORRATEIRAS E TRAIÇOEIRAS MANOBRAS DESSES A SE ARVORAREM, MAIS VIVOS…OLHO VIVO, PORQUANTO CAVALOS NÃO DESÇAM ESCADAS E NAQUELES PLANTÕES NOTURNOS ERA O BORDÃO DO VELHO TURCO E NEGOCIANTE, ALÉM DO QUE SE DIZIA…

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