O patético êxtase da derrota (por Paulo-Roberto Andel)

Outra rodada se passou e não há como não se frustrar com o avião tricolor que não decolou neste sábado.

Desta vez, nem saiu do chão e, numa péssima partida, perdemos para o Vasco. Jogamos mal praca. Alguma coisa aconteceu? Vamos saber. Sim, houve. Aguardemos os próximos capítulos.

Entretanto, por mais que seja algo bastante indesejável, é um fenômeno que vem se repetindo com regularidade nos últimos 25 anos e, por isso mesmo, está muito acima dos argumentos até pueris dos panfleteiros políticos de plantão. É só pesquisar e concluir que trocentos dirigentes estão nesta lista de insucessos.

O momento, o mau resultado, a não decolagem, a (nova) ausência de público, a expectativa pela volta de jogadores, a necessidade de emplacar no ano, a sobrevivência diante da penúria financeira, tudo isso deveria compor um grande caldeirão de reflexões para uma análise minimamente justa sobre o Fluminense, em vez da tradicional boquirrotagem após cada derrota, num estranho e patético êxtase sem sentido: “Tá vendo? Eu avisei!!!! Por isso votei no outro!!!!” (e tome exclamações ridículas).

Para quem tem perto de 50 anos de idade, torcer pelo Fluminense tem misturado conquistas espetaculares com sofrimentos lancinantes e muita, mas muita dificuldade. Em nome disso, conforme cada conveniência, são propagadas verdadeiras histórias da manga com leite que mata: “a torcida sempre lotou”, “com Unimed ganhamos tudo”, “Mário salvou o Flu”, “não somos grandes porque não temos Libertadores”, “Gonzalez colocou o Flu na terceira divisão” e outras bobagens que não se sustentam com dez minutos de pesquisa no Google. Definitivamente, se tem uma coisa que nunca vai ajudar o Fluminense em nada é o culto a personalismos ocos, bem como a distorção de fatos.

Neste 2017, temos um time razoável, jovem, com defeitos e qualidades, ainda por amadurecer, com o terceiro melhor ataque do Brasileirão, dos que menos perdeu e que, mesmo com suas limitações, ainda pode conquistar posições acima na tabela deste Brasileiro. Para isso, será preciso isolar atuações pavorosas como essa contra o Vasco, a torcida participar e empurrar a equipe como já fez em inúmeras oportunidades (em 2009 havia mais guerreiros em campo ou nas arquibancadas ao preço módico de cinco reais?), a reestruturação financeira do clube resultar em capital forte para investimentos e, finalmente, o Fluminense voltar a ser um Fluminense só, em vez de dois – sendo um que um espera o outro falhar para debochar e tripudiar, como se a grande mídia já não fizesse isso regularmente.

Trata-se do mínimo, e mais não sei dizer, pois sou apenas um escritor (com algumas boas passagens acadêmicas) e não um MBA Business Master formado pela FARSA – Faculdades das Redes Sociais Atuais.

Vida que segue. Quarta tem Londrina e lá vem a maldita LDU.

Temos que melhorar muito.

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Em tempo: como raramente faço (já que prefiro debater ideias do que personas), aqui mencionei de forma tênue os senhores Celso Barros e Mário Bittencourt.

Ao primeiro, meu respeito e agradecimento por grandes momentos do Fluminense, ainda que tivesse críticas ao seu modelo de patrocínio e que nem sempre os grandes investimentos tenham sido capazes de evitar temporadas como as de 2003, 2006, 2008, 2009 e 2013.

Ao segundo, meu respeito como torcedor do Fluminense, ainda que a recíproca não seja verdadeira.

Não votei em nenhum dos dois e não votarei, o que apenas traduz minhas convicções como sócio do clube, sem levar em conta qualquer questão pessoal (porque, se levasse…).

É que não escrevo por like$ nem vendo minhas opiniões.

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É o fim da picada que esses sujeitos da Sunset (empresa de segurança do Maracanã) venham, sob qualquer hipótese, intimidar torcedores do Fluminense em situação pacífica.

Vento que venta lá, venta cá.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: Cesar Guedes

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