Falta o dez (por Walace Cestari)

walace green

É repetitivo falar que o Fluminense agora tem um time. É nítida a evolução e não restam dúvidas de que o trabalho de Levir Culpi começa muito bem. Seu grande mérito, já repetindo as ideias que estão por aí, foi fazer o simples, não inventar. Temos um treinador, não mais um professor Pardal.

Dois pontos são importantes nessa boa fase da equipe e que merecem ser destacados. O primeiro é que Levir trouxe confiança para boa parte dos jogadores do elenco. Nosso elenco, sabemos isso há muito, não é ruim; pelo contrário, temos bons valores individuais. Ainda que não sejam craques, temos bons jogadores que seriam titulares na maioria das equipes da série A.

No papo individual ou no jeito honesto de trabalhar, Levir conseguiu fazer com que esses jogadores se dispusessem a mostrar o que sabem. E perderam o medo de errar. Assim, tentam as jogadas e fazem prevalecer a boa técnica que possuem. Isso cria um círculo virtuoso, no qual os jogadores sentem-se à vontade para buscar as melhores jogadas.

A honestidade de Levir vem junto de um trabalho positivo junto ao grupo. As chances para os jogadores aparecem, mesmo que ele tenha definido claramente uma equipe titular. Os reservas têm chances e parecem dispostos a aproveitá-las. Tudo isso colabora para o espírito de grupo e o jogo coletivo. Basta ver a forma Levir de gerenciar no caso Pierre, que saiu do Atlético pela chegada de Levir e que agora ganha a titularidade pelas mãos do mesmo Levir. Isso ganha um grupo inteiro, tenham certeza.

camisa 10 flu observatorio

O segundo ponto é, para mim, o crucial dedo do treinador. Desde o meio do ano passado o Flu parecia um bando em campo; mas isso não se modificou apenas pela introdução do 4-4-2, como pode parecer. O trabalho de Levir é visivelmente focado no posicionamento dos jogadores em campo.

E isso parece obrigá-los a aceitar a estratégia de Levir: posse de bola e troca de passes. Repare como o Fluminense não sai mais à base dos chutões. Mesmo quando pressionada, a zaga busca tocar a bola e encontrar o companheiro. Com essa obrigação, torna-se necessário estar atento ao posicionamento e isso torna o time mais compacto e mais coletivo.

É claro que essa postura expõe a equipe a erros, como saídas equivocadas e passes que podem armar contra-ataques. O interessante é que Levir parece disposto a aceitar esses riscos e isso é muito bom. Assim, consegue, inclusive, dar mais confiança aos jogadores e implementa uma filosofia de equipe, permitindo que mudanças de peças não interfiram em estratégias de jogo.

Adiantar marcação, recuar de forma compacta e movimentação dos jogadores têm dado certo, criado jogadas e impondo o estilo tricolor aos adversários. Falta ainda um pouco de preparo físico ao grupo, mas esse não aparenta ser um problema no horizonte futuro.

Entretanto, pensando no Brasileirão, vemos a importância que Gérson tem em um esquema de passes: precisamos de quem pense o jogo, de quem o distribua. Gérson cresceu de produção nesta filosofia, mas nos deixará no meio do ano. Quem fará esse papel? Cícero? Higor? Robert? Não vejo ainda uma solução. O mercado poderá nos dar essa resposta.

PS.: O Fluminense adora transformar laterais direitos medianos em bons laterais esquerdos. Lembram do Paulo César? Wellington Silva é um leão na lateral esquerda e tem cruzado melhor de canhota que os originais da posição.

Ps2.: E o Édson, hem? Pensei que agora ele ia engrenar de vez, mas nem no banco tem aparecido…

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: wc/observatorio do fluminense

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