Editorial – Fluminense, refém da mediocridade

Parece incrível, mas o torcedor do Fluminense só teve alguma paz nos últimos quatro anos durante a paralisação do futebol por conta da pandemia neste 2020. Neste período, passava até a impressão de que sua direção seguia corretamente. Mas o futebol voltou – inadequadamente – e, com ele, velhos problemas à tona.

Paz nos últimos três anos apenas por não lutar contra o rebaixamento em 2016, o que é bem pouco em se tratando de uma das maiores agremiações de futebol do mundo.

Engarrafamento de contratações esdrúxulas e saídas precoces de jogadores da base, incapacidade para se produzir dinheiro novo, o discurso mofado de se empurrar para a torcida a responsabilidade de quem comanda, campanhas humilhantes em copas, medíocres em Brasileiros e, por fim, o mar de fantasia e cólera despejado pelo gabinete do ódio – que há quase dez anos domina a internet tricolor – são retratos fiéis de um Fluminense que vende o almoço para pagar a janta, mas que não mostra competência para sair da crise que os próprios pares da atual gestão criaram. O torcedor do Fluminense não é bobo e já percebeu que, com o disfarce de alguns nomes, o modus operandi atual é o mesmo de antes de junho de 2018, sem tirar nem por.

Não é novidade no clube que, a cada nova gestão, sejam escolhidos alvos a serem mirados como “culpados” para se justificar o injustificável. A agressão cometida contra Conca, rasgando-o de uma foto publicada nos canais oficiais do Fluminense, já se repetiu na dispensa de Fred em 2016, assim como na tresloucada demissão de Cavalieri por Whatsapp. Três campeões tratados como nada. Nenhuma surpresa vinda de dirigentes que já chegaram ao cúmulo de ‘entender’ a reivindicação de destruição de um livro sobre o Fluminense, simplesmente porque seu autor não fazia parte da vassalagem das Laranjeiras. Ou da recente ameaça de processos a torcedores que não se alinhem às sandices diárias no noticiário tricolor.

Tudo isso é fruto de uma gestão rudimentar, totalitarista, incapaz de lidar com críticas às ideias, que vende uma falsa modernidade, cujo pilar é a rifa de jovens jogadores que mal fazem carreira entre os profissionais, para custear dezenas de jogadores medíocres a serviços de empresários – um deles até debochou da torcida recentemente, fato inédito no futebol brasileiro. Quando apontados os erros crassos, a voz do clube responde com bravatas da boleiragem como “Só fala quem já deu dois treinos” ou “Quem quer ajudar chega cedo aqui de graça”, sentenças tão patéticas que não contam com a confiança sequer de quem as emite.

O momento é grave, muito grave. O Fluminense está sequestrado por uma mentalidade corrosiva, vendida a cada eleição como a grande novidade, mas que não passa de falácia. Nada mudou, e não é à toa que, nos últimos oito anos, lutamos cinco vezes para não cair e ainda não sabemos como será o fim desta temporada de 2020/21.

Aos torcedores, resta apoiar o time – com todas as suas precariedades – para evitar o pior e, na medida do possível, que se associem em massa ao clube até o mês de outubro, para terem direito de votar nas eleições de 2022 e quebrar essa corrente maligna que tem isolado o Fluminense nesta década de 10. E que usem todos os seus meios legais, de forma democrática e constitucional, para denunciar todas as arbitrariedades que hoje cercam o Tricolor. E que deem um sonoro NÃO tanto para as falhas clamorosas desta gestão, mas também para seus ex-apoiadores ‘fanáticos’, pretensos formadores de opinião que hoje posam como (falsos) críticos isentos mas que, por muitos anos, ajudaram firmemente no processo de cólera política que o Fluminense vive. Se o original é uma porcaria, imagine a cópia adulterada para se fingir de ‘diferente’. Chega de farinha estragada do mesmo saco. Chega de oportunistas!

Quanto a este PANORAMA TRICOLOR, uma coisa é certa: não irá se calar nem demonstrar passividade diante de tanta desordem e desfaçatez. Ainda não nasceu o homem que tentará calar este espaço. Certa vez, um ex-presidente do clube sugeriu tal barbaridade por uma conversa eletrônica, recebendo uma resposta que o faria corar em público se tivesse vergonha na cara, mas infelizmente não era o caso: é que a vergonha na cara não é característica que se alinha com mentirosos e frouxos.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

5 Comments

  1. De acordo, o clube precisa de mudanças urgentes, mas para nós, meros “sócio-futebol” que não frequentamos o clube, o que vimos nas últimas eleições no Fluminense, foram candidatos vencerem quase que por aclamação, desistências de prováveis “oposições”, enfim uma ausência de opções para termos alguma esperança no futuro.
    Saudações Tricolores.

  2. AUMENTEMOS A PRESSÃO E COMO CHE GUEVARA JÁ DISSERA, ” HAY QUE ENDURECERSE, PERO SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS “?….CONTROVERSO NESSE NOSSO CASO DESDE QUE A CARRUAGEM RETORNE À ESTRADA DA VITÓRIA AMPLIFICADA SENTENÇA DO LENDÁRIO E ETERNO FRANCISCO HORTA, ” VENCER OU VENCER “..

  3. Eu queria ter o poder de entrar na mente destes dirigentes e descobrir o que eles sentem vendo uma partida como as jogadas contra São Paulo, Sport e Goianiense. Será que eles ao menos sentem os brios atingidos? Ou São tão anestesiados mentalmente que não sentem nada? Poxa.

  4. O que vemos no fluminense é um pequeno microcosmo do Brasil de hoje, Incompetentes dominando o cenário a fim de sobreviver a uma crise sem precedentes em todos os segmentos da vida nacional sob o lema meu pirão primeiro.

  5. Amigo Paulo, assino embaixo no texto e estaremos juntos nessa! Temos o dever de cobrar e apresentar para os verdadeiros tricolores o que acontece hj com o clube!

    Fluminense sempre soberano!!!

    ST!

    Marcelo Diniz

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