Dinheiro x falta de dinheiro (por Paulo-Roberto Andel)

Definitivamente, torcer para o Fluminense não é fácil. Tirando 2012, não tivemos uma temporada que fosse barbada nos últimos 50 ou 60 anos. E agora aí estamos: duros de doer, lutando novamente contra um rebaixamento, vendo o grande rival em plena apoteose. Menos mal que o Santos deu uma bela ajuda, vencendo o Cruzeiro por 4 a 1. Esperemos que os resultados de Botafogo e Ceará também ajudem.

Estamos longe demais do que esperávamos há sete anos. Muito longe.

Desmandos administrativos e financeiros, descaso com a torcida, vaidades, despreparo para gerir a situação, picuinhas, questões particulares acima dos interesses do Fluminense.

O resultado aí está. Cinco lutas contra o descenso em sete anos não deixam dúvidas sobre o caos que nos ronda.

Não é meu caso, mas entendo que boa parte da torcida tricolor esteja ainda mais deprimida com o carnaval da Gávea neste domingo. Não é de hoje para que chegassem onde estão.

Muito se fala de gestão, trabalho, oxigenação e tal, mas sejamos honestos: a grande diferença entre os dois clubes está em quase um bilhão de reais da televisão.

Fizeram o dever de casa, que as direções do clube tricolor se recusaram terminantemente por motivos imagináveis. Souberam trabalhar e operar. Mas a diferença de quase tudo está nesse quase bilhão e, naturalmente, em seu uso.

Durante anos, foi vendida midiaticamente a farsa do saneamento financeiro tricolor, uma irresponsabilidade que hoje bate à porta e sorri. Ora, se os caras têm a preferência de quem transmite, o mínimo razoável era termos ido em busca de soluções reais para aporte. Muita conversa fiada e zero ação. Muita arrogância e nenhum resultado.

Faltou criatividade, apreço à torcida e aos sócios.

O que esperar de um clube que sofre na zona de rebaixamento enquanto seus principais dirigentes batem boca em público, resolvendo quem pode ou não ir ao vestiário ou ter ingressos de cortesia? Não dá!

Pois é, estamos aí com mais uma bomba relógio na mão. Vencer o CSA é o primeiro desafio para evitar a tragédia. O resto se vê depois, mas não tão depois.

Sem soluções criativas, captação de recursos e mudanças radicais no modus operandi das Laranjeiras, o resto é balela. Às vezes poderemos fazer frente num ou outro clássico, mas com essa mentalidade atual a tendência é o Fluminense diminuir cada vez mais com os Kelvins da vida, enquanto rifamos os jogadores da base a preço de banana.

O Fluminense precisa de muitas coisas, mas a prioridade para 2020 e anos seguintes é dinheiro e capacidade de geri-lo. Para tal, criatividade e competência são itens fundamentais.

Bom, ao menos deveriam ser.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

#credibilidade

4 Comments

  1. O Fluminense é um clube que não se dá respeito e isso vem desde a “invasão corintiana”,quando foi enviada para São Paulo metade dos ingressos.Champanhe para comemorar não rebaixamento etc.Em relação às cotas,em um blogue do Fluminense havia quem discorria,com dados e números,defendendo a repartição,como se a tv alimentasse o futebol,mas acredito que o futebol é que alimenta a tv.
    Os dirigentes alegam que vendem jogadores para pagar dívida,mas no Fluminense vende-se jogador e adquire…

  2. Se há amor pelo Fluminense, temos que desapegar, enterrar o velho modelo de associação desportiva e preparar o futebol para ser entregue a um dono. Não há outra saída dentro desse modelo em que cabe a torcedores corneteiros amadores administrar um negócio de milhões. Já deu.

    ST

  3. São campeões da Libertadores e brasileiros, disputarão o mundial contra um Liverpool meia-boca. Estão garantidos no mundial de 2021, há uma lista de contratações milionárias para o próximo ano, disputarão o carioca com um time sub-23, poupando o elenco, os titulares disputarão apenas os clássicos. E a Globo não pode nem reclamar, porque está se enchendo de dinheiro de anunciantes atraídos pelo sucesso dos mulambos. Enquanto isso, nas Laranjeiras… ST

  4. Boa tarde, Andel. O nosso caminho é o mesmo percorrido pelo Palmeiras após Parmalat, culminando com a sua queda em 2012. Ninguém aprendeu com aquilo. Muito menos nós. O Palmeiras achou o seu grupo financeiro e parece que se acertou. O Flamengo, com seu Banqueiro circulando como poucos no meio financeiro/bancário do País, ludibriou a lei federal de licitações 8666 e se acertou com a CEF. Só que isso não interessa à grande mídia. E nós? se não fizermos algo parecido, no mundo de hoje…

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