É agora ou nunca! (por Crys Bruno)

crys bruno green

Bastou ter um jogador habilidoso e agressivo ofensivamente, com drible frontal, fundamental para furar retrancas, mais um ataque mais leve, sem centroavantes paradões, e conseguimos duas vitórias seguidas. Uma raridade.

Bastou ter um campo para atuar próximo à sua torcida local para ela comparecer e apoiar, dando vida e oxigênio a um time normalmente moribundo, apático e travado por uma escalação equivocada do meio-campo e ataque.

Bastará Levir escolher o time do segundo tempo desses jogos para que possamos sonhar com uma recuperação no Brasileiro, além de não temer nenhum adversário do pote 1 da Copa do Brasil.

Para isso, o treinador precisa vencer alguns de seus piores vícios. Depois de superar o equívoco de escalar três volantes, posicionando um deles, Cícero, de meia ofensivo, sabendo que uma coisa é o camisa 7 chegar de trás, ser elemento surpresa e outra coisa é receber a bola para criar, na intermediária ofensiva, onde se é mais marcado.

Agora chegou a hora de Levir voltar a ser Levir, após atravessar o crespúculo e apagar-se com o time, escalando um ataque que se encaixe com o meio.

Não se põe Henrique Dourado com Samuel de ponta-esquerda e Scarpa de ponta direita para marcarem os laterais adversários, com Marco Jr de meia, correndo, correndo, sem nada produzir – simplesmente porque joga num espaço do homem de criação e ele pode ser tudo, voluntarioso, dedicado, impetuoso, mas nunca um jogador pensante que construa a jogada.

Essa escalação leviriana tem a vantagem de ser mais ofensiva em relação aos seus brucutus antecessores, mas ainda trava o time. O ideal, como o bê-à-bá do futebol cansa de mostrar, é ter jogadores de velocidade pelos lados do campo para dar opção aos meias. Samuel e Scarpa não são. Entendo e até prefiro Scarpa aberto do que Osvaldo, mais veloz. Mas acho que a escalação definitiva se desenhou com nitidez após essas duas vitórias.

Nosso comandante precisará se abster de escalar Samuel e Scarpa abertos. Para mim, pelas características, Wellington Silva (não conseguirei retirar seu sobrenome) e Marco Jr ou Maranhão, este o meu escolhido – porque é outro driblador mais técnico – ficariam abertos como pontas, com um sobrando no ataque, jogando nas costas do lateral adversário.

Gustavo Scarpa faria a função que Marco Jr faz hoje. O meio-campo centralizado para a saída de bola, ajudando na distribuição de jogo ou no contra-ataque, já que nem Douglas nem Cícero têm essa explosão. Samuel seria meu centroavante.

Jonathan seria meu lateral. E não passaria do meio campo, formando um trio com a zaga, já que atuamos normalmente sem um primeiro volante. Isso abriria um espaço para a passagem do Scarpa e deslocamento do centroavante.

Levir não fará isso e reclamarei. É meu vício de torcedora: reclamar de tudo. Sou até pior que aqueles “comentaristas de resultado”: reclamo também quando vence. Ganhamos de 3 a 0 da Ponte, placar que há tempos não conseguíamos, e reclamo porque em nenhum momento o Fluminense dominou o jogo. Superamos o Ypiranga, em Erechim, conquistando a classificação e reclamei porque era obrigação.

É natural cobrarmos. Não por maldade. Não por ignorância, embora ignore tudo a respeito do dia-dia do grupo. Cobro e apoio porque sei que Levir Culpi é mais treinador que isso e que agora, finalmente, tem um leque ofensivo de opções capaz de dar ao time, um time com a cara do treinador.

Manter Marco Jr. de meia centralizado, com Scarpa que é meio-campista aberto na ponta direita, e Samuel, centroavante nato, aberto na esquerda, não fará mais sentido. Quebrou um galho. Quebrou, sim! Mas chegou a vez de Wellington. Chegou a vez do Danilinho. Com Henrique Dourado, Samuel e Marco JR disputando a vaga do finalizador.

Teremos um turno inteiro para uma arrancada que precisa ser impetuosa para conseguir esse êxito, super possível, de chegar no G4 ou disputar o título da Copa do Brasil, e será fundamental ter uma escalação igualmente impetuosa.

Descobri que no futebol o resultado do campo reflete principalmente o estilo de jogo e escalação do time. O Fluminense moribundo, claudicante, capenga, não precisa mais entrar em campo. Chegou a hora de atacar e contra-atacar com jogadores certos, no espaço certo. Chegou a hora! É agora ou nunca!

Toques rápidos:

– Não analiso lateral como ponta ofensivo. Lateral é defensor, sobretudo. Por isso, prefiro, por exemplo, Jonathan a Wellington Silva. William Matheus é lento no apoio, mas infinitamente o melhor lateral-esquerdo na marcação desde a saída do Carlinhos.

– Da série: “Opção do treinador”: por que Dudu está tendo mais chances que Robert, Danielzinho (novamente emprestado) e Eduardo (novamente emprestado)? “Temos que respeitar”? Não respeito.

– É impressão minha ou estamos fazendo vista grossa com as atuações abaixo da média do Scarpa? Minha intuição me diz que ele deve estar com a cabeça numa possível transferência (a janela europeia fecha somente em fim de agosto). Natural ficar com a cabeça a mil diante da virada de vida, da estabilidade financeira e a tranquilidade que proporciona. Mas Gustavo não fez uma partida tecnicamente boa desde que voltou da Itália…

– (Trecho da coluna do dia 20 de julho sobre a chegada de Wellington Silva)

“Sempre gostei muito dele, mais até do que do Nem, aliás como também gostei do Marinho (agora no Vitória-BA), que era jogador do Bismarck quando esteve no Flu, mas não quiseram renovar.
Não o vejo como um fracassado. Conhecendo um pouco dos bastidores, ainda mais sei que várias situações devem lhe ter faltado para que tivesse o respaldo necessário e vingar.

Acredito muito nele. Habilidade, tem. Com isso, está capacitado. Estou com ótimas esperanças em relação a ele. Vamos lá, moleque!”

– É inegável que o pacotão do Jorge Macedo traz jogadores mais qualificados que os do Mario Bittencourt e Fernando Simone, a dupla trágica dos últimos dois anos! Mesmo às pressas e sob pressão – meio de temporada, sem tempo para negociar e analisar bem – Macedo, ao menos, tentou e trouxe jogadores com mínima qualidade, excetuando um Dudu aqui, um Dudu ali, desnecessário.

– De volta aos nobres ventos do sul, à vitória, Fluzão!

Fraternalmente.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: bru

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