Existe vida na Terra sem a Unimed? (por Paulo-Roberto Andel)

IMG_20140923_094540Se você acredita que o modelo Unimed-Fluminense (nessa ordem mesmo) é a oitava maravilha do mundo, todo o agradecimento pela tua atenção, mas é melhor parar a tua leitura por aqui. Os parágrafos abaixo não são agradáveis para os fãs do modelo de investimento Barros. Respeito tua opinião, só não concordo com ela. Sigamos trabalhando. Não estou aqui para pagar de ridículo dono da verdade, assim como dispenso os postulantes a tal cargo.

Se você não se encaixa na descrição acima, novos e melhores parágrafos.

Já virou rotina: a cada dois ou três meses, o único modelo de investimento invasivo do Brasil se faz presente através de manchetes cuidadosamente planejadas para sacanear o Fluminense. Se o investidor não tem noção disso, o que é possível, eu, leitor de quatro décadas, tenho.

Não há tricolor nesta Terra que não seja grato à Unimed pelo apoio (modesto) ao Flu nos anos de chumbo. Foi uma relação de mutualismo: o Tricolor escapou da morte com a ainda patrocinadora e, por sua vez, esta, então desconhecida, ganhou uma visibilidade nacional a ponto de dominar seu segmento de mercado.

O resto da história é conhecido: a partir da contratação de Romário em 2002, no centenário do Flu, aos poucos a patrocinadora se tornou investidora. Com isso, títulos no cenário nacional foram conquistados (anos depois), o Fluminense se tornou o time mais respeitado da América num momento efêmero, as manchetes muitas vezes foram obrigadas a sinalizar positivamente sobre nosso time – o que muito lhes doeu. Mas o céu também foi inferno: arroubos e ingerências tiveram fartura e o maior patrocínio do Brasil estava estampado em lutas contra o rebaixamento em 2003, 2006, 2008, 2009 e 2013. Entre esses anos, boas colocações e voltas olímpicas.

No meio disso tudo, as eternas idas e vindas à beira do campo de um dos grandes heróis tricolores dos gramados: Renato Gaúcho.

Resumo: esquizofrenia administrativa com uma espécie de governo paralelo permanente, embora enrustido.

Há anos, o Fluminense deveria ter semeado alternativas que o libertassem das amarras Unimed, desejadas apenas por quem prioriza questões pessoais em vez do coletivo. Isso não aconteceu e espera-se que aconteça para ontem. Ao primeiro desconforto midiático do Sr. Celso Barros, tremula o desespero: o Fluminense vai acabar, o Fluminense vai morrer, o Fluminense vai para a sexta divisão, como se já não tivesse quase 97 anos de vida quando a investidora passou a ser conhecida. Como se nenhuma marca relevante tivesse interesse em agregar seu nome a uma camisa centenária e vitoriosa, atraente para milhões de torcedores e potenciais consumidores – ou alguém realmente acredita que a Unimed faz filantropia no Fluminense há mais de 15 anos?

Reducionistas tem o discurso pronto: sem a Unimed, o Fluminense jamais teria jogadores como Deco, Fred, Romário e outros grandes nomes em sua trajetória. Sem dúvidas. O que se quer questionar aqui é que se o modelo tivesse sido outro (contratações pontuais e criteriosas, valorização da base, revelação de talentos), talvez os resultados finais não tivessem sido tão distantes do que foi obtido pelo Fluminense, principalmente a partir de 2007. Aqui, apenas uma suposição plausível e só.

Hoje temos uma estrutura viciada, que engessa diretorias (não somente essa, por favor), põe em xeque a autonomia do clube, faz do Fluminense o alvo de ridículo e compromete todo o ambiente de trabalho, através de declarações debochadas e até mesmo de descaso do investidor em relação ao seu foco de investimentos. Isso explica muito das desrespeitosas expressões regularmente dirigidas hoje, ontem e bem antes aos Presidentes Siemsen, Horcades e Fischel. Os erros são deles; ao Sr. Celso Barros, cabem apenas as loas…

Os que acompanham meu trabalho no Panorama Tricolor já conhecem minha posição de franca renovação do atual elenco, envelhecido, lento e desmotivado. Para estar em sétimo lugar no campeonato brasileiro (ou até posição melhor), o Fluminense poderia ter um time que custasse 25% da imensa folha atual, sem desperdício dos melhores talentos da base, invariavelmente enviados para clubes do exterior. Nem preciso falar do ano passado, por sinal inteiramente controlado e gerenciado pela investidora.

Entendo que a reformulação também passa pela relação com a Unimed. Dado que reduzirá seus investimentos, por que não ter outra marca, seja dividindo espaço na camisa, seja exclusivamente?

O Sr. Celso Barros e sua empresa sempre contarão com meu respeito como torcedor por conta de toda uma história construída por muitos anos, história essa de muita beleza física mas também de varizes e cicatrizes. No entanto, respeitar não é fazer papel de capacho submisso e acovardado em troca de um dinheiro que, com trabalho e sacrifício, pode ser captado de outras formas, bastando para isso competência e atitude, sem que se precise abanar o rabo feito um inocente cãozinho.

A Unimed ajudou muito o Fluminense e por ele foi muito beneficiada nestes anos. Não foi nem é uma relação de amor, mas um negócio comercial onde as partes envolvidas movimentaram milhões. Todo bom negócio precisa ser bom para as partes envolvidas. E nenhum negócio é para sempre.

Tudo tem seu tempo.

Que a dirigência tricolor esteja por demais atenta.

Covardia não rima com o Fluminense e sua torcida.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: google

7 Comments

  1. Essa é a verdadeira história dessa parceria.
    Nosso presidente tem que colocar a empresa patrocinadora no lugar dela. O bom negócio tem que ser ótimo para as partes. Estamos de saco cheio do Celso querer definir o que é bom para o futebol do Fluminense. Gostaria de obter noticias de outras empresas interessadas em patrocinar o nosso time, assim poderíamos saber qual os valores que o mercado estaria a oferecer para substituir ou dividir o patrocínio com a Unimed.
    Abraços e respeito a todos.

  2. Assino embaixo em tudo que disse! É um resumo fiel do que foi essa parceria desde o começo! Mas esse modelo de patrocínio não dá! Impossível que o FLUMINENSE não consiga um patrocínio master que lhe renda, no mínimo, algo em torno de uns três milhões por ano, ou será que estou sendo otimista demais! Só não quero, pelo amor de DEUS, que nossa linda camisa precise, no futuro, com a saída, pra mim inevitável, da UNIMED, um macacão de fórmula I, como temos visto Brasil afora! Isso não, por favor! ST

  3. prezado Paulo Robeto Andel,

    Vc escreve: “…Como se nenhuma marca relevante tivesse interesse em agregar seu nome a uma camisa centenária e vitoriosa, atraente para milhões de torcedores e potenciais consumidores.”

    Claro que tem…tem muitas,mas o problema é o valor que essas empresas dão a marca Fluminense. Veja o caso da Adidas: ofereceu um contrato de milhões para o Clube de Regatas Flamengo, já para o FFC….

    STs

    MSB

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