E a renovação do Daniel? (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, parece que Deus está retirando suas tropas do campo de batalha. Foi-se, ontem, o grande tricolor, formidável jornalista e inveterado brasileiro, Paulo Henrique Amorim. Foi-se a minha grande referência como jornalista. Fará muita falta.

Vai-se, na esteira, o bom senso, cada vez mais ausente por essas bandas, como processo praticamente irreversível. Reconhecer que é irreversível nos traz certo conforto, porque nos priva da luta insensata e infrutífera. Que cada um cuide de si, e, infelizmente, é assim, até que uma mão se estenda pedindo ajuda na multidão.

Falando em bom senso, esse ativo em estado absoluto de escassez em nossa sociedade, alguém, por gentileza, me explique a provável contratação do Nenê.

Não questiono a qualidade do Nenê, mas eu sou refratário a analisar as coisas dissociadas do contexto.

Em primeiro lugar, nós não precisamos de um meia atacante. Para a posição do Nenê, nós temos o Luciano. Caso não tenhamos o Luciano, o que parece possível, temos Marcos Paulo, Léo Artur, Guilherme e Miguel Silveira, sem contar que o próprio Ganso pode fazer o papel de quarto homem do meio de campo.

O que explica contratarmos um jogador de 37 anos para uma posição em que temos fartura de mão de obra para ganhar algo na faixa dos 300 ou 400 mil reais? O que explica tal extravagância, quando precisamos de um lateral esquerdo e de mais um zagueiro?

O que explica tal extravagância, quando lutamos para colocar em dia nossas obrigações com o elenco? O que explica essa loucura, quando temos uma dívida gigantesca e comemoramos os primeiros passos de uma política de responsabilidade nos gastos?

Se o propósito dessa possível contratação é desestabilizar o elenco, criar focos de descontentamento, comprometer o nosso fluxo de caixa e a nossa saúde financeira, que sigam em frente. Se há um mínimo de responsabilidade para com o clube, o mínimo de compromisso, um pouco de seriedade, essa ideia tem que ser abortada para já.

Enquanto isso, não vejo nenhuma notícia de que o Fluminense se mobilize para renovar o contrato de Daniel que termina no final do ano. Estamos falando de um titular, peça chave no esquema de Fernando Diniz, cujo contrato já era para ter sido renovado até 2025, com multa de 500 milhões, porque se trata de um craque. Se ainda não deixou isso claro é porque o convenceram do contrário.

Parece que a capacidade de eleger prioridades é quase nula na nova gestão do Fluminense, exceto essas prioridades não estejam alinhadas com o que o Fluminense realmente precisa, o que sinaliza que a escolha foi muito ruim.

Não quero acreditar nisso. Espero que tudo seja só uma falsa impressão. Vejo muita gente soltando fogos e batendo palmas para macaco dançar. Se é macaco, se dança ou faz travessuras, o que eu sei é que o bicho está pegando para o nosso lado.

Auditório bate palmas e dá faniquitos, mas não tem, e nem precisa, ter poder de análise, muito menos compromisso. Não sofre o que nós sofremos se o escudo que amamos for aniquilado, como vem sendo há anos. Não pelas forças externas, mas pelas internas, pelo fogo amigo (ou inimigo) nas trincheiras.

Saudações Tricolores!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

2 Comments

  1. Um jogador caro, paneleiro, o Fluminense não tem dinheiro, encrenqueiro, deve ter um Jabá muito forte no bolso de alguém , pior que tem várias pessoas que acham uma boa contratação, coloca o salário em dia. Isso que é uma boa contratação

  2. O grande equívoco começa aqui: “Para a posição do Nenê, nós temos o Luciano. Caso não tenhamos o Luciano, o que parece possível, temos Marcos Paulo, Léo Artur, Guilherme e Miguel Silveira”

    A partir dessa premissa falsa, todo o restante do texto perde os pés na realidade. Isso é farto aonde, homem? Léo Artur mostrou o que? Guilherme é a solução? Miguel Silveira, de 16 anos? Isso é fartura? Marcos Paulo que nunca fez um gol como profissional?

    Imagina esse cenário: Guilherme, que é de…

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